27/08/2015

Clima, fenômenos da natureza e desastres naturais

Você está na sua cidade e olha para o céu. Sabe se hoje vai chover, se vai fazer frio, como se vestir para sair, se vale a pena levar um casaquinho na bolsa ou se vai vestir calça ou saia/short. Aí, você sai da sua cidade e vai morar em outro país, que você não conhece muito bem. As condições climáticas são diferentes, os ventos e correntes oceânicas são outras, as temperaturas e a média pluviométrica diferem das que você está acostumado, até as estações do ano podem ser completamente diferentes. Você já não tem muita certeza de como se vestir, se vai esfriar ou esquentar ao longo do dia, se vai chover ou fazer sol. Esse é um desafio típico de expats.

Resolvi escrever este post pois estava me lembrando dos desafios dos meus primeiros meses no Uruguai. Talvez esses sejam desafios que muitos outros vivenciam na mudança de país. Aos poucos, vou contando algumas desventuras.


Cheguei em Montevidéu em meados de julho. Brasiliense, acostumada com a forte seca e com o calor (e com o terrível "frio" noturno de 13ºC) do inverno candango, desembarquei em uma cidade úmida, fria e com muito vento. O apartamento que eu aluguei (quarto, sala,cozinha) ficava a duas quadras do Rio Prata e não tinha calefação, secador de roupas e nem janela dupla. Eu não sabia que seria necessário, já que muitos dos prédios que visitei não tinham aquecimento e nem janela reforçada. Pois bem, depois de algumas semanas, percebi que chovia muito, ventava muito, fazia muito frio (para os meus padrões, é claro. Não chegava a ter temperaturas negativas, mas a sensação térmica chegava a -5ºC), que as janelas tremiam com a ventania e que era impossível secar a roupa colocando no varal. 

Eu tinha contratado uma diarista, que ia uma vez por semana lá em casa. Ela também era zeladora e faxineira do prédio, a Célia. Ela era uma senhora de cinquenta anos, muito simpática e atenciosa. Como eu ainda estava a procura de emprego (fui para Montevidéu fazer mestrado em Relações Internacionais na UDELAR), ficava em casa conversando com a Célia, para aprender um pouco mais sobre a cidade e a cultura local. Acho que ela se divertia, devia dar gargalhadas quando saía da minha casa, pois como eu não conhecia muito o país, ela inventava coisas de outro mundo e eu acreditava (bem, em algumas; afinal, eu lia jornais e informações relevantes).

Em um dia de muita chuva, vento e raios, ela me falou que todo ano, no final do mês de agosto, no dia de santa ... (não me lembro agora) os ventos ficavam fortíssimos e que caíam árvores, estouravam janelas, carros eram arrastados, enfim, que era o caos. Fiquei morrendo de medo do tal dia. E ela ainda adicionou uma informação: veja as notícias de 2005. Muita gente morreu. 


Pronto, foi o suficiente para me amedrontar. Busquei na internet e realmente tinha acontecido um evento natural que havia derrubado árvores em casas e carros, estragado a fiação de energia, quebrado vidraças, etc. O detalhe que eu não sabia era que aquilo não acontecia todo ano, como ela tinha dito. Aguardei o fatídico dia e... nada. Não sei se fiquei feliz ou desapontada, mas não aconteceu absolutamente nada.

No ano seguinte, eu já estava trabalhando, em um edifício que ficava de frente para a orla (rambla). Já tinha um carro, que ficava no estacionamento do prédio, também de frente para a rambla. Saí de casa, olhei para o céu e estava azul. Limpinho, apesar do frio. Fui trabalhar normalmente. Eis que no meio da tarde, chega um anúncio de "vientos huracanados" e somos instruídos a voltar para casa. Eu demorei um pouquinho para sair, estava terminando um relatório. Quando olhei pela janela, uma enorme nuvem bem escura andava bem rápido rumo ao continente. Desliguei o computador e fui pegar o carro.

O vento já tinha começado, mas não estava tão forte como ainda ficaria naquele dia - 120Km/h. No entanto, foi o suficiente para que eu (um metro e meio de altura e 47 Kg) não conseguisse caminhar rumo ao carro (que estava a céu aberto, de frente para a orla, sem nenhum anteparo contra o vento) sem ser impedida e quase arrastada. Eu bem que tentei andar. Mas o vento estava muito forte. Foi então que fiz uma das coisas mais ridículas da minha vida: fui me arrastando pelo chão para chegar ao carro. Gente, imagina a cara de quem estava dentro do prédio e me via pela janela. Eu parecia um Gi-Joe em treinamento. Ao menos, consegui chegar no carro, que estava balançando um pouco por causa da ventania. Peguei um caminho mais longo para casa (que não passava pela orla, pois o vento estava realmente forte por lá) e quando cheguei, o prédio estava sem luz. Eu, ensopada pela chuva/vento, subi os dez andares de escada e fiquei esperando a energia voltar para saber o que se passava.

No dia seguinte, uma amiga do mestrado me contou que os vidros do prédio dela estouraram e que a casa estava cheia de cacos. Por sorte, o meu apartamento não ficava com nenhuma janela de frente para o vento, mas o barulho delas batendo era agoniante. Dava medo.

Não encontrei vídeo no youtube sobre essa data, mais foi algo mais ou menos assim:




Essa minha história não é nada comparado com quem passa por desastres naturais em outros países. Mas, a partir desse episódio, fiquei mais ligada no assunto e passei a me informar sobre clima e condições geológicas dos lugares que pretendo ir. Pensando nisso, vou compartilhar com vocês alguns mapas sobre clima e desastres naturais. Espero que ajude alguém a escapar de maiores problemas. O mapa original pode ser baixado em: http://imgur.com/MLRI2qR.





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