02/04/2015

A face pouco conhecida da vida diplomática - Parte II


Dando continuidade ao primeiro post sobre o assunto, gostaria de citar algumas passagens das primeiras páginas do livro "Diplomatic Baggage: The Adventures of a Trailing Spouse", de Brigid Keenan. Ela mantinha um diário e após muitos anos, decidiu publicá-lo em diferentes obras. Ganhei esse exemplar de presente do meu marido ano passado e pretendo comprar os outros livros da autora, que contam sobre suas viagens pelo mundo e as dificuldades pelas quais as esposas de diplomata passam - muitas vezes em silêncio.

Neste post, veremos o primeiro dia de missão de Brigid Keenan em um novo país.


 O livro está escrito em Inglês, pois Brigid é britânica, então farei uma tradução livre dos trechos que escolhi e colocarei também os originais em Inglês. Não esperem uma total fidedignidade textual pois, apesar de eu ter cursado Letras-Tradução, abandonei as matérias no quinto semestre, por não gostar nem um pouco do curso (e por preferir o Direito Internacional, carreira que segui).


"People tend to think that ex-pat wives live in luxury compounds, drink a lot  of gin and have affairs, so it´s not surprising that we don´t get much sympathy". Página. I, Introdução.

"As pessoas tendem a pensar que esposas de diplomata vivem cercadas de luxo, bebem muito gim e tem casos amorosos, por isso não é de surpreender que nós não tenhamos muita simpatia dos demais". Página. I, Introdução.


"When he rang from Saudi Arabia last June, he said, ' I´ve got good news and bad news...'. 'Let me guess', I said, 'the good news is that you have a posting abroad, and the bad news is that it is in...' I let my mind wander over the most remote and unlikely places in the world - the places I least wanted to go - and I came up with: 'Kazakhstan?'. 'How do you know?' he said, amazed. So I busrt into tears and then spent most of the following month either sobbing or screaming at him.". Página 08.

"Quando ele me ligou da Arábia Saudita em junho passado, ele disse, 'tenho uma boa notícia e uma má notícia ... '. "Deixe-me adivinhar", eu disse, "a boa notícia é que você foi designado para um novo posto no exterior, e a má notícia é que ele será ..." Eu deixei minha mente vagar pelos lugares mais remotos e improváveis do mundo - os lugares que eu menos queria ir - e soltei um: 'Cazaquistão?'. 'Como você sabe?' ele disse, espantado. Então eu caí em lágrimas e passei a maior parte do mês seguinte aos soluços ou gritando com ele". Página 08


"This wasn´t made me any better by cheery friends who kept saying 'You´ll be okay Bridge, look how you´ve made a success of all your past postings...', when all I know is that I´ve been utterly miserable in every one of the six countries across four continents that we´ve been sent to in the last twenty years. But then again, I cling to the thought that - up untill now - I´ve cried almost as much when the time came to leave as I did when I arrived". Página 09.

"Não ajudava nem um pouco os meus amigos que ficavam dizendo 'Vai ficar tudo bem, Bridge, olha como você teve sucesso em todos os postos anteriores ...', quando tudo o que eu sei é que eu me senti totalmente miserável em cada um dos seis países, em quatro continentes, para os quais nós fomos enviados nos últimos vinte anos. Mas, novamente, eu me apego ao pensamento de que - até agora - eu chorei quase tanto quando chegou a hora de deixar os países quanto quando eu cheguei neles".  Página 09.


"Nothing links these points of ours, there is no continuity, it´s like being reincarnated eight times in one life (...) You arrive in each new place all naked (as it were) and friendless and vulnerable, you gradually build up a little world around yourself and then, bingo, you are suddenly sent off to the other side of the world to start all over again".  Página 10.

"Nada une esses pontos de nossas vidas, não há continuidade, É como reencarnar oito vezes em uma vida (...) Você chega em cada novo lugar (como se estivesse) completamente nu e sem amigos e vulnerável. Você gradualmente constrói um pequeno mundo em torno de si mesmo e, em seguida, bingo!, de repente você é expulso para o outro lado do mundo para começar tudo de novo". Página 10.


"When I woke up today i took me about ten minutes to work out who I was, let alone where I was. (Kazakhstan! - my stomach lurched)". Página 04. 

"Quando eu acordei hoje, levei cerca de 10 minutos para recordar quem eu era e onde estava. (Cazaquistão! - meu estômago ficou embrulhado)". Página 04. 


"Oh God, I don´t know if I can bear it. This is my first morning in Kazakhstan and it is only eleven o´clock and I´ve already run out of things to do and I have another four years to go (that means one thousand four hundred and sixty days) until this posting comes to an end. How on earth am I going to get through it?". Página 03.

"Oh, Deus, eu não sei se eu posso suportar. Esta é a minha primeira manhã no Cazaquistão e são só onze horas da manhã e já não tenho mais nada para fazer e ainda tenho mais quatro anos pela frente (o que significa 1.460 dias) até que esta missão chegue ao fim. Como é que eu vou sobreviver a isso?". Página 03.


"After breakfast I looked up 'thank you' in my Russian dictionary - spaseeba - and tried out on everyone, which seemed to go down well, then I bolted up here to the attic (where I have set up my computer) to avoid looking purposeless in front of them, or worst of all, bursting into tears. My unpacking is done, my clothes put away; I have no idea how to get to the centre of Almaty town and no exerience driving in real ice and snow, and as I can´t actually speak to anyone, there is honestly nothing to do except telephone AW, my husband, in the office every hour or so (so far each conversation has ended with him getting annoyed and me crying), or look at emails". Página 05.

"Após o café da manhã, busquei "obrigado" no meu dicionário de russo - spaseeba - e experimentei dizê-lo a todo mundo, o que pareceu dar certo. Então, eu fui para o sótão (onde eu configurei meu computador) para evitar parecer sem o que fazer na frente deles, ou o pior de tudo, cair em lágrimas. Já tinha desfeito as malas, minhas roupas estavam fora. Eu não tenho nenhuma ideia de como chegar ao centro da cidade e nunca experimentei dirigir no gelo de verdade, nem na neve, e como eu realmente não posso falar com ninguém, não há, sinceramente, nada a fazer senão telefonar para AW, meu marido, no escritório, a cada hora ou mais (até agora cada conversa terminou com ele ficando irritado e comigo chorando) ou ler e-mails". Página 05.


"Paranoia about my career - or rather about the lack of it - is never very far way. In the Sixties I was a fashion editor on the Sunday Times and was once described as a Young Meteor, but now I´m more of fallen star, or AW´s satellite perhaps, or even, on bad days, a black hole". Páginas 10-11. 

" A paranoia sobre a minha carreira - ou melhor, sobre a falta dela - nunca está muito longe. Nos anos 1960, eu era editora de moda do Sunday Times e fui certa vez descrita como um Jovem Meteoro, mas agora sou mais uma estrela caída, ou um satélite do AW, talvez; ou até mesmo, em dias ruins, um buraco negro". Páginas 10-11. 


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