31/05/2015

A Torre de Babel - Parte II

Clique para ampliar a imagem. Infográfico: Wikipedia.

Família linguística


"Uma família linguística é um grupo de línguas rigorosamente identificado e é uma unidade filogenética, isto é, todos os seus membros derivam de um ancestral comum. Este ancestral é geralmente muito pouco conhecido, uma vez que a maior parte das línguas tem uma história escrita muito reduzida. Apesar disso, é possível recuperar muitas das suas características aplicando o método comparativo - um procedimento reconstrutivo desenvolvido no século XIX pelo linguista August Schleicher. Isto pode demonstrar a validade de muitas das famílias propostas listadas abaixo.

As famílias podem ser divididas em unidades filogenéticas menores, referidas convencionalmente como ramos da família, porque a história de uma família linguística é muitas vezes representada por um diagrama em árvore. Contudo, o termo "família" não se restringe a nenhum nível desta "árvore"; a família germânica, por exemplo, é um ramo da família indo-europeia. Alguns taxonomistas restringem o termo "família" até certo nível, mas há pouco consenso acerca de como o fazer. Aqueles que o fazem normalmente também subdividem os ramos em grupos e os grupos em sub-grupos, etc. Além disso também agregam famílias em filos (também conhecidos como superfamílias). As super famílias são frequentemente usadas para agregar as famílias de línguas índias americanas. Um modo de fazer toda esta classificação é chamado glotocronologia.

O ancestral comum de uma família é conhecido como proto-língua. Por exemplo, a proto-língua reconstituível da bem conhecida família indo-europeia é chamada proto-indo-europeu. Esta língua não é conhecida a partir de registos escritos, uma vez que era falada antes da invenção da escrita, mas por vezes uma proto-língua pode ser assemelhada a uma língua histórica conhecida. Deste modo, dialectos provinciais do latim (o chamado latim vulgar) deram origem às línguas latinas, o que faz com que a língua ancestral às línguas latinas fosse bastante semelhante ao latim (embora menos semelhante ao latim literário dos escritores clássicos); do mesmo modo, os dialectos do nórdico antigo são considerados a proto-língua do norueguês, do sueco, do dinamarquês, do faroês e do islândico.

As línguas que não podem ser fiavelmente classificadas em nenhuma família são conhecidas como línguas isoladas. Uma língua isolada no seu próprio ramo dentro de uma família, como o grego dentro da família indo-europeia, é normalmente chamada também de língua isolada mas casos como estes são usualmente clarificados. Por exemplo, o grego pode ser considerado uma língua indo-europeia isolada.

Segundo os números do ethnologue.com as maiores famílias linguísticas, em termos de número de línguas, são:

  • Nigero-congolesa (1514 línguas)
  • Austronésia (1268 línguas)
  • Trans-Nova Guineense (564 línguas) 
  • Indo-europeia (449 línguas)
  • Sino-tibetana (403 línguas)
  • Afro-asiática (375 línguas)
  • Nilo-saariana (204 línguas)
  • Pama-nyungan (178 línguas)
  • Oto-manguea (174 línguas) 
  • Austro-asiática (169 línguas)
  • Sepik-ramu (100 línguas) 
  • Tai-kadai (76 línguas)
  • Tupi-Guarani (76 línguas) 
  • Dravídica (73 línguas)
  • Maia (69 línguas)" Wikipedia.

Segundo o ethnologue.com, a distribuição de línguas pelo mundo, por área de origem é a seguinte:


Fonte:ethnologue.com/statistics

Ele também elenca as línguas com ao menos 50 milhões de falantes, como primeiro idioma.

Fonte:ethnologue.com/statistics

O site também apresenta as maiores famílias linguísticas do mundo (veja tabela abaixo - clique na imagem para ampliar) e também lista as demais famílias, de menor expressão, AQUI. Um dado bem interessante, é a divisão de línguas por país, apresentada  AQUI.

Fonte:ethnologue.com/statistics/family
(clique na imagem para ampliar).

Mais informações no próximo post da série "A Torre de Babel".


Diplomacia influenciando a música

Dois grupos de músicos que tiveram seus nomes inspirados na diplomacia. Para diverti-los neste domingo. 







Capas de Sertanejos em:
http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Cultura/fotos/2014/01/veja-fotos-das-mais-bizarras-capas-de-discos-sertanejos-parte-2.html

30/05/2015

29/05/2015

Cooperação Internacional: pedidos de cooperação passiva em matéria civil

As cartas rogatórias e os demais pedidos de cooperação objetivando cumprimento no Brasil, especialmente o auxílio direto, podem receber tratamentos diferenciados, dependendo da natureza da diligência que demandarem.

A carta rogatória, em síntese, é a solicitação proveniente de um juízo estrangeiro para a realização de alguma diligência processual – como a comunicação de atos processuais, a coleta de prova e pedidos de penhora de bens – em juízo não nacional. Como as cartas rogatórias demandam a atuação do Poder Judiciário no Brasil, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) é responsável pela concessão do exequatur, ou seja, a ordem que permite que a medida processual rogada seja cumprida.

O auxílio direto, por sua vez, configura um pedido que, por sua natureza administrativa ou pelo fato de buscar uma decisão judicial brasileira relativa a litígio que tem lugar em Estado estrangeiro, não necessita do juízo de delibação do STJ.

Interessante notar que, por vezes, um pedido revestido sob a denominação de carta rogatória não solicita diligência que requeira o exequatur do STJ, configurando, desse modo, uma solicitação de auxílio direto. Nesses casos, cabe à Autoridade Central identificar a natureza do pedido, procedendo a seu devido encaminhamento como auxílio direto.

Como se verá adiante, o procedimento de tramitação interno do pedido de cooperação jurídica internacional varia de acordo com a existência ou não de tratado que o regulamente. Na ausência de tratado, a tramitação ocorre por via diplomática.

O trâmite dos pedidos por via diplomática é descrito no Código de Processo Penal brasileiro, no artigo 783, que afirma que as “cartas rogatórias serão, pelo respectivo juiz, remetidas ao Ministério da Justiça, a fim de ser atendido seu cumprimento, por via diplomática, às autoridades estrangeiras competentes”.

O Ministério da Justiça atua, nesse caso, no exercício das funções de Autoridade Central na cooperação jurídica internacional. Por força do Decreto nº 6.061, de 15 de março de 2007, cabe ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, órgão da Secretaria Nacional de Justiça, exercer essas funções dentro do Ministério da Justiça.

Ressalte-se que, não obstante estar prevista em norma processual penal, essa regra aplica-se, historicamente, em caráter costumeiro, aos pedidos de cooperação de toda e qualquer matéria.

Carta Rogatória

O Código de Processo Civil brasileiro, no artigo 210, determina que, na ausência de tratado que disponha de modo diverso, as cartas rogatórias devem tramitar por via diplomática.

Esse dispositivo delineia, portanto, duas possibilidades para o procedimento da cooperação jurídica internacional passiva de cartas rogatórias no Brasil: a cooperação baseada em tratado e a cooperação por via diplomática.

Carta Rogatória baseada em tratado



 Os tratados mais recentes sobre cooperação jurídica internacional celebrados pelo Brasil possibilitam a comunicação direta entre Autoridades Centrais.

Nesse caso, a carta rogatória proveniente da Autoridade Central do Estado requerente é recebida pela Autoridade Central brasileira, que analisa a documentação para verificar se todos os requisitos formais determinados pelo acordo internacional estão presentes ou não.

Em caso negativo, a Autoridade Central brasileira encaminha a informação sobre a inadequação da carta rogatória à Autoridade Central do Estado requerente para que complemente o pedido com a documentação necessária.

Em caso positivo, por configurar pedido de cooperação de natureza jurisdicional, a carta rogatória é encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça para eventual concessão de exequatur. Nesse caso, o STJ analisa se há ofensa à ordem pública nacional.

Não sendo concedido o exequatur, a Autoridade Central brasileira informará o Estado requerente sobre os termos da decisão do STJ.

Sendo concedido o exequatur, o STJ encaminha a carta rogatória ao Juiz Federal de 1ª instância competente para sua execução, de acordo com o critério de competência territorial. Após a realização das diligências, o Juízo Federal devolve o pedido ao STJ, que finaliza os procedimentos internos e encaminha a carta rogatória à Autoridade Central brasileira. Recebida a informação referente ao cumprimento da carta rogatória, a Autoridade Central brasileira encaminha a respectiva documentação à Autoridade Central do Estado requerente.

 As cartas rogatórias tramitadas pela Autoridade Central brasileira são isentas de custos administrativos e judiciais ordinários, caso esteja previsto o mesmo tratamento aos pedidos de cooperação brasileiros em sede de tratado ou com base em reciprocidade.

Carta Rogatória tramitada por via diplomática



Inexistindo tratado que preveja a comunicação direta entre Autoridades Centrais, a carta rogatória é recebida pelo Ministério de Relações Exteriores, que a encaminha ao Ministério da Justiça para análise da documentação, e posterior envio ao Superior Tribunal de Justiça.

O Superior Tribunal de Justiça realiza análise e dá encaminhamento ao pedido semelhante ao previsto na carta rogatória baseada por tratado.

Recebida a informação do Superior Tribunal de Justiça, referente ao cumprimento ou não da carta rogatória, o Ministério da Justiça devolve-a ao Ministério das Relações Exteriores, que a restitui pelos meios diplomáticos.

Auxílio Direto

O auxílio direto consubstancia-se na realização de uma diligência de natureza administrativa no Brasil ou na busca de prolação de uma decisão judicial brasileira relativa a litígio que tem lugar em Estado estrangeiro.

Nesse último caso, não se trata de reconhecimento e execução de uma decisão judicial estrangeira no Brasil, mas da obtenção de uma decisão judicial genuinamente brasileira. É utilizado mediante previsão em tratado ou por compromisso de reciprocidade e usado apenas na cooperação desenvolvida entre Autoridades Centrais.

Pode-se traçar o procedimento do auxílio direto em matéria civil da seguinte forma: ao receber o pedido de cooperação proveniente do Estado requerente, a Autoridade Central brasileira analisa a documentação para saber se todos os requisitos formais estão presentes.

Em caso negativo, a Autoridade Central brasileira encaminha a informação sobre a inadequação do pedido de cooperação à Autoridade Central do Estado requerente, para que complemente o pedido com a documentação necessária.

Em caso positivo, existem duas possibilidades, descritas abaixo, dependendo da natureza do pedido.

Auxílio direto por via judicial


Se o pedido envolver cooperação judicial, a Autoridade Central brasileira fará o encaminhamento de sua documentação à Advocacia-Geral da União (AGU) . A AGU formulará a pretensão e exercerá a representação judicial no caso, para buscar a obtenção da necessária decisão judicial junto ao Juiz Federal de 1ª instância competente.

Recebida a informação referente ao cumprimento do pedido de cooperação, a Autoridade Central brasileira encaminha os respectivos documentos à Autoridade Central do Estado requerente. 

Auxílio direto por via administrativa


Se o pedido tratar de cooperação de natureza administrativa, ou seja, de caso em que a lei não aponte nenhuma reserva jurisdicional, podem ocorrer duas situações:

1. havendo um órgão administrativo competente diverso da Autoridade Central para o atendimento do pedido de auxílio, o pedido é enviado a esse pela Autoridade Central, para cumprimento; e

2. não havendo um órgão administrativo competente diverso da Autoridade Central para o atendimento do pedido, esse é cumprido pela própria Autoridade Central (nos casos de pedido de informação sobre localização de pessoas, por exemplo, quando é possível obtê-lo nos bancos de dados aos quais a Autoridade Central tem acesso).

Em qualquer dessas hipóteses, assim que executado o pedido de cooperação, a Autoridade Central brasileira envia sua resposta à Autoridade Central do Estado requerente.

Os pedidos de cooperação executados por meio de auxílio direto são isentos de custos administrativos e judiciais ordinários, caso esteja previsto o mesmo tratamento aos pedidos de cooperação brasileiros em sede de tratado ou com base em reciprocidade.

Brasileiros em missões de paz


Mais de 1,6 mil militares brasileiros trabalham em missões de paz sob a liderança da ONU e da OEA. Nesta sexta-feira, dia internacional dos peacekeepers, os militares que participam de missões de paz da ONU serão homenageados em cerimônia no Comando Militar do Planalto.

Saiba mais aqui:

Feliz dia dos Peacekeepers!


Jantar temático: Paraguaio

Mais uma dica de jantar temático, para reunir os amigos.

Entrada: Chipa Paraguaia
Prato: Sopa Paraguaia
Bebida: Terere








27/05/2015

Festa à fantasia dos alunos do IRBr 2015

Sou muito suspeita para falar de festas à fantasia, pois é o meu gênero favorito de festa. Mas não poderia deixar de elogiar a mega fantástica organização da festa dos alunos do Instituto Rio Branco deste ano. Ela teve oito horas de duração, duas pistas com DJs sensacionais, concurso das melhores e piores fantasias, participação especial de uma Drag Queen que animou a festa, open bar, pipoca doce e salgada e doces!  Como eu havia dito em outro post, já fui em várias edições dessa tradicional festa, mas o "de Hollywood a Bollywood" e o "do lounge à laje" estão competindo pela melhor festa que já fui. O detalhe que diferencia as duas é que neste ano não tínhamos open food, como nos anteriores, pois aderiu-se à moda do food truck. Quem está curioso para ver o resultado dos esforços dos alunos da turma de 2013 do IRBr, acesse  facebook.com/festaafantasia.irbr ou instagram.com/festaafantasia.irbr. A fotógrafa da festa disse que as fotos estariam lá (ainda não sei a partir de que dia). Ah! E as nossas fantasias foram Princesa Leia e Darth Vader. Ok, eles são parentes, mas festa é festa... tudo fica na brincadeira.



Direito dos homossexuais ao redor do mundo - Parte I


No mês em que a Irlanda aprovou por referendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo, resolvi começar mais uma série de posts no blog. O primeiro passo foi o post sobre o Itamaraty na vanguarda dos direitos LGBTI (me disseram que essa não é mais a sigla, alguém, por favor, poderia me atualizar?).  Abaixo, está um infográfico do El País publicado no dia 24 de maio. Aos poucos, vamos falar de diversos países. Para ampliar, basta clicar na imagem.



Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/21/internacional/1432230538_572904.html

No site  http://ilga.org/?lang=pt-br exite um mapa interativo com legislações nacionais por tema. E o relatório de Direitos de Gays e Lésbicas no Mundo (2013) está disponível em português AQUI.

Essas informações todas são da ILGA, que é uma rede mundial integrando organizações nacionais e locais dedicadas a conquistar direitos iguais para lésbicas, gays, pessoas trans, bissexuais e intersexo (LGBTI) gente de toda parte. Fundada em 1978, a ILGA goza de status consultivo nas Nações Unidas onde fala e faz lobby em nome de 1005  organizações-membros.

Para mais informações sobre a ILGA, envie seu e-mail para information@ilga.org ou visite o nosso site www.ilga.org. Para tornar-se membro e/ou apoiar o nosso trabalho fazendo uma doação, envie seu e-mail para membership@ilga.org.


Sites para expats - Parte II



Continuando a nossa lista de sites para expats (expatriados) temos três que me pareceram muito interessantes, e todos eles têm Twitter, o que ajuda a acompanhar as novidades.





E agora um extra para as mulheres:




26/05/2015

Regras de Etiqueta - Parte V: Cardápios para eventos

Mais um post sobre etiqueta e cerimonial, que retirei do site www.boasmaneiras.com. Uma dúvida que sempre temos ao receber é o que servir. Eu gosto de fazer jantares informais temáticos (japonês, árabe, baiano, chinês, italiano, francês ...), o que facilita muito na hora de definir o cardápio e acaba sendo divertido para mim e para os convidados, mas em eventos formais (ainda não fiz nenhum, graças a Deus) eu não saberia como organizar o cardápio. Então, resolvi compartilhar com vocês este guia com sugestões de cardápios para eventos. Retirei algumas coisas que não gostei, mas acabei deixando outras... enfim, vale como um primeiro passo rumo a um cardápio de iniciante, que sou.

Foto: ComCerva

Tipos de alimentos classificados por seções:

  1. Aperitivo: azeitonas, canapês, talos de aipo, biscoitos salgados, amendoim torrado, castanha de cajú, cubinhos de queijo, camarão frito, frios em cubos.
  2. Tira Gosto: quiches, empadas, sanduíches, quibe, bolinho de bacalhau, bolinho de camarão.
  3. Entradas: frios sortidos, mousses salgados, ostras, coquetel de camarão, coquetel de lagosta, casquinhas de siri, saladas de maionese, melão com presunto, caviar.
  4. Sopas: caldo frio, quente, cremes de legumes, creme de tomate, creme de ervilha, creme de ervilha com bacon.
  5. 1º Prato: peixe, bacalhau, camarão, escabeche, lagosta, mariscos, siri, codornas, frango, pato, peru, strogonoff de frango.
  6. 2º Prato: carne assada, rosbife, grelhados, vitela, bifes empanados, strogonoff de carne, pernil, bistecas, lombinho de porco, coelho, presunto, carneiro.
  7. Guarnições: arroz, batata, farofa, polenta, frituras, refogados, legumes, saladas cozidas, saladas cruas, banana frita, ameixa seca, batata frita.
  8. Sobremesas: frutas, cremes de frutas, sorvete, gelatina, compotas, mousse doce, pudim, bolo, torta, etc.

Sugestões de composição

Com base na lista acima, você pode programar seus eventos com base nas seguintes sugestões:

Almoço ao Ar Livre: 1 – 6 – 8
Almoço Formal: 1 – 3 – 5 – 6 – 8
Almoço Informal: 4 – 5 – 8 ou 3 – 6 – 9 ou 1 – prato único - 8
Buffet: 2 – 3 – 5 – prato único - 8
Ceia: 4 – 2 ou 5 – 9 ou 4 – 3 – 8 ou 6 – 8
Chopada com Amigos: 1 – 2
Coquetel Simples: 1
Coquetel Semi-Formal: 2 – 3
Coquetel Formal: 2 – 3 – 5 – 6 – 8
Jantar Simples: 1 – 3 – 6 – 8
Jantar Semi-Formal: 1 – 3 – 4 – 5 – 6 – 8 ou 1 – 3 – 4 – 5 – 8
Jantar Formal: 1- 3 – 4 – 5 – 6 – 8

Na dúvida, vá sempre por esta sequência de pratos: Sopa - Peixe - Carne - Guarnições e Salada - Queijos - Doces - Frutas - Licor - Café.


25/05/2015

O outro lado da moeda: a diplomacia e a numismática

O outro lado da moeda: a diplomacia e a numismática

Autor: Bruno Quadros e Quadros, diplomata e numismata. 
Artigo originalmente publicado na Revista JUCA nº 7.

Muito mais que um passatempo, a numismática é uma ciência com múltiplas implicações para a diplomacia. O conhecimento de cédulas e moedas pode auxiliar o diplomata no seu cotidiano e, frequentemente, servir como instrumento de política externa.


Imagem: numismaticasabrylambo.it/
A dimensão mais conhecida da numismática - o colecionismo de moedas e de cédulas - representa, para alguns, uma excentricidade aristocrática, enquanto, para outros, é uma atividade educacional e recreativa. No entanto, a numismática envolve diversos outros aspectos: serve como ciência auxiliar da História e reúne o conhecimento das tecnologias de fabricação de dinheiro e de prevenção de falsificações. Independentemente dessas diferentes perspectivas, o estudo das cédulas e das moedas permite perceber como a história de um país é tratada e que personagens e eventos são privilegiados em detrimento de outros. Por isso, é o campo singular para se observar a hierarquização da história e da iconografia nacionais pelo poder político em determinada época.

Que relação têm a diplomacia e uma singela moeda de cinquenta centavos? Como a numismática serve ao trabalho do diplomata? Quantas considerações diplomáticas estão envolvidas em um contrato de exportação de cédulas da Casa da Moeda? Nesse contexto, o artigo aborda a relação entre diplomacia e numismática na vertente iconográfica (os diplomatas no dinheiro brasileiro), profissional (a funcionalidade da numismática no trabalho diplomático) e comercial e de cooperação (a exportação de dinheiro pela Casa da Moeda).

1. A diplomacia em moedas e em cédulas brasileiras


A representação de diplomatas e de eventos diplomáticos é farta na numismática brasileira, a começar pelo Barão do Rio Branco. O Patrono da diplomacia brasileira é presença garantida em moedas e cédulas do país há cem anos e acompanha as diversas mudanças de moeda sofridas pelo Brasil durante o século XX.

A primeira aparição de José Maria Paranhos da Silva Júnior no anverso das cédulas brasileiras ocorreu em 1913, um ano após sua morte. Foi na 14a. estampa da nota de 5 mil réis, produzida pela American Bank Note Company, empresa sediada em Nova Iorque. O reverso da cédula faz referência à indústria e ao comércio do país.

Quando se percebeu que o "mito" do Barão seria duradouro, o diplomata passou a figurar na 19a. estampa das notas de 5 mil réis que foram impressas em 1924, 1936 e 1942, também pela American Bank Note Company. Exemplares dessa cédula em perfeito estado de conservação (denominado "flor de estampa" pelos numismatas) chegam a valer quase quinhentos reais no mercado.

Com a reforma monetária que introduziu o Cruzeiro, em 1942, a nota de 5 mil réis com o Barão foi carimbada para 5 cruzeiros, eliminando-se os três zeros. Também impressa nos Estados Unidos, a primeira estampa da cédula própria de 5 cruzeiros circulou entre 1944 e 1967. Enquanto Rio Branco permanecia no anverso, a nota trouxe como inovação o reverso, que passou a retratar o quadro "A Conquista do Amazonas", de Antônio da Silva Parreiras. A cédula circularia com a segunda estampa a partir de 1950, dessa vez impressa pela empresa britânica Thomas de La Rue & Company, com as mesmas ilustrações, mas com novo esquema de cores, mais próximo do marrom.

Na segunda família de cédulas do Cruzeiro, reintroduzido como moeda nacional em 1970, o Barão foi transferido para a nota de mil cruzeiros, que foi impressa pela Casa da Moeda do Brasil (CMB) e circulou entre 1978 e 1989. Tendo no reverso o tema da delimitação das fronteiras, com a reprodução do taqueômetro usado na Questão de Palmas , essa nota foi inspirada nas cartas de baralho, possibilitando a mesma leitura para onde se virar a nota. Foi a partir dela que entrou na linguagem popular a expressão "barão" para designar o número mil em valores monetários. No meio numismático, é conhecida como "cabeção", devido à protuberância da fronte do Barão.

Após quase uma década "fora de circulação", o Barão tornou a fazer parte do dinheiro brasileiro na segunda família de moedas do Plano Real, introduzida em 1998. Uma vez que as cédulas passaram a tematizar a fauna, as moedas trazem próceres brasileiros. Os homenageados incluem Álvares Cabral, Tiradentes, D. Pedro I, Deodoro da Fonseca e o Barão, que figura no anverso da moeda de 50 centavos, ladeado pelo mapa do Brasil, em alusão à sua contribuição para a consolidação das fronteiras. De 1998 a 2001, foi cunhada em cuproníquel. De 2002 até hoje, passou a ser de aço inoxidável. Foram produzidos mais de dois bilhões dessas moedas.

Além do Barão, Rui Barbosa é outro brasileiro homenageado em moedas por sua atuação diplomática. O jurista baiano figura na moeda de 20 centavos de cruzeiro, que foi cunhada entre 1948 e 1956. Rui e a II Conferência de Paz de Haia (1907) estão presentes nas cédulas brasileiras de 10 mil cruzeiros, que circulou entre 1984 e 1990, e na de dez cruzados, que circulou entre 1986-1990, ambas impressas pela CMB. No anverso, percebe-se Rui Barbosa à direita de sua mesa de trabalho; no reverso, o “Águia de Haia” aparece discursando no plenário da Conferência. 

Em 1992, foi lançada, no valor de 2 mil cruzeiros, a moeda comemorativa referente à Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD ou Eco-1992), realizada no Rio de Janeiro naquele ano. Cunhada em prata, tem um beija-flor retratado no reverso. Esse é mais um exemplo em que a Numismática acompanhou as transformações da política externa brasileira, justamente na Conferência que marcou a abertura e o fortalecimento do engajamento do Brasil no multilateralismo e na proteção do meio ambiente.

2. Diplomatas numismatas
Imagem: veronaeconomia.it


Além de retratar diplomatas, a numismática relaciona-se com o cotidiano desses profissionais. Mas em que medida a atividade numismática auxilia o trabalho do diplomata? De acordo com o Embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, numismata com especial interesse em moedas coloniais portuguesas, ela proporciona o conhecimento, por um lado, da realidade e da história dos países e, por outro, da estética artística de determinada época. A compreensão da história de Porto Rico, por exemplo, pode ser percebida na relação dos locais com a moeda. O oficial de chancelaria Luís Augusto Galante, que é doutor em História e consultor numismático, observou a preservação da memória monetária espanhola em sua estada em San Juan, devido ao fato de os portorriquenhos se referirem ao dólar norte-americano como "peso" e à moeda de 25 centavos de dólar ("quarter") como "peseta". No que se refere à estética artística, as dobras e os dobrões cunhados durante o reinado de D. João V, na primeira metade do século XVIII, são exemplares formidáveis do estilo barroco que predominava em Portugal àquela época.

Segundo o Embaixador Paulo Cordeiro, o olhar numismático atento permite a compreensão dos códigos de cada sociedade, os quais frequentemente não são evidentes em fontes tradicionais de informação (discursos e imprensa). A política para as minorias da China, por exemplo, pode ser percebida pela presença das traduções em mongol, tibetano, uigur e zhuang em todas as notas de renminbi. Por meio dessas cédulas, o Governo chinês transmite a política oficial de respeito à diversidade étnica, linguística e religiosa existente no país.

Além disso, a numismática serve como mecanismo facilitador do diálogo. O Embaixador Cordeiro relata ocasião em que uma autoridade iraniana supunha que seu homólogo brasileiro pouco conhecia sobre o país persa e sua sociedade. Ao perceber o clima de suspeição, Cordeiro apresentou ao seu interlocutor um toman, moeda de ouro cunhada durante o reinado de Fath-Ali Shah, Xá da Dinastia Qajar que governou a Pérsia entre o final do século XVIII e meados do século XIX. O ato contribuiu para dissipar as eventuais desconfianças, e a autoridade iraniana embarcou em frutuoso diálogo.

A diplomacia também tem o papel de recuperar os tesouros nacionais numismáticos. Em 1986, quando trabalhava na Delegação do Brasil em Genebra, o Embaixador Cordeiro foi testemunha do trabalho do então Embaixador Paulo Nogueira Batista, que, instruído por despacho da Secretaria de Estado, atuou em leilão de moedas coloniais portuguesas organizado pela Sotheby’s. As instruções específicas do Itamaraty, a pedido do Banco Central do Brasil, referiam-se à aquisição de cinco moedas cunhadas na Bahia entre 1715 e 1816, as quais faltavam no acervo numismático do BACEN. O Banco de Portugal também estava na disputa, interessado nas mesmas moedas. No fim, foi possível arrematar duas peças: uma moeda de 6.400 réis, cunhada em ouro, em 1734, pelo valor de 130 mil francos suíços (mais de R$ 300 mil em valores atuais), a qual era a prioridade do Banco Central; e outra de 4 mil réis, cunhada em ouro, em 1816, pelo valor de 1.400 francos suíços.

Imagem: wikimedia

3. Exportação de dinheiro pela Casa da Moeda


A exportação de dinheiro é outra dimensão do vínculo entre diplomacia e numismática. Quando realizada em base comercial, essa exportação revela um forte laço de confiança dos países compradores com o país exportador. Já quando o dinheiro é fabricado sem ônus para países que têm dificuldades momentâneas em produzi-lo, torna-se importante instrumento de cooperação bilateral.
Criada em 1694, a Casa da Moeda do Brasil (CMB) tem um longo histórico de exportação de moedas e cédulas, que remonta ao período colonial, quando cunhou macutas para as colônias portuguesas na África, a partir de 1813. No século XX, a Casa da Moeda exportou notas para diversos países, como Bolívia, Venezuela, Peru, Costa Rica e Equador, e transformou-se em referência internacional na fabricação de dinheiro. Esse processo foi interrompido, contudo, no final da década de 1980, devido ao excesso de demanda por meio circulante no Brasil e à obsolescência tecnológica do equipamento da CMB àquela época.

Após receber importantes investimentos na modernização do maquinário e na ampliação da produção, a Casa da Moeda retornou, recentemente, ao mercado internacional. Nos últimos anos, a CMB fechou contratos de fornecimento com autoridades monetárias de países como Paraguai, Venezuela, Argentina e Haiti. Para o Paraguai, a Casa da Moeda imprimiu mais de 40 milhões de cédulas de 5 mil e de 10 mil guaranis.

Firmado em 2010, o contrato com a Argentina envolveu a impressão de 140 milhões de cédulas de 100 pesos, a fim de auxiliar no suprimento de papel-moeda para o mercado argentino. Aeronaves da Força Aérea Argentina foram enviadas ao Rio de Janeiro, em janeiro de 2011, para fazer o transporte das cédulas até o país vizinho.

No caso do Haiti, não se trata de contrato de venda, mas sim de doação, inserida na ajuda humanitária brasileira prestada ao país caribenho após o terremoto de 2010. A Lei 12.409 autorizou a CMB a doar 100 milhões de cédulas ao Haiti, o que representa um auxílio de quase R$ 5 milhões àquele país. O transporte do dinheiro também coube à CMB: em novembro de 2013, um navio fretado chegou a Porto Príncipe, com 47,4 milhões de cédulas de 20 gourdes, acondicionadas em um esquema especial de segurança. Essas notas já contam com os elementos de segurança presentes nas cédulas da segunda família do Real, como a banda holográfica.

Conclusão


Pensar a numismática como mero passatempo desvinculado da realidade é ignorar a riqueza das relações entre ela e a diplomacia. Os detalhes que constam nas moedas e nas cédulas são fruto de decisões políticas, pensadas com o objetivo de transmitir à população a narrativa histórica e/ou a percepção da realidade preferidas pelo poder político. Nesse sentido, a permanência quase ininterrupta do Barão no dinheiro brasileiro nos últimos cem anos demonstra o prestígio que ele e seu legado possuem na sociedade brasileira, principalmente devido à consolidação das fronteiras nacionais.

A numismática também é um valioso instrumento que auxilia o diplomata na compreensão de outras realidades e na facilitação do diálogo. Permite-lhe analisar a relação das sociedades estrangeiras com o seu passado, bem como as mensagens do poder político local em temas como desenvolvimento, meio ambiente e cultura. 

Por fim, a fabricação de dinheiro pode servir como mecanismo de política externa e de cooperação, cujo maior exemplo é a impressão gratuita da moeda haitiana, a fim de abastecer o mercado do país caribenho. Nesse sentido, a expertise numismática da Casa da Moeda é um dos recursos à disposição da diplomacia brasileira para aprofundar as relações com os demais países emergentes.

Direito Internacional: Deportação x Expulsão x Extradição x Repatriação

Vamos dando seguimento nos temas relativos a Direito Internacional aqui no blog. Já falamos de Refúgio no Brasil e agora vamos ver as diferenças entre algumas medidas compulsórias (Deportação, Expulsão  e Extradição) e a  Repatriação. Isso será importante para podermos falar sobre temas atuais em posts futuros. As definições abaixo são do MJ.

Medidas Compulsórias

O Estatuto do Estrangeiro prevê três distintos institutos, de diferentes características, razões e modalidades, para regular a retirada compulsória do estrangeiro do País: deportação, expulsão e extradição.

Foto: viajandodireito.com.br

Deportação

A deportação será aplicada nas hipóteses de entrada ou estada irregular de estrangeiros no território nacional. É de providência imediata do Departamento de Polícia Federal e consiste na retirada do estrangeiro que desatender à notificação prévia de deixar o País. A deportação não impede o retorno do estrangeiro no território nacional, desde que o Tesouro Nacional seja ressarcido das despesas efetuadas com a medida, satisfeita, ainda, o recolhimento de eventual multa imposta.

Expulsão

Expulsão é a retirada compulsória de um estrangeiro do território nacional motivada pela prática de um crime que tenha cometido no Brasil ou por conduta incompatível com os interesses nacionais. Uma vez expulso, o estrangeiro está impedido de retornar ao nosso país, incidindo na sanção do artigo 338 do Código Penal, exceto se for revogada a Portaria que determinou a medida. A expulsão, via de regra, ocorre quando um estrangeiro comete um crime no Brasil e é condenado por sentença transitada em julgado. O Processo administrativo para fins de expulsão está regularizado pela Lei n.º 6.815, de 1980.

Extradição

A extradição é um ato de cooperação internacional que consiste na entrega de uma pessoa, acusada ou condenada por um ou mais crimes, ao país que a reclama. A extradição pode ser analisada a partir de dois pontos de vista distintos: a extradição ativa, quando o Governo brasileiro requer a extradição de um foragido da justiça brasileira a outro país, e a extradição passiva, quando um determinado país solicita a extradição de um indivíduo foragido que se encontra em território brasileiro.  O pedido de extradição não se limita aos países com os quais o Brasil possui Tratado. Ele poderá ser requerido por qualquer país e para qualquer país. Quando não houver Tratado, o pedido será instruído com os documentos previstos na Lei 6.815, de 19 de agosto de 1980 (Estatuto do Estrangeiro) e deverá ser solicitada com base na promessa de reciprocidade de tratamento para casos análogos.

Repatriação

Ocorre quando o clandestino é impedido de ingressar em território nacional pela fiscalização fronteiriça e aeroportuária brasileira. A repatriação ocorre a expensas da transportadora ou da pessoa responsável pelo transporte do estrangeiro para o Brasil. É repatriado o estrangeiro indocumentado ou que não possui visto para ingressar no País ou aquele que apresenta visto divergente da finalidade para a qual veio ao Brasil.


24/05/2015

Dica de livro: Sem Medo da Diplomacia

João Clemente Baena Soares- Sem Medo da Diplomacia: "Mais do que um registro dos dez anos em que o embaixador Baena Soares esteve à frente da Organização do Estados Americanos, este livro é uma reflexão sobre uma série de questões ligadas à história da diplomacia brasileira e ao contexto das relações internacionais contemporâneas, especialmente nas Américas. Em seu depoimento ao CPDOC/FGV, este brasileiro mostra por que sempre apostou na diplomacia como instrumento para a construção de um mundo melhor."

23/05/2015

Dica de livro: A Mesa e A Diplomacia Brasileira

Está na minha lista de próximos livros a ler: A Mesa e A Diplomacia Brasileira - o Pão e o Vinho da Concórdia, de Carlos Cabral.

"Revelando alguns dos inéditos documentos do Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty, o autor mostra a importância da arte de receber na política internacional brasileira e detalha os clássicos menus e cartas de vinho de influência francesa do século XIX até a comida regional e os vinhos nacionais de hoje. Ilustrado."

22/05/2015

Brasília: posto sacrifício? - Parte II

Neste segundo post da série Brasília: Posto Sacrifício?, entrevistamos o Marcelo, autor do blog Tu Bem Que Podia Me Ler. Ele nos trás uma visão de quem veio morar na capital federal. 

Meu nome é Marcelo e me mudei para Brasília em 2010. Antes de dizer o que foi Brasília para mim, tenho que falar um pouco dos meus anos no Rio, cidade onde nasci e cresci.


No Rio, eu era funcionário público e morava com os meus pais, embora ficasse mais na casa da Luiza – minha então namorada e atual esposa – do que na minha. Sempre quis, porém, morar sozinho. Sozinho mesmo: sem filhos, gatos, cachorros, esposa, pais, ninguém. Como nem tudo na vida sai conforme planejado, acabei por admitir a presença da esposa e, mais tarde, de uma gatinha, nessa minha almejada solidão. A ideia, entretanto, era apenas juntar os trapinhos. Me casei, no papel, só para vir para Brasília. Nada romântico. Quando Luiza foi aprovada no concurso do Rio Branco, houve um emocionante diálogo, algo como:

            – Vamos ter que nos casar, né?
            – É. Que bosta!
            – Pois é, que saco.
            – Paciência. Vamos logo com isso.

Uma vez passado esse terrível dia em que tivemos que ser o centro das atenções e dizer dois constrangidos “sins” perante todo mundo, fiz valer o sacrifício e dei entrada no meu pedido de redistribuição no trabalho. Uma vez casados, se negassem minha solicitação, eu poderia entrar na justiça ou pedir licença para acompanhar cônjuge (tínhamos vários planos alternativos). Felizmente, não foi necessário. Consegui ser redistribuído para a UnB. O chato foi que a Luiza veio antes para Brasília: um período bem incômodo em que ela morou na atual capital do país, e eu, na antiga.

Assim sendo, quando tudo deu certo e eu pude vir para Brasília, evidentemente já estava feliz o suficiente com a nova casa. Se antes eu tinha uma imagem pouco positiva do DF, acabei, depois, gostando da cidade, mesmo com toda a propaganda negativa que ouvi sobre Brasília (é impressionante como carioca gosta de falar mal do nosso quadrilátero). Assim sendo, fiquei maravilhado com o clima de Brasília (a ponto de sentir até um gosto sádico ao saber que, enquanto no Rio fazia 45 graus, eu estava confortável, de calça e blusa), com o céu (as nuvens que eu nunca conseguia ver no Rio), com a segurança (que depois descobri não ser tão grande assim, mas pelo menos o Plano Piloto é bem menos violento que o Rio), com a arquitetura etc.

  Como nem tudo são maravilhas, teve um ponto que, mesmo diante desse meu encantamento, me incomodou e ainda hoje me incomoda: o transporte público do DF. Eu nunca gostei de carro. Dirigir é tempo perdido. No ônibus ou no metrô, a gente lê, dorme, faz o que quiser. No carro, a gente dirige e perde a vida. Só. Mas, em Brasília, carro é necessidade. No Rio, eu nem sequer tinha carteira de motorista. Foi em Brasília que eu aprendi a dirigir. Comprei um carro de Celina e Cassiano, então removidos para o Gabão, e me juntei a essa terrível massa amorfa no trânsito: uma ou duas pessoas – raramente três ou mais – em cada carro se perguntando o porquê do congestionamento e reclamando que não têm onde estacionar. Resisti, é verdade: passei um ano pegando ônibus, mas acabei por me render a essa máquina despedaçadora de almas chamada automóvel.

Em Brasília, fiz mais amigos do que esperava, conheci melhores restaurantes do que esperava, tive um trabalho mais divertido do que esperava. Se eu fosse mais chato, poderia dizer que gostaria de mais cinemas alternativos, tipo aqueles de Botafogo (aqui, o único mais ou menos é o do Liberty Mall) ou isso ou aquilo. Mas, como não tenho vocação para Alexandre Garcia, digo que Brasília é ótima para mim. Muito melhor do que o Rio. Posto sacrifício: de forma nenhuma. Saber que em pouco mais de um mês me mudarei para o Japão me deixa nostálgico quanto à cidade, querendo ir ao CCBB ou fazer alguma coisa para aproveitar esses últimos dias (ainda que apenas olhar o céu do Cerrado da varanda da minha casa). Consola-me saber que, um dia, eu voltarei. Já, para o Rio, nem depois de aposentado. Rio é só para visitar família e amigos – e olhe lá! Repito que Brasília não é posto sacrifício. Nesse país, lugar melhor não há.

Receita Federal - Parte VIIIl: Porte de valores

Porte de valores no ingresso e na saída do Brasil

O viajante, que ingressar no Brasil ou dele sair com recursos em   espécie, em moeda nacional ou estrangeira, em montante superior da R$10.000,00 (dez mil reais) ou o equivalente em outra moeda, deverá apresentar a e-DBV - Declaração Eletrônica de Bens de Viajantes.

 A e-DBV deverá ser preenchida e transmitida via Internet e apresentada à fiscalização aduaneira para registro, antes do início dos procedimentos de controle, relativos aos bens do viajante. A e-DBV está disponível em português, espanhol, inglês e francês no endereço eletrônico:  http://www.edbv.receita.fazenda.gov.br.

A inobservância das disposições contidas nesta Seção acarretará, além das sanções penais previstas na legislação específica, a perda do valor excedente Lei nº 9.629, de 29 de junho de 1995; Decreto nº 6.759, de 2009, arts, 700 e 777 a 780).

No caso de impossibilidade técnica de apresentação pela e-DBV por meio eletrônico, o viajante deverá solicitar, nas unidades da RFB, o formulário impresso da Declaração de Bens de Viajantes (DBV), que se encontra disponível em português, espanhol, inglês e francês. A declaração efetuada em formulário impresso, bem como seu ateste de verificação serão inseridos pela autoridade aduaneira, em até 24 horas do restabelecimento das condições técnicas impeditivas.

A declaração efetuada em formulário impresso deverá ser apresentada em 2 (duas) vias, que terão as seguintes destinações:
1ª via: unidade aduaneira de entrada ou saída
2a. via: viajante

Do ingresso no Brasil

Quando do ingresso no Brasil, o viajante deverá apresentar-se à fiscalização aduaneira nas áreas destinadas à realização do controle de bens de viajante (canal “bens a declarar”) e declarar ser portador em espécie, moeda nacional ou estrangeira, superior a R$10.000,00 (dez mil reais), para fins de correspondência entre o valor portado e o declarado na e-DBV.

O viajante deverá também declarar, em campo próprio da e-DBV (item III.1.b), se porta recursos em espécie, moeda brasileira ou estrangeira, em montante superior a R$10.000,00 (dez mil reais) ou o equivalente em outra moeda.

A e-DBV somente produzirá efeitos para fins de comprovação da regular entrada no Brasil do montante em espécie, em moeda nacional ou estrangeira, após a realização da verificação efetuada pela fiscalização aduaneira da unidade que jurisdicione o porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado onde ocorrer a entrada do viajante.

A verificação deverá ser efetuada antes da saída do viajante do recinto alfandegado. Verificada a exatidão da e-DBV apresentada pelo viajante, a mesma será registrada Eletronicamente.


Da saída do Brasil

Quando da saída do Brasil, o viajante deverá apresentar-se à fiscalização aduaneira nas áreas destinadas à realização do controle de bens de viajante e declarar ser portador em espécie, moeda nacional ou estrangeira, superior a R$10.000,00 (dez mil reais), para fins de correspondência entre o valor portado e o declarado na e-DBV.

A e-DBV, somente produzirá efeitos para fins de comprovação da regular saída do Brasil do montante em espécie, em moeda nacional ou estrangeira, após a realização da verificação efetuada por AFRFB da unidade que jurisdicione o porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado onde ocorrer a saída do viajante.

A verificação deverá ser efetuada antes da saída do viajante do recinto alfandegado. Para fins de verificação da exatidão das informações prestadas, por ocasião da saída do Brasil, o viajante deverá apresentar os seguintes documentos:
a) comprovante de aquisição da moeda estrangeira, em banco autorizado ou instituição credenciada a operar câmbio no País, em valor igual ou superior ao declarado;
b) e-DBV apresentada à unidade da RFB, quando do ingresso no Brasil, em valor igual ou superior àquele a que estiver portando; ou
c) comprovante de recebimento, por ordem de pagamento em moeda estrangeira em seu favor, ou de saque mediante a utilização de cartão de crédito internacional, na hipótese de estrangeiro ou brasileiro residente no exterior em trânsito no Brasil.

Verificada a exatidão da e-DBV apresentada pelo viajante, a mesma será atestada eletronicamente pelo AFRFB.

 Base Legal:
  •  Lei nº 9.629, de 29 de junho de 1995;
  • Decreto nº 6.759, de 2009, arts, 700 e 777 a 780).
  • IN RFB nº 1.385, de 15 de agosto de 2013

Fonte:

Entrevista: Mães no Itamaraty - Parte VIII

Hoje estamos publicando o oitavo post da série Mães no Itamaraty
  • A primeira entrevista foi com Carolina, que está em Chicago e tem um filho de dois meses. 
  • A segunda, foi com Celina, que mora em Montreal e tem um filho de nove meses. 
  • A terceira, foi com Vânia, que mora em Lisboa e é mãe de quatro filhas, de 22 a 31 anos. 
  • A quarta, foi com Carolina, que mora em Washington e tem dois filhos, de 03 e 01 anos.
  • A quinta, foi comigo, que moro em Brasília e terei filhos, mas não sabemos quando.
  • A sexta e a sétima foram dados parciais das entrevistas que fizemos com diversas mães, com o apoio e parceria da AFSI. 

Se você é mãe e servidora do Itamaraty ou mãe e esposa de servidor do Itamaraty e deseja nos ajudar contando a sua história, me envie um e-mail por meio do formulário que fica do lado direito do blog para que possamos conversar. Todas serão muito bem vindas!

Vamos conhecer agora a história de mais uma mãe?

Gabriela, Mike e Arthur

Gabriela, 33 anos, psicóloga, casada com Michael, diplomata desde 2010. Vivemos em Brasília de 2010 a 2012, em Gaborone/Botsuana de 2012 a 2014 e em Montevidéu/Uruguai desde 2014. Somos pais do Arthur, 1 ano e 4 meses, nascido em Joanesburgo/África do Sul em Janeiro de 2014.



Estávamos no nosso primeiro ano em Gaborone, aproveitando bastante a região, os amigos e as atividades. O Mike estava trabalhando na Embaixada e eu fazendo a coleta de dados do meu doutorado que estava em andamento na Universidade de Brasília. Um dia, de “sopetão”, decidimos que deveríamos começar a “tentar” engravidar – minha idade foi o fator motivacional preponderante. Não me lembro de ter levado a sério esse acordo, creio que foi porque pensei que levaria pelo menos 1 ano para engravidar após começar a tentar. O fato é que em 3 meses eu me descobri grávida e estávamos com viagem marcada para Etiópia e Tanzânia na semana seguinte à confirmação pelo exame de sangue. 

Calçadão do centro de Gaborone
Quando conversávamos sobre o assunto, antes de engravidar, pensávamos em todos os impedimentos daquele momento: minha tese, o medo de passar por toda a gravidez e o parto em um local sem estrutura médica confiável, sem a família, sem médicos conhecidos, etc. A carreira diplomática ou o fato de estarmos no exterior em si não foi um obstáculo, mas estar na África causava alguma insegurança e, mais do que isso, em Botsuana, onde as coisas não pareciam fluir bem em muitos setores.

Muito bem, viajamos para a Etiópia e Tanzânia com 3 semanas de gravidez, enjoos leves, um pouco de dor de cabeça  e muito, muito receio de precisar de atendimento de emergência nesses lugares. Graças a Deus foi tudo bem, nenhum incidente traumático, viagem perfeita. 

Ao retornar do passeio começamos a sondar com os amigos possíveis médicos para o pré-natal. Nesse processo tivemos alguns incidentes engraçados, mas preocupantes e que revelaram muito sobre o local e sobre nós mesmos. Eu, que antes me achava frágil emocionalmente e insegura, me vi com uma fortaleza surpreendente para lidar com os contratempos pelos quais passamos. No final rimos de tudo e lembramos com carinho e orgulho.

Supermercado “Pick n Pay”
Nossos vizinhos eram muito chegados a nós e foi por eles que começamos a saga em busca de um médico. Ele diplomata, funcionário da Embaixada da Alemanha em Botsuana e ela professora. Nos apresentaram um grupo de amigos que conheceram através do grupo de mães que ela participou ao chegar em Gaborone, pois tinha 2 filhos pequenos. Através dos seus contatos chegamos a um casal de ginecologistas alemães com uma excelente estrutura na clínica e ótimo temperamento. Me apaixonei na primeira consulta apesar de algumas diferenças culturais como a frieza em abordar a possibilidade de aborto em caso de alguma doença genética ser detectada. Fora isso, eu via o Arthur todas as semanas, pois havia ultrassom no próprio consultório, e de uma qualidade que me deixou mal acostumada. 

Os três primeiros e cruciais meses de gravidez foram acompanhados por essa médica alemã, que sempre me atendeu com carinho e atenção. A questão é que em poucos dias eles foram “expelidos” de Botsuana com uma acusação de suposta negligência em um parto que ocasionou a morte da mãe. Histórias de terror nunca faltaram quando pedíamos indicação de médicos. Sempre havia algum erro clínico envolvendo o médico ou cesarianas com muita dor e erros de diagnósticos em recém nascidos. Também houve casos de ir a uma consulta e a médica mal falar inglês e se apresentar com um equipamento de ultrassom que mais parecia um computador “pense bem”. Com isso, optamos por buscar um médico em Joanesburgo, na África do Sul, onde tudo era mais tecnológico e confiável. Pedi indicação para a própria ginecologista que vinha me atendendo e ela o fez prontamente. 
Sandton Clinic em Joanesburgo, onde Arthur nasceu

Eu já tinha ouvido falar de um 
hospital renomado na cidade e por coincidência o médico recomendado trabalhava lá. Ele estava com a agenda cheia, mas a secretária me recomendou seu companheiro de trabalho. Foi assim mesmo, recomendação da recomendação. Gera um pouco de receio, não é? Marcamos a consulta e nos apaixonamos pelo médico. Consultório bonito, muitas pacientes na sala de espera, todas com excelentes comentários sobre ele. Definimos o médico baseado no que vimos e ouvimos na sala de espera e na primeira consulta, já que não tinha a intenção de testar vários para aí tomar uma decisão, não havia tempo nem energia. A cada 20 dias dirigíamos 5 horas de Gaborone para Joanesburgo e ficávamos sempre na mesma Guest House, perto do médico e do hospital. Até hoje os funcionários da Rivonia Guest House nos perguntam sobre o Arthur, eles acompanharam toda a gestação até depois do seu nascimento, quando também passou a se hospedar lá. É uma delicia lembrar de tudo isso. Dr. Van Tonder, o obstetra, falava africâner e tinha algum sotaque no inglês, mas nos entendíamos bem. Ele era um pouco mais frio do que minha médica no Brasil, mas me parecia ser tão competente e seguro do que falava e fazia que não me importei com isso. Em alguns momentos ele até tentava ser engraçado. 

Angelina e Arthur
Planejamos mudar por 1 mês (usando as férias do Mike) para um flat em Joanesburgo para aguardar o Arthur sem correr o risco de entrar em trabalho de parto em Gaborone. O fato de meus pais estarem no Brasil dificultou os planos, pois tivemos que pensar em duas logísticas: a vinda da minha mãe e a nossa ida em família para o flat na África do Sul. Ela pôde ficar conosco por quase dois meses, aproveitou minha barriga, participou do chá de fralda e curtiu o Arthur até completar 1 mês. Depois ficamos sós. Meu pai e a família do Mike realizariam uma peregrinação em série nos próximos meses para conhecer o pequeno. Foi bom, pois havia uma visita por mês e o tempo passou rápido. Lembro-me com muito carinho de todo o processo. Apesar de meu pai e os pais do Mike não estarem presentes no parto, foi emocionante ver a notícia correndo pelas redes sociais e whatsapp. O parto foi um sucesso, a recuperação também e o Arthur muito bem atendido. Digo que fiquei mal acostumada com a qualidade de tudo e quero voltar para lá para ter o próximo, não importa onde estivermos. No retorno a Gaborone recebi a indicação de uma pediatra Americana que foi tudo o que precisávamos: carinhosa, atenciosa e competente. Fomos abençoados, pois depender de recomendações poderia gerar falhas, mas não, foi tudo do bom e do melhor. 
Rua da Embaixada do Brasil em Botsuana
Nós planejamos ter outro filho, mas agora a prioridade é que o Arthur adquira alguma autonomia para facilitar a nossa vida. Quando penso em um novo processo de gravidez e parto no exterior sinto outra vez aquela ansiedade: será que vai ser tão fácil e bom como o primeiro? Será que vamos encontrar bons médicos?  Será que vai correr tudo bem? Acho que essa ansiedade sempre acompanhará a futura mamãe que navega por terras desconhecidas, pois nada lhe é familiar e necessita sempre adaptar-se. Eu creio, porém, que junto com esses temores virá um antídoto – a fé e a paciência para fazer uma coisa por vez. A princípio estamos nos preparando para criar nossos filhos em escolas internacionais, ensinando-lhes e estimulando que falem o espanhol e o inglês desde o princípio, e o português sempre em casa. Aqui no Uruguai estou trabalhando, por isso o Arthur  tem ido ao jardim de infância meio período. A partir dos 2 anos ele iniciará na escola bilíngue para, de certa maneira, facilitar a transição dele para nossos próximos postos. Isso rende outra história...

Arthur no primeiro dia de aula em Montevidéu

Trabalhando em casa pelo mundo afora: Home Office

Acompanhar o cônjuge pelo mundo e manter uma atividade profissional não é fácil. Em alguns países (a maioria) os cônjuges de diplomatas não podem exercer atividade remunerada, o que acaba retirando muitas oportunidades de crescer na carreira. Uma opção bem legal é prestar consultorias online para outros países, manter um blog (olha eu aí gente), criar uma série de vídeos no Youtube, fotografar e criar um site com seu portfólio, pintar ou esculpir obras de arte... enfim, são diversas as opções. Mas todas elas tem algo em comum:  o home office. 

Atualmente estou trabalhando no meu home office: faço doutorado, faço pesquisas, atualizo este blog, o blog de casamentos e o blog do meu grupo de pesquisa (esses dois últimos não tenho atualizado tanto por causa do final do curso),  além de ajudar as amigas com dicas para organizar casamentos e festas. Aliás, vejam meu Pinterest AQUI. Sempre que encontro algum tema legal, eu adiciono. 

Pensando em todos nós que trabalhamos em home office, resolvi escrever este post com dicas para facilitar as nossas vidas e melhorar nosso desempenho. O primeiro vídeo é do blog da Lu: Chata de Galocha. A Lia, do blog Just Lia, também dá dicas, mas para decorar seu home office (veja aqui - aqui - e aqui), o segundo vídeo é dela. 








O site Pequenas Empresas Grandes Negócios fez duas matérias interessantes sobre o assunto. Vou transcrever alguns trechos. Para ler o texto completo, clique nos links:

http://revistapegn.globo.com/Noticias/noticia/2014/08/7-coisas-que-todo-mundo-precisa-saber-sobre-home-office.html

http://revistapegn.globo.com/Noticias/noticia/2014/08/11-dicas-para-quem-tem-filhos-no-home-office.html

7 coisas que todo mundo precisa saber sobre home office

O empreendedor deve saber: este tipo de trabalho não é um jeito fácil de ganhar muito trabalhando pouco.  O Home office hoje é um dos grandes temas quando o assunto é trabalho do futuro. E como o assunto é relativamente recente no Brasil, acho importante esclarecer certos pontos – e até mitos – sobre o trabalho realizado remotamente. Vamos a eles:

1. Home office não significa trabalho em casa

Apesar desta ser a tradução literal do termo, no Brasil ele define de forma genérica o trabalho que é realizado em espaço alternativo ao escritório da empresa. Este local pode ser – ou não – o escritório em casa. Uma pessoa pode trabalhar “home office” em cafés, hotéis, aeroportos, táxis, parques…ou em casa. Os termos mais exatos para definir esta modalidade de trabalho são: trabalho remoto, teletrabalho, trabalho à distância, ou o que acredito ser o mais adequado, trabalho portátil.

3. Home office não é um jeito fácil de ganhar muito trabalhando pouco

Quando alguém procura o termo “home office” nas ferramentas de busca, aparecem muitas ofertas de “trabalhe sem sair de casa”. São promessas de renda extra onde o candidato tem a possibilidade de receber valores atrativos trabalhando somente algumas horas do dia. Obviamente, há sempre uma taxa de inscrição envolvida no processo. Na maioria das vezes, estas ofertas não passam de “esquemas” onde a única pessoa que trabalha pouco e ganha muito é a pessoa que está vendendo a promessa.

5. Pijama e pantufa não combinam com home office

Trabalhar em home office exige uma grande dose de profissionalismo e esta atitude começa na hora de se vestir para trabalhar. Quem trabalha em casa e fica de pijama, ou sem camisa, acaba refletindo este desleixo na qualidade de suas tarefas. Se o hábito faz o monge, um traje não profissional pode contaminar a seriedade do trabalho e reduzir a credibilidade e até a auto-estima do colaborador. Esta insegurança pode acabar vindo à tona, principalmente na hora de falar com os clientes ao telefone. Em casos extremos, o comportamento relapso no home office pode levar até à depressão.

Isto não significa, claro, que seja necessário colocar terno e gravata todos os dias. O importante é trabalhar com uma roupa confortável, mas que transmita uma atitude profissional para si mesmo e para os outros. Inclusive preparando o colaborador para atender a uma eventual reunião de última hora por vídeo-conferência. Camisa pólo e jeans, por exemplo, são coringas. Maquiagem leve para as mulheres e barba aparada para os homens também ajudam na inspiração e na motivação.

6. O home office não é um mar de rosas…

Muita gente acha que se começar a trabalhar em home office vai poder dormir até as onze horas da manhã, passear no shopping quando bem entender, beber uma cervejinha com os amigos no meio da tarde. E trabalhar quando sobrar um tempinho.

Mas para funcionar com produtividade, o home office exige um grande auto controle e uma dose extra de disciplina. Disciplina para lidar com “tentações” como a geladeira e a TV a dez passos de distância, disciplina para saber a hora de começar e de terminar o expediente, disciplina para organizar o espaço de trabalho e para gerenciar o andamento de suas tarefas e não se perder nos prazos. Além disso, trabalhar em casa pode gerar uma sensação de isolamento, problemas familiares e queda de concentração por conta de ruídos domésticos, distrações, demandas de filhos e cônjuges.

7. …mas é o melhor lugar do mundo para trabalhar

Apesar dos desafios, quem consegue administrar seu tempo e produzir com qualidade no home office acaba trabalhando melhor e aproveitando muito mais a vida. Com o trabalho remoto evitam-se as várias horas e o enorme stress causados pelo trânsito no trajeto entre casa e trabalho. O tempo que o colaborador ganha escapando dos congestionamentos pode ser utilizado para praticar esporte, acompanhar um filho no médico, relaxar, ou até mesmo adiantar as tarefas para garantir tempo livre em outro momento. Com a redução do stress no trânsito e a possibilidade de controlar a qualidade da própria alimentação, quem sai ganhando é a saúde do colaborador. Além disso, trabalhar em home office aumenta a motivação e reduz interrupções de colegas e reuniões desnecessárias, aumentando a produtividade. Bom para o colaborador, melhor ainda para a empresa que o emprega.

Muita coisa evoluiu desde que comecei a trabalhar home office e pesquisar sobre o assunto, há dez anos atrás. Porém, muitas questões ainda permanecem, causando duvidas, estranheza, polêmica e até preconceito. Por isso a importância de lançar uma luz sobre o tema. Se todos encararmos o trabalho remoto com a devida seriedade, em pouco tempo teremos uma situação similar a de países como EUA, Inglaterra e Índia, onde esta modalidade já faz parte do cotidiano e traz benefícios para milhões de empresas e trabalhadores.

Afinal, trabalho é algo que se faz, não um lugar para onde se vai.



11 dicas para quem tem filhos no home office

Ao trazer seu escritório para casa, provavelmente seus filhos vão estranhar a mudança
O home office permite que você fique mais perto dos seus filhos. Isso não quer dizer que você vai conseguir trabalhar com crianças brincando dentro do seu escritório. Estabeleça limites, feche portas e contrate uma babá. Caso contrário, não vai conseguir se concentrar ou se comunicar de forma eficaz com seus clientes ou colegas. Para a experiência não ser traumática nem o escritório virar uma bagunça, aqui vão algumas dicas:

1. Prepare o terreno

Ao trazer seu escritório para casa, provavelmente seus filhos vão estranhar a mudança. Surgirão dúvidas e talvez até um pouco de insegurança. Tente tranquilizá-los explicando seus motivos e as vantagens que todos ganharão com a mudança. É normal que também confundam sua presença com a disponibilidade para brincar. O segredo aqui é tentar convencê-los de que o escritório em casa funciona da mesma maneira que o anterior, longe de casa: é como se os pais não estivessem por perto. E que também por este motivo, a babá está ali mesmo que os pais não tenham saído de casa.
Foto: http://dehouss.com

2. Envolva seus filhos na causa

Explique que poderão ocorrer algumas mudanças na casa e que de agora em diante você vai precisar muito da ajuda deles. Seja para ceder um quarto de brinquedos que vai virar escritório ou para juntar os brinquedos do chão, já que um cliente pode chegar a qualquer momento. Dependendo da idade das crianças, esta pode ser uma oportunidade para assumirem responsabilidades extras, como fazer seu próprio lanche da tarde uma vez ou outra (claro que tudo depende da idade). Comente também sobre reuniões e como devem se comportar na presença de clientes, fornecedores e colegas de trabalho.

3. Algumas regras para os filhos


Se seus filhos já têm idade suficiente para entender e seguir regras, defina uma lista curta, simples e clara de atitudes que você espera deles:

- Estabeleça em quais situações e horários é permitido ou não interromper. Por exemplo: quando estiver ao telefone, é proibido interromper.

- Permita ser interrompido somente em caso de emergência, definindo através de exemplos quais situações podem ser consideradas emergências e quais podem esperar para mais tarde.

- Crie uma sinalização para pendurar na porta do seu escritório indicando que naquele momento não pode ser incomodado. Peça aos seus filhos que ajudem a criar e desenhar a sinalização para envolvê-los ainda mais no processo.

- Não permita que seus filhos atendam a linha do escritório ou a utilizem para ligações pessoais. Eles deverão utilizar somente a linha telefônica residencial.

4. Regras são regras

De nada adianta criar uma lista de regras e abrir exceções a todo momento. Pode ser confuso para a criança saber quando a regra está valendo ou não. E uma vez que se permite quebrar uma regra, é difícil voltar atrás. Avise seus filhos que novas regras (ou adaptações complementares) poderão ser estabelecidas e também deverão ser obedecidas. Regras podem não funcionar tão bem com crianças pequenas, principalmente as que não permitem interrupções. Neste caso, vale a pena mostrar alguma flexibilidade e compreensão, e implementar as regras gradativamente.

5. Prepare-se para ser testado


É grande a possibilidade de que as crianças – principalmente as mais velhas – testem os limites do código de regras que você estabeleceu. Uma vez que as regras já foram explicadas, entendidas e são justas para ambos os lados, você tem argumentos para ser firme com a obediência do que foi combinado. Por outro lado, muita gente não consegue dizer “não” para os filhos. Ou quando o fazem, trazem na voz um tom de conivência, que é percebido de longe por qualquer criança. Se você realmente quer trabalhar de casa, é crucial que aprenda a dizer “não” com firmeza para seus filhos, quando isso for necessário.

6. Deixe a cabeça no escritório

Nos momentos em que estiver disponível para sua família, esteja 100% presente. Procure não atender o telefone ou checar e-mails no smartphone. Caso contrário, vai ser difícil convencer seus filhos de que você dá mais importância a eles do que ao trabalho. Além disso, eles podem acabar associando trabalho a algo negativo, que disputa a atenção dos pais.

7. Envolva-se nas atividades dos seus filhos

Encaixe na sua agenda um tempinho para participar da rotina dos seus filhos. Por exemplo: levar no treino de futebol ou buscar na escola. Programe com antecedência como e quando isso vai acontecer. E então, aproveite sem culpa mais este privilégio que o home office pode oferecer.

8. Envolva seus filhos em suas atividades

Outra forma de passar mais tempo com seus filhos é levá-los com você quando sai para rápidas atividades relacionadas ao trabalho: uma ida ao banco ou à loja de materiais para escritório. De vez em quando deixe que entrem em seu escritório e mostre algum projeto que está desenvolvendo. Demonstre seu entusiasmo pelo que faz e permita que também sintam-se parte do seu sucesso.
Foto: http://neapolitan.us

9. Cuidado com a culpa…


É bem comum que pais que trabalham em casa sintam-se culpados por não estarem com os filhos o tempo todo. Afinal de contas, eles estão bem ali, na sala ao lado. Outro tipo de culpa é a de não estar trabalhando nos momentos em que brincam com seus filhos.

Para lidar com estas culpas, tão contraditórias, procure conscientizar-se do seguinte:

1. é com o dinheiro ganho no seu trabalho que você pode prover o bem-estar dos seus filhos, e

2. ao trabalhar de casa você presenteia seus filhos com uma quantidade e qualidade de tempo e divertimento que eles não teriam se você trabalhasse em um escritório tradicional. E nesta equação entra também o tempo ganho por não precisar se deslocar até o trabalho. Conclusão: relaxe, pois você tem crédito com seus filhos e seus clientes.

10. Evite expor seus filhos a problemas corporativos

Os assuntos do escritório não devem – na medida do possível – invadir o espaço da casa. Se seus filhos se mostram muito preocupados com fatos que não pertencem à sua realidade infantil (o preço das coisas ou a falta de dinheiro, por exemplo) ou se demonstram nervosismo quando os pais discutem assuntos do trabalho, talvez estejam sendo prematuramente imersos em um mundo de preocupações e aflições para os quais não têm (e nem deveriam ter) estrutura. Fique atento aos temas.

11. Seus filhos são as crianças da casa

A disciplina dos seus filhos é essencial para o bom funcionamento do home office. Mas também é importante levar em conta que esta é a única infância que terão. Para não tirar a liberdade deles, invista em um isolamento acústico para permitir que brinquem sem se preocupar em fazer barulho, sem perder a espontaneidade. Lembre-se de que antes de ser escritório a sua casa é uma casa, um lar. E você não gostaria que tivessem feito isso com você na sua infância, certo?


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