10/04/2015

Entrevista: Mães no Itamaraty - Parte V; Casais no Itamaraty - Parte IV; Primeira remoção - Parte II


Esta é uma série de entrevistas sobre temas relativos à vida na chancelaria. Achei que não poderia de dar o meu próprio relato, já que tantas pessoas estão participando dessa iniciativa. 

Mães no Itamaraty: a primeira entrevista foi com Carolina, que está em Chicago e tem um filho de dois meses. A segunda, foi com Celina, que mora em Montreal e tem um filho de nove meses. A terceira, foi com Vânia, que mora em Lisboa e é mãe de quatro filhas, de 22 a 31 anos.  A quarta, foi com Carolina, que mora em Washington e tem dois filhos, de 03 e 01 anos.

Casais no Itamaraty: entrevistamos dois casais sobre as facilidades e dificuldades do relacionamento dentro do MRE.

Primeira remoção: entrevistamos Tatiana, que está em Madri há um ano.

Elisa, 30 anos, é advogada internacionalista, professora universitária e doutoranda. Trabalhou nas Nações Unidas e no Mercosul. Casada com Felipe, diplomata desde 2012. Vivem em Brasília desde 2009. Não tem filhos, ainda. Estão pensando na primeira remoção. 


Vocês devem estar se perguntando: "Mas o título não é mães no Itamaraty? E vocês não tem filhos?", "E vocês também não são um casal de servidores do MRE?", "Ainda por cima, nunca saíram em remoção?". Sim. Sim. Sim. E sim. Agora o post ficou interessante, não é? Vou falar sobre os três assuntos em uma única postagem. É um desafio pessoal e um desabafo, ao mesmo tempo. Espero que vocês gostem.

Desde criança sempre tive três certezas: não iria ter filhos, não iria me casar e seria diplomata. 



No dia 19 de novembro de 2009, por volta de 19h, no curso JB, conheci o Felipe, que iria colocar todas as certezas da minha vida de cabeça para baixo.

Fomos colegas de sala nesse cursinho preparatório para o concurso de admissão à carreira diplomática (CACD)  mais ou menos um mês, pois logo em seguida me mudei para outro cursinho (Clio). No dia 24 de janeiro de 2010, após a primeira prova do concurso - que foi super difícil, diga-se de passagem-, todos os colegas do JB combinaram de se encontrar no Beirute da Asa Norte. Eu não fiquei sabendo, pois no dia de prova não gosto muito de ficar conversando, prefiro ficar na minha, mas o Tchê me ligou depois da prova e me avisou. A esposa dele estava em Brasília e ele queria nos apresentar. Graças ao Tchê, eu e o Felipe reencontramos naquela noite, conversamos e fomos para um festa no Miauquemia (obrigada pela dica, Xandão, você uniu um casal por causa de uma festa) começamos a nos apaixonar e, logo em seguida, a namorar (resumi a história, muitos detalhes desnecessários ao post). Naquela época éramos somente dois estudantes, com o sonho de nos tornarmos diplomatas.

Após três meses de namoro, o Felipe ganhou uma bolsa de estudos para fazer um mestrado de pouco menos de um ano em Paris. Decidimos prosseguir com o relacionamento mesmo à distância. Na época, eu mal sabia que aquela seria uma primeira experiência de como seria a nossa vida no futuro. Foram oito meses de saudades, discussões e uma certa solidão. Em 2011, o ele retornou à Brasília, no ano seguinte foi aprovado no CACD e iniciou os estudos no Instituto Rio Branco. Em 2012 reconhecemos nossa união estável, em 2013 nos casamos no civil e em 2014, no religioso.

Eu segui estudando para o concurso, mas com o passar do tempo (e ao conhecer mais o Itamaraty e as pessoas que o integram), comecei a ponderar se realmente valeria a pena sermos um casal de diplomatas. Questões como coordenar as duas carreiras, escolher postos em que os dois pudessem exercer suas atividades, competir pela promoção, priorizar um em detrimento do outro, quem cuidaria dos filhos enquanto estivéssemos em missão transitória e o outro tivesse que viajar, ou até mesmo se os dois precisassem viajar ao mesmo tempo a serviço. E a educação dos filhos, seria no Brasil ou no exterior? E a gravidez? Teríamos que ter filhos antes da primeira remoção, durante ou depois? Muitas dúvidas começaram a surgir.

Decidi então conversar com diferentes pessoas (Diplomatas, Oficiais/Assistentes de Chancelaria, seus cônjuges, seus companheiros, seus filhos) e coletar relatos, com a finalidade de me ajudar a conhecer o Ministério e a tomar minhas decisões com base na realidade itamarateca. Foi então que percebi que as dúvidas, angústias e medos eram compartilhados entre a maioria das pessoas. Foi assim que surgiu a ideia de retomar o  blog (que estava parado há algum tempo) e de fazer uma série de entrevistas.

Após muito ponderar, desisti da carreira de diplomata e optei por seguir outros caminhos, que me dariam mais liberdade para me dedicar à família e aos meus estudos, pesquisas e publicações. Algo que me permitisse acompanhar o meu marido pelo mundo. O que é muito criticado, pois algumas pessoas acham que seria contrário ao que prega o feminismo. Eu penso exatamente o oposto. Sou feminista desde o dia que nasci, e acho que a igualdade de direitos engloba poder optar por qualquer carreira e forma de organizar sua vida familiar, desde que conscientemente.

Mas e os filhos? Ainda não temos, estou esperando terminar o doutorado e decidirmos se faremos uma remoção antes, durante ou depois da gravidez. Ou quem sabe adotar no estilo Brangelina? Talvez um posto C ou D para começar, como fizeram a Carolina e a Celina. Talvez ir direto para um posto A ou B como a Tati. Não sabemos ainda. O que temos certeza é que educaremos nossos filhos como brasileirinhos que serão, falando Português, amando o Brasil, comendo feijoada, brigadeiro e acarajé. Mas também queremos inseri-los nessa vida cosmopolita e nômade, falando Inglês, Francês, Espanhol... Enfim, é um desafio futuro e um exercício de imaginação.

Como eu disse no início do post, "Desde criança sempre tive três certezas: não iria ter filhos, não iria me casar e seria diplomata". Hoje, minha única certeza é que quero estar ao lado do meu marido em qualquer lugar do mundo e que seguirei uma carreira que me faça feliz, seja ela qual for. E os filhos... o futuro nos aguarda.

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