07/04/2013

Diplomata Joaquim Paiva expõe seu trabalho como fotógrafo


Transcrevo notícia do Jornal O Globo.

Diplomata Joaquim Paiva expõe seu trabalho como fotógrafo
Dono de mais de 2 mil imagens, colecionador mostra a partir desta quarta-feira, no Sesc, 64 obras de sua autoria. Audrey Furlaneto  - Publicado:28/03/13 - 7h00

Foto da série Pontas de Filme, de 1985, clicada por Joaquim PaivaDivulgação/Joaquim Paiva

"RIO- Era 1978 quando o diplomata Joaquim Paiva comprou sua primeira fotografia, da norte-americana Diane Arbus (1923-1971). Na época, ele próprio já fotografava e, embora não viesse a ser reconhecido por isso, são desse tempo as primeiras séries de sua carreira atrás das câmeras, que ganha agora exposição no Espaço Sesc, em Copacabana.

Com abertura para convidados nesta quarta-feira, às 19h, e para o público na sexta, às 14h, a mostra reúne 64 imagens feitas por Paiva desde a década de 1970 até os anos 2000. No mesmo período, ele formava a que viria a ser uma das uma das maiores coleções de fotografia do país, com mais de 2.000 fotos — boa parte cedida ao Museu de Arte Moderna do Rio.

Lá, estão 1.965 fotos de 350 fotógrafos brasileiros e estrangeiros que o diplomata vem comprando. A foto de Arbus, por exemplo, que lhe custou US$ 200 na época e inaugurou sua coleção, já deve valer US$ 60 mil, calcula o colecionador.

O bom olho, tido como predicativo para formar uma boa (e valiosa) coleção, foi exercitado por ele como fotógrafo. Na mostra que o Sesc abre hoje, Paiva exibe seu olhar para o que chama de “espírito de época”, aquele que, nos anos 1970, levou-o a organizar performances e registrá-las em foto. Exemplo disso é a série “Jogando plásticos para o alto”, de 1973, formada por cinco imagens. Nela, Paiva fotografa um homem que lança sacos plásticos coloridos ao ar.

A cor é elemento frequente nas 12 séries expostas, embora ele também mostre algumas fotos em preto e branco, como as que fez nas cidades-satélites de Brasília, nos anos 1970.

— Você deve ver a obra de um fotógrafo como um conjunto autoral, apesar da diversidade. Por isso, decidi que, na exposição, queria fazer uma pequena retrospectiva e tento equilibrar o preto e branco e as cores, que sempre me fascinaram como fotógrafo — explica o diplomata, que hoje vive em São Francisco, nos Estados Unidos, mas tem a coleção entre o MAM e a casa no Rio.

Das mais divertidas da exposição, a série “Pontas de filme” mostra como o colecionador soube aproveitar o apreço pela criação de acervo na própria produção. Paiva guardou as pontas das películas, que, à época rebobináveis, costumavam apresentar defeitos de cor ou captação de luz. A série, também dos anos 1970, compila vários finais de filme e usa os defeitos como qualidades em fotos que são uma massa de cor amorfa e poética.

Há ainda a primeira incursão do colecionador na produção de vídeo. A exposição apresenta “Cinzas” (2011), vídeo-performance no Corcovado, a partir de uma das anotações do diário que Paiva mantém há algum tempo. Para ele, “a fotografia nem sempre diz tudo”. Daí o desejo de “transcender do documental”."

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