05/04/2015

Dica de livro: Nos Bastidores da Diplomacia

A segunda dica de hoje é o livro "Nos Bastidores da Diplomacia: Memórias diplomáticas" de Vasco Mariz. 

"Vasco Mariz teve uma carreira diligente que, uma vez encerrada, deu lugar a uma atividade intelectual fértil, trazendo à lembrança a frase no início do Memorial de Aires, de Machado de Assis, “durante meus trinta e tantos anos de diplomacia […] O mais do tempo vivi fora, em várias partes e não foi pouco. Cuidei que não acabaria de me habituar novamente a esta outra vida de cá. Pois acabei”. Vasco apresenta aqui seu “Bastidores da Diplomacia”, que relata em pormenores uma carreira variada e interessante, espelhando a evolução de nossa presença internacional ao longo de cinco décadas. Multiplica uma série de interessantes diálogos e situações que mostram como um diplomata brasileiro, mesmo sem o excedente de poder de que falava Ramiro Saraiva Guerreiro, podia perfeitamente bem exercer suas funções e capturar a atenção de grandes personagens como Bob Kennedy e Itzak Rabin. É importante que fique o relato para o conhecimento dos futuros diplomatas e para os registros diplomáticos de uma experiência que cobre a presença diplomática do Brasil em situações tão diversas quanto a Washington dos Kennedy, a Israel em tempos melhores do que hoje, ao Equador de 1974, à Alemanha da Queda do Muro, às Nações Unidas de 1975, à visita de De Gaulle ao Rio de Janeiro, em 1965, ao Consulado em Nápoles, à Iugoslávia do marechal Tito, onde serviu sob as ordens do grande poeta Ribeiro Couto. Que trajetória! O conselheiro Aires não chegou nem perto. Uma boa parte da época em que Vasco Mariz exerceu seus variados talentos diplomáticos passou-se no Rio de Janeiro. O Brasil tinha, no cenário internacional, uma importância muito menor do que hoje, confinando sua relevância à América Latina. No dizer de Araújo Castro, sempre um mordaz e penetrante comentarista, “política externa dá bolo”. Portanto, os diplomatas preocupavam-se mais com estilo e forma do que com substância. Os critérios de avaliação incluíam ter um bom texto e ser inteligente, as sobretudo davam muito peso à aparência, com muita ênfase no vestuário elegante. A carreira de Vasco Mariz foi diferente: preenchia os critérios acima referidos, mas seguiu um caminho próprio fora do que então se chamava o “circuito Elisabeth Arden”. Aceitou consulados em Nápoles (chegando até a cantar no famoso teatro San Carlo) e Rosário, ou seja, abaixo da prestigiosa curva de nível daquele momento. Mas sempre procurou encontrar nestes postos um ângulo diferente para exercer seu talento e desempenhar bem a missão que lhe cabia no momento. Quando lhe tocou chefiar embaixadas, Vasco Mariz o fez com zelo, atento à importância de construir uma rede de bons relacionamentos locais, suscetível de ser acessada em oportunidade importante para os interesses brasileiros. Vale a pena ler o livro, rico e agradável relato de uma boa carreira diplomática."

Luiz Felipe Lampreia


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