03/04/2015

A face pouco conhecida da vida diplomática - Parte III

Amanhã será o último dia de missão do meu marido, então aproveitei a noite de hoje para ler  "Diplomatic Incidents: Memoirs of an (Un)diplomatic Wife", de Cherry Denman, e dar continuidade à série de posts sobre um lado da vida das esposas de diplomata que poucos conhecem. 

Neste momento, selecionei trechos do livro em que Cherry narra a sua grande dificuldade de morar fora do país e também de retornar a ele. 


Assim como na Parte II, o livro está escrito em Inglês, pois a autora é britânica, então farei uma tradução livre dos trechos que escolhi e colocarei também os originais em Inglês. Mais uma vez, não esperem uma total fidedignidade textual, ok? Como estou lendo o livro no Kindle Ilimited Online, não sei o número correto das páginas. Me perdoem.



"Many years ago, in a moment of abesent-minded self-indulgence, I married a diplomat. I still haven´t made up my mind whether this was a good move or not. I have turned from a happy, stay-at-home childrem´s book illustrator into a chaotic nomad. My brain seems to be permanently locked in a suitcase, my children are lost somewhere in transit and the husband might as well have 'Heavy Baggage' tattooed somewhere on his person. We all spend far too much time in the air".

"Há muitos anos, em um momento de auto-indulgência impensada, me casei com um diplomata. Eu ainda não sei se essa foi uma boa jogada ou não. Eu passei de uma vida feliz de ilustradora de livros infantis que ficava em casa, para uma vida caótica de nômade. Meu cérebro parece estar permanentemente trancado em uma mala, meus filhos estão perdidos em algum lugar em trânsito e que o marido poderia muito bem ter 'bagagem pesada' tatuada em algum lugar na sua pessoa. Todos nós gastamos muito muito tempo no ar".


"Living abroad changes you; it marks you out. We don´t look right or sound the same. When I flyback, it takes days for me to get back up to speed with my friends, who never know what I am talking about. I sometimes do not now what they are on about either".

"Viver no estrangeiro muda você, deixa uma marca. Nós não parecemos certos ou o mesmo soamos os mesmos. Quando eu volto ao meu país, leva dias para eu retomar as novidades com meus amigos, que nunca sabem o que eu estou falando. Às vezes eu não faço ideia do que eles estão falando também".


"Yet with the relief of return comes a strange sense of not belonging, a desperate new-girl-at-school desire to fit in and be one of the gang again".

"No entanto, com o alívio de retorno vem uma estranha sensação de não pertencimento, um desejo desesperado de 'menina nova na escola' que quer se integrar e fazer parte do grupo de novo".


"It is your fault. While we are away we are in a time warp. We have changed but home stays the same. Natasha Wilson, the wife of the ex-governor of Hong Kong, once said to me: ' at first you resent your friends for never changing. But later you resent them if they do'. We want to remain part of the tribe, but we have become uncertain about some of the rituals".

"A culpa é sua. Enquanto estamos longe, estamos em um túnel do tempo. Nós mudamos, mas a casa permanece a mesma. Natasha Wilson, a esposa do ex-governador de Hong Kong, uma vez me disse: 'em primeiro lugar você se ressente que seus amigos nunca mudam. Mas depois você se ressente por que eles mudaram'. Queremos continuar a fazer parte da tribo, mas nos tornamos incertos sobre alguns dos rituais".


"For example, we look different (...) And we are different. Travelling a short holliday is a great adventure, but you know that you will return to clean sheets and a choice of shampoos. But living abroad stamps us earhwanderers with the Mark of Cain. It is altogether different making a home in a strange place; knowing that your life, your children´s lives and your heart are now part of it; that your happiness depends on you making it work. It is hard. It is exhilarating and I am gloriously bad at it."

"Por exemplo, parecemos diferente (...) E nós somos diferentes. Viajar em um feriado é uma grande aventura, mas você sabe que você vai voltar para lençóis limpos e seus shampoos. Mas viver no estrangeiro nos rotula, andarilhos do mundo, com a Marca de Caim. É completamente diferente criar um lar em um lugar estranho, sabendo que sua vida, dos seus filhos e seu coração agora fazem parte dele; que sua felicidade depende de você fazê-lo dar certo. É difícil. É emocionante e sou gloriosamente ruim nisso".


"Tears and plate-throwing, specially at the start, are normal. In fact, being faintly miserable when you arrive in a strange place makes you much more approachable than being relentlessly upeat".

"Chorar e jogar pratos, especialmente no início, é normal. Na verdade, sentir-se levemente miserável quando você chega em um lugar estranho te torna muito mais acessível do que ser implacavelmente otimista".


"I have moved around the world for twenty-five years now and I still cry for three months every time I arrive in a new place".

"Vivi pelo mundo por vinte e cinco anos e até hoje e eu ainda choro por três meses a cada vez que eu chego em um lugar novo".


"Apparently moving house and divorce are two of the most stressful things a person can experience in their lifetime. Personaly, I find the two invariably together. Every time I have to pack up and move on and my brain becomes clogged with drery concerns like mattress-protectors and meter-readings, I find myself more preoccupied with planning my decree nisi than packing order. And as the move progresses and I watch with mounting mistery the chunks of my happy life dismantled around me, I find thoughts turn more to dismemberment and disembowelling rather than the softer option of divorce".

"Aparentemente mudar de casa e se divorciar são duas das experiências mais estressantes que pessoa pode experimentar em sua vida. Pessoalmente, acho que os dois sempre caminham juntos. Toda vez que eu tenho que arrumar as malas e seguir em frente e meu cérebro fica bloqueado com preocupações como protetores de colchão  e fitas métricas, encontro-me mais preocupada com o planejamento de minha nulidade relativa do que com embalar. E enquanto a mudança avança e eu assisto os pedaços da minha vida feliz se desmantelando em torno de mim, meus pensamentos se voltam mais para desmembramento e perda de vísceras do que a mais suave opção do divórcio".



"Ripping out the entrails of your life and stuffing them into boxes is always horrible. You will never get used to it. The only benefit of having to move so often is that it stops you drowning in your own rubbish".

"Arrancar as entranhas de sua vida, enchendo-as em caixas é sempre horrível. Você nunca vai se acostumar com isso. A única vantagem de ter que se deslocar tantas vezes é que isso te  impede que você se afogue em seu próprio lixo".


"There are only two golden rules when packing up. The first concerns storage. Storage is for suckers. You would do better to stuff everything on Ebay and put the money toward a top-notch divorce lawyer".

"Existem apenas duas regras de ouro sobre embalar. A primeira diz respeito ao armazenamento. Armazenar é para otários. Você faria melhor colocando tudo no Ebay e usando o dinheiro para cotratar um advogado de divórcio de primeira linha".



"Every time I move countries I make mistakes: I am either too loud and too pushy, or too unfriendly and too reserved. It is impossible to get it right: the only thing to remeber is that everyone gets it wrong. It takes weeks to settle in and no one should judge you untill you have lived there for at least a year".

"Toda vez que eu me mudo para novos países cometo erros. Eu sou demasiado chamativa e muito insistente, ou muito hostil e muito reservada É impossível acertar: a única coisa que devemos nos lembrar é que todo mundo erra. Leva semanas para instalar-se e ninguém deveria julgá-la até você ter vivido lá por pelo menos um ano".


"Living abroad is very humbling. Being in someone else´s country is a great leveller, especially if you do not speak their language. I am living proof that you need a talent to learn languages. Abroad I am an effect dumb and illiterate. I have to rely on my talent for mime and my ability to make a complete fool of myself in front of complete strangers".

"Viver no exterior te deixa mais humilde. Estar no país dos outros é um grande nivelador, especialmente se você não falar a língua deles. Eu sou a prova de que você precisa de talento para aprender línguas. Fora do meu país sou efetivamente burra e analfabeta. Eu tenho que confiar no meu talento para mímica e na minha capacidade de me fazer uma completa idiota na frente de estranhos".



"No matter how thrilled you may be at your posting, homesickness almost invariably raises hideous head at some time or another".

"Não importa o quão feliz você estiver no posto. A saudade de casa, quase invariavelmente, vem à mente, em algum momento ou outro".




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