01/04/2015

Mulheres na diplomacia brasileira


O livro que eu gostaria de recomendar hoje é "Diplomata. substantivo comum de dois gêneros. Um estudo sobre a presença das mulheres na diplomacia brasileira", de Viviane Rios Balbino. Trata-se da dissertação da referida Diplomata, apresentada no Instituto Rio Branco. Clique AQUI para ler.

Transcrevo abaixo alguns trechos e dados interessantes.

 "Na década de 70, há quase 40 anos, portanto, as mulheres eram cerca de 10% do total de diplomatas no Brasil. Em 2003, a parcela de mulheres era de 19,45%. Atualmente, ao entrarmos na segunda década dos anos 2000, há 21,84% de mulheres entre os diplomatas, de acordo com dados da Divisão do Pessoal do MRE."

"De maneira bastante resumida, percebo que se impõem, até os dias atuais, maiores dificuldades para uma mulher diplomata casada com alguém que não seja colega de profissão, do que para um homem diplomata nas mesmas condições, no que se refere à manutenção da união familiar em face da carreira. E isso se deve, precipuamente, à necessidade de deixar o País a cada intervalo de tempo para o serviço no exterior. Permanece sendo socialmente mais aceito que a mulher esposa de diplomata se afaste, ainda que momentaneamente, de suas atividades profissionais para acompanhar seu cônjuge no exterior do que o homem marido de diplomata fazendo o mesmo."

"...  tem-se tornado cada vez menos frequente a esposa tradicional de diplomata, que se dedica, por opção própria e com total satisfação, exclusivamente a casa e aos filhos. A maior parte das mulheres nos dias atuais deseja ter autonomia econômica e satisfação profissional. Dessa forma, é cada vez mais difícil também para os homens diplomatas casados com mulheres de fora da diplomacia manterem seus casamentos em face das exigências da carreira. Entretanto, isso em nenhum momento, em nenhuma circunstância é mencionado como algo que um jovem que deseje ser diplomata tenha de considerar".

" Em 1918, a primeira colocada para o concurso da Secretaria de Estado foi uma mulher, Maria José de Castro Rebello Mendes. Sua inscrição só foi aceita porque Rui Barbosa argumentou que o artigo 73 da Constituição de 1891 usava o termo “todos os brasileiros”, sem discriminar o sexo, sobre a elegibilidade para cargos públicos. De 1919 a 1938, dezoito mulheres ingressaram no Itamaraty. Neste ano, as carreiras de cônsules e diplomatas foram unidas em uma só (a de oficial da Secretaria havia sido extinta em 1931). Como para a maioria dos diplomatas – todos homens até então – era inadmissível ter mulheres como colegas, o decreto que uniu essas carreiras também determinou que apenas brasileiros do sexo masculino poderiam ingressar. Apenas em 1953 uma mulher foi novamente aprovada, por força de um mandado de segurança. Em 1954, a autorização definitiva para o ingresso de mulheres foi dada."




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