01/08/2012

Diplowife: DIY

Algo que sempre me chamou a atenção são aquelas jovens que querem se casar com diplomatas. Assim como no futebol existem as Maria Chuteiras, na diplomacia existem as Maria Passaportes. Não sei se esse termo já foi utilizado por alguém ou se eu mesma acabei de cunhá-lo, mas o que mais me intriga é haver um seguimento social que busque no casamento uma, digamos "carreira" ou meramente uma ascensão social. Este não é nem nunca foi o meu caso. Sempre pensei que eu seria uma diplomata e que nessa qualidade ou ficaria sozinha, devido a questões profissionais e ao machismo que insiste em permear nossa sociedade, ou que me casaria com um homem que me acompanharia pelo mundo e que cuidaria da casa e dos filhos -se algum dia tivéssemos algum. A possibilidade de eu me tornar uma diplowife nunca fez parte do meu imaginário até dois anos e meio atrás. Pensar que poderei vir a ingressar nesse seleto grupo ainda é algo novo e que me agrada muito.

Mas afinal, quem são as diplowives e o que elas fazem? Sinceramente, eu não sei. E talvez não me interesse verdadeiramente saber, pois acredito que cada pessoa deva viver da forma que entende ser melhor para si.  Não é uma questão de desinteresse, mas sim de liberdade de escolha. Sei que existe um certo preconceito que ronda as diplowives. Há quem diga que são belas mulheres vazias, fúteis, meras donas de casa. Não é o que eu vejo aqui em Brasília. É claro que exceções sempre existem, mas as esposas de diplomatas que conheço têm carreiras bem sucedidas (seja no governo, na iniciativa privada ou em organismos internacionais). Algumas são acadêmicas de renome, outras ganham até mesmo mais do que seus maridos. Se existe um padrão, ele ainda não ficou claro para mim. Me parece (e gosto de pensar assim) que não existe uma fórmula - por isso o irônico DIY no título do post - para ser uma verdadeira diplowife, mas sim algumas características pessoais que permitam que as constantes viagens, mudanças de país e a distância dos amigos e família que ficaram no Brasil  não sejam um fardo pesado demais para ser suportado. Sinto que nasci para viajar, desvendar os segredos de novas culturas, fazer e desfazer malas pensando no próximo destino. Filha de militar que nunca foi transferido, talvez eu não saiba na prática o que isso significa, mas estou disposta a descobrir. O glamour em torno da carreira diplomática, nunca foi o que me atraiu (recepções, festas, compras pelo mundo), mas compreendo o interesse de quem vê no marido uma porta aberta para esse mundo. Não as recrimino, mas acho peculiar. Pessoalmente, prefiro ter uma "vida própria"  - se é que isso existe - mesmo que signifique trocar de emprego a cada nova remoção.

Agora, para aquelas que, interessadas no título-receita, leram este post até agora, aqui fica uma dica: se o seu noivo/namorado/pretendente/ficante/whatever estiver prestando o CACD, o apoie. É uma fase muito difícil na vida de quem quer se tornar diplomata e estudar 12h por dia muitas vezes não é o suficiente. Sei porque já cheguei a estudar 16h por dia e ainda não consegui passar do TPS. Dê a ele o tempo, o espaço e a tranquilidade para se preparar para as infindáveis provas desse concurso. Tenho certeza de que ao final da quarta fase, tudo serão flores.




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