10/04/2015

Entrevista: Primeira remoção - Parte I



Tatiana, 29 anos, é servidora pública federal, casada com Leonardo, diplomata desde 2011. Vivem em Madri, Espanha, desde 2014. 


1) A decisão do país da primeira remoção foi uma escolha fácil? 
Eu diria que no geral foi fácil. Já tínhamos Madri como nossa primeira opção de posto na Europa. Os passos seguintes foram buscar informações sobre vagas no posto e verificar com os setores competentes do MRE a possibilidade dessa remoção. 

2) O processo de mudança de país e de acomodação em uma nova cidade lhe pareceu desafiador? Por que? Quais foram as maiores dificuldades?
Acredito que Madri não oferece nenhum desafio aos brasileiros (diplomáticos e familiares) que vivem aqui. A fase de adaptação praticamente não existe. A cidade oferece boa mobilidade urbana, agenda cultural ativa, idioma de fácil entendimento, ótimos supermercados, serviços públicos de qualidade, bons restaurantes, etc. Apenas não recomendo que programem a chegada no verão, especialmente, no mês de agosto; porque muitas mobiliárias entram de férias e para buscar apartamento fica complicado.  

3) Há quanto tempo vocês estão no país? Houve choque cultural?
Completamos 1 ano de posto. Em geral, os espanhóis são ativos, gostam da vida noturna e são comunicativos. Por isso, penso que somos parecidos. Há quem diga que são arrogantes e mal educados, mas eu nunca fui tratada dessa maneira ou não me incomodei até hoje com nada. Outra questão é a cultura da siesta, que é muito forte em Madri (pensava que fosse mais presente no interior da Espanha). Eu achava que esse hábito mais atrapalhava do que ajudava, mas vimos que é muito agradável e já incorporamos a nossa rotina. 

4) Você teria algo mais que gostaria de acrescentar?
Acho importante dizer que o processo de remoção, além de ser administrativamente demorado, exige muita paciência por parte dos cônjuges. Nosso papel parece ser simples, mas não é. Temos que ter uma base emocional forte e a certeza de que queremos enfrentar a distância dos nossos familiares e do nosso país. Mesmo que seja por tempo determinado, uma mudança dessa magnitude deve ser analisada com cuidado. Tivemos muita sorte aqui, em se tratando de primeiro posto, mas isso não significa que será sempre assim. Há pessoas que ainda não estão preparadas para isso e têm a ilusão de que a vida no exterior é sempre melhor. Nem sempre é possível viajar antes ao posto pretendido com a família, mas se for viável, recomendo que o façam.

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