02/04/2015

Entrevista: mães no Itamaraty - Parte I


Esta é a primeira de uma série de entrevistas sobre temas relativos à vida na chancelaria. Decidi iniciar por um assunto que é pertinente senão a todos, à maior parte dos funcionários do Ministério: os filhos. Formulei sete perguntas e enviei a quatro mães, que gentilmente aceitaram o meu convite, cujo objetivo é entender melhor o processo pelo qual as famílias passam quando decidem se ampliar. Espero que as respostas que compartilharemos possam ajudar a outras mulheres que se encontram na mesma situação. Vamos lá, então?

Carolina é Oficial de Chancelaria desde 2009 e foi Assistente de Chancelaria entre 2005 e 2009. Seu marido, Hugo, é Assistente de Chancelaria desde 2005. Ambos serviram em Nouakchott (2011-2013) e Chicago (2014 ate presente). Os dois são pais do lindo Rafael, de dois meses de idade.  


A gente sabia que queria ter filhos desde antes de casarmos. Isso foi uma coisa que direcionou bastante a nossa escolha de postos. Começamos com um posto D, justamente para fazermos o pé de meia que a adição na família exige. Quando saiu nossa remoção para Chicago, uma das coisas que consideramos ao escolher o apartamento foi espaço para um futuro bebê e proximidade com creches.


Assim que descobrimos a gravidez, ainda bem no comecinho, a primeira providência foi encontrar um bom médico. Para isso, usei da experiência de outra colega de posto, que tinha tido um filho aqui um ano antes. Fui para uma obstetra brasileira. Isso significa que não houve (muita) barreira idiomática. Digo que não houve tanta porque 1) a médica já morava aqui há muito tempo e 2) ainda assim tivemos que lidar bastante com enfermeiras e demais profissionais médicos, todos locais. Estamos nos EUA, um país cujo idioma dominamos. Isso faz toda a diferença. O convênio do MRE também funciona de forma diferente aqui, igual aos convênios normais no Brasil. Ou seja, é só chegar, mostrar a carteirinha e a nossa contraparte vem cobrada mais tarde.

Uma coisa que também ajuda demais é conhecer médicos de confiança no Brasil, com quem se possa tirar dúvidas mais específicas. É o meu caso e a minha amiga obstetra no Brasil ouviu muitas perguntas. Sim, eu basicamente fiz o double check de quase tudo com a médica brasileira daqui e a médica brasileira de lá.

O parto foi realizado aqui. Aliás, isso foi um fator levado em consideração na questão posto/gravidez. Isso porque existe um limite da gravidez até quando as companhias aéreas te deixam viajar. Depende da companhia, mas em geral é entre 7 e 8 meses. Se eu quisesse ter o parto em outro país, teria que entrar em licença maternidade até 3 meses antes! Mau negócio. O sistema médico aqui é avançado e pude optar por um parto em um hospital humanizado, com equipe humanizada - coisa que no Brasil seria consideravelmente mais difícil/caro.

A distância da família incomoda como sempre. Sobretudo porque ficamos com menos opções de a quem recorrer. Estando perto da família dá pra pedir socorro/babá gratuita na forma de avós. Nós optamos por passarmos o primeiro mês inteiro sem mais ninguém da família aqui. O Hugo tirou os ridículos 5 dias de licença paternidade e mais as férias de 2014 todas. Com feriados/fins de semana, foi um total de 6 semanas que ele pode estar comigo. Depois disso vieram meus pais por algumas semanas e depois a cunhada. Basicamente, tive ajuda em casa até pouco mais de 2 meses. Mas isso tudo já tinha sido combinado/planejado desde o começo. Se eu tivesse tido uma cesariana, provavelmente teria pedido ajuda dos pais antes.

A ideia é criar os filhos no mesmo estilo de vida que escolhemos para nós: nômades. Pode ser uma experiência muito boa ou muito ruim, depende de como trabalharemos isso com a criança. Acrescento aqui a questão do depois do nascimento. O fator cultural está pesando muito mais agora que a criança já nasceu que durante a gravidez. Não gostamos da pediatra brasileira que nos foi indicada aqui, então estamos com uma americana. Aqui as vacinas não são obrigatórias e o calendário é diferente do Brasil. Conseguimos conversar com a pediatra para incluirmos uma das vacinas que é dada normalmente aqui, mas é dada no Brasil. A outra, não está disponível mesmo aqui. Quando formos ao Brasil em maio, vamos dar essa vacina.

Algumas diferenças: aqui a criança só é vista pelo pediatra a cada 2 meses nos primeiros seis meses de vida - no Brasil, seria pelo menos uma vez por mês. No segundo semestre, duas vezes: aos 9 e aos 12 meses.No Brasil, ainda seria a cada mês ou, no máximo, a cada 2 meses. Entrevistar pediatras antes do nascimento já é importante na nossa própria cultura. Fora é Mais importante ainda!

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