01/04/2015

Clarice Lispector: uma diplowife

Não é meu objetivo rotular Clarice Lispector, mas ela é um exemplo das muitas esposas de diplomata que tiveram (e têm até hoje)  destaque em sua vida profissional. Mostrar esse lado pouco conhecido de Clarice é a finalidade desse pequeno post/biografia escrito com carinho às 04h10 da manhã de uma quarta-feira, enquanto penso nos desafios de ser uma diplo wife nos dias atuais.. 
Clarice Lispector (1920-1977) nasceu em Tchetchelnik na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920. Filha de família de origem judaica, Pinkouss e Mania Lispector. Sua família veio para o Brasil em março de 1922, para a cidade de Maceió, Alagoas, onde morava Zaina, irmã de sua mãe. Nascida Haia Pinkhasovna Lispector, por iniciativa do seu pai, todos mudam de nome, e Haia passa a se chamar Clarice.

Em 1925 mudaram-se para a cidade do Recife onde Clarice passa sua infância, no Bairro da Boa Vista. Aprendeu a ler e escrever muito nova. Estudou inglês e francês e cresceu ouvindo o idioma dos seus pais o iídiche. Com 9 anos fica órfã de mãe. Em 1931 ingressa no Ginásio Pernambucano, o melhor colégio público da cidade.

Em 1937 mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, indo morar no Bairro da Tijuca. Ingressa no Colégio Silva Jardim, onde era frequentadora assídua da biblioteca. Ingressou no curso de Direito, onde conheceu seu futuro marido. Com 19 anos publicou seu primeiro conto "Triunfo" no semanário Pan. 

Em 12 de janeiro de 1943, obteve a naturalização, e, em 23 de janeiro, em cerimônia civil, casou-se com Maury Gurgel Valente. Os dois mudaram-se temporariamente para a casa dos sogros, Mozart e Maria José Gurgel Valente, no bairro da Glória, e depois para a rua São Clemente, em Botafogo. Em 3 de maio, recebeu a carteira profissional do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Em 17 de dezembro, ela e seu marido formaram-se em direito.

"Clarice Lispector acompanha seu marido em viagens, na carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores. Em sua primeira viagem para Nápoles, Clarice trabalha como voluntária de assistente de enfermagem no hospital da Força Expedicionária Brasileira. Também morou na Inglaterra, Estados Unidos e Suíça, sempre acompanhando seu marido".


Em 11 de janeiro de 1944, adotou o nome de casada na carteira de trabalho, Clarice Gurgel Valente. No dia 19, mudou-se, sob licença do A Noite, com o marido para Belém devido a suas funções como vice-cônsul. Por essa época, sem ocupações profissionais, dedicou-se à leitura de escritores que desconhecia, como Jean-Paul Sartre, Rainer Maria Rilke, Marcel Proust, Rosamond Lehmann e Virginia Woolf.

Em 5 de julho, um mês após o fim da Segunda Guerra Mundial, recebeu a notícia de que seu marido seria transferido para o consulado brasileiro na comuna italiana de Nápoles. Em 19 de julho, o casal, após alguns dias no Rio de Janeiro, começou a viagem, parando em uma base norte-americana em Parnamirim, Natal, onde esperariam transporte, que chegaria primeiro a Maury e mais tarde a seus dependentes, no caso Clarice, seguindo as ordens enviadas pelo governo.

Em 30 de julho, embarcou, e no dia seguinte chegou à Libéria, em uma base da força aérea dos Estados Unidos em Fisherman’s Lake. Em 1 de agosto, parou em Bolama, na Guiné portuguesa, e foi para Dakar, no Senegal, onde ingressou em um avião particular que a levou a Lisboa, Portugal.

Em Lisboa, atendeu a um jantar dado pelo poeta e diplomata brasileiro Ribeiro Couto, no qual compareceram o biógrafo João Gaspar Simões, a romancista Maria Archer e a poeta Natércia Freire, com a qual estabeleceria uma longa amizade.

Depois de uma semana e meia, seguiu para Casablanca, Marrocos, e depois para Argel, Argélia, onde hospedou-se na casa de seu sogro, Mozart Gurgel Valente. Em 24 de agosto, chegou à Itália, acompanhada de Mozart e do amigo da família Vasco Leitão da Cunha, onde morou na rua Gianbattista Pergoless. Requisitou às autoridades militares permissão para poder fazer trabalho comunitário em ajuda às enfermeiras em um hospital norte-americano em Nápoles, para onde os casos de guerra mais graves eram enviados. Visitou diariamente o hospital, escrevendo e lendo cartas para os soldados e fazendo o que eles necessitassem. Em 1948 nasceu na Suíça seu primeiro filho, Pedro, e em 1953 nasceu nos Estados Unidos o segundo filho, Paulo. Em 1959 Clarice se separou do marido e retornou ao Rio de Janeiro, com os filhos. Logo começou a trabalhar no Jornal Correio da Manhã, assumindo a coluna Correio Feminino. Em 1960 trabalhou no Diário da Noite com a coluna Só Para Mulheres, e lançou "Laços de Família", livro de contos, que recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Em 1961 publicou "A Maçã no Escuro" pelo qual recebeu o prêmio de melhor livro do ano em 1962.

O post foi formado por trechos transcritos na íntegra, dos sites: 
http://claricelispectorims.com.br/Posts/index/25
http://pt.wikipedia.org/wiki/Clarice_Lispector

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