01/04/2015

A primeira MT a gente não esquece


"Meu amor, surgiu uma missão transitória para Camarões, o que você acha?" - e assim começou a minha primeira experiência com MTs. Em uma semana, fizeram o pedido, compraram passagens e ele viajou para a África. Não o acompanhei pois tinha provas a fazer e porque o MRE não paga passagem para a família nesses casos. Seriam quarenta e cinco dias de missão, imaginei que passariam rapidamente. Ou pelo menos eu torcia para que o tempo corresse ao invés de caminhar bem devagarinho. Não preciso nem dizer que a realidade foi essa última opção, não é mesmo? 

Meu primeiro passo foi me informar sobre o país, que até aquele momento só conhecia pelo futebol e por ser a pátria de um grande amigo meu de faculdade. Sabia que o idioma local era o Francês e que a independência da França se deu nos anos 1960, durante o início do processo de emancipação africana. Fora isso, tudo o mais era novidade.Inclusive a presença do Boko Haram no norte do país, o que de início me deixou bastante preocupada. 

A primeira semana longe do meu marido não foi tão difícil, mas com o passar dos dias, a saudade apertava cada vez mais. Algumas amigas (que também são diplo wives) já haviam me avisado que a distância e as constantes viagens são um grande peso para as esposas, que acabam se sentindo solitárias, mesmo quando estão em seus próprios países. Eu não fui exceção a essa regra. Apesar de eu ser natural de Brasília, ter amigos e família na cidade, a sensação de passar o dia inteiro sozinha dentro de casa é bastante angustiante. Estou no último ano do doutorado, então passo as minhas horas lendo e escrevendo. A companhia do meu marido era a parte divertida das minhas noites, mas sem a presença dele, tudo parecia mais gris. Fiz jantares com os amigos, fui ao cinema com meus pais, participei de festas e reuniões, mas nada parecia preencher aquele vazio. 




Conversávamos por Hangout, Facetime, WhatsApp e todos os meios possíveis que a tecnologia atual nos permite. Pude entender mais sobre a situação econômica e financeira do país, sobre alguns hábitos interessantes da população - como o de algumas mulheres usarem diferentes perucas em diferentes dias - e sobre a política local. Após três semanas, o Felipe já tinha muitas histórias para contar, viveu aventuras das quais eu não participei. Acho que esse é um segundo problema das esposas, muitas vezes não podemos vivenciar as ricas experiências de nos relacionarmos com outras nacionalidades, já que nem sempre acompanhamos o nosso cônjuge. Isso pode ser um "gap" bem desagradável, mas eu busco reviver, mesmo que mentalmente e à distância, as passagens interessantes que viagem permite ao meu esposo. Assim, me sinto mais próxima dele e mais incluída nos assuntos decorrentes da viagem.

O terceiro, e talvez o mais angustiante problema de ficar em Brasília é quando seu cônjuge fica doente e não podemos fazer absolutamente nada. A sensação de impotência é grande. Na região, há alguns casos de Malária e em alguns locais da áfrica o Ebola tem se tornado um problema, já que o trânsito de pessoas pode espalhar a doença por novos países. Eu havia ouvido também notícias de intoxicação por meio da água sem tratamento. Pois bem, em um belo dia, o Felipe começa a passar mal, com sintomas que poderiam ser qualquer uma dessas coisas. Isso me preocupou bastante por três dias, mas ele recebeu cuidados médicos e acabou sendo diagnosticado com intoxicação alimentar. Dos males, o menor. De qualquer forma, foram três dias checando valores de passagens para Yaoundé, caso eu precisasse viajar com urgência para lá. Felizmente, não foi necessário.




Vinte dias depois da chegada aos Camarões, recebo fotos da cidade e de alguns eventos oficiais dos quais ele participou. Coloquei neste post três das minhas favoritas. A saga continua em um próximo post, pois ainda faltam alguns dias para o retorno ao Brasil.

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