10/09/2015

3º dia do I Curso sobre Expatriação

No terceiro (e último) dia do curso, começamos com uma dinâmica em grupo sobre "identidade do cônjuge". Nela, fomos desafiados a pensar no agora e no futuro. Os resultados, tanto individuais quanto coletivo, foram bastante reveladores de algo que muitas vezes não nos damos conta: nós temos muito mais em comum - e falo de inseguranças e sentimentos - do que imaginamos. Foi muito bom poder compartilhar com os colegas e aprender com as experiências deles. Bastante enriquecedor!

Em seguida, Valeska Martins e Carolina Vilalva abordaram o tema "casal expatriado", falando dos sentimentos mais comuns que os cônjuges têm ao deixar o país para acompanhar os servidores, dentre eles: falta de controle, isolamento, desvalorização, abandono, confusão, inadequação e descontinuidade. A mudança na estrutura de poder das relações conjugais com a saída do Brasil, a decisão da mudança, o sentimento em relação ao novo, as expectativas do outro (pessoais e profissionais), medos, desejos, sonhos possíveis e sonhos interrompidos; todos esses foram assuntos expostos e debatidos com o grupo. 

O último tópico do curso foi "mudando para o exterior com crianças". As facilitadoras apresentaram e abordaram os desafios e os benefícios de criar filhos nessa vida nômade. Pude tomar nota de alguns. Desafios: manter senso de cidadania, visão de realidade dolorida, alienação da própria cultura, falta de um equilíbrio, evitar vínculos e comprometimento, medo de ficar só no mundo. Benefícios: visão de mundo ampliada, aprendizagem in loco, enriquecimento cross cultural, adaptabilidade, tolerância e aceitação, viver no presente, núcleo familiar reforçado, cidadãos do mundo. 

Um dos pontos interessantes desse tópico foi sobre idiomas: em que idioma falar com os filhos no exterior, como criar filhos bilíngues, como ensinar o Português para crianças que moram no exterior e como manter a fluência do idioma. Algo bem interessante - e que eu não sabia - é que geralmente crianças bilíngues/trilíngues demoram em média um ano a mais do que as outras crianças para começar a falar. Elas podem começar a falar somente a partir dos dois anos de idade!

Cheguei em casa agora à noite certa de que valeu (e muito) a pena eu ter deixado a minha tese de lado por três dias (faltando dois meses para o prazo de entrega - que meu orientador não esteja lendo este blog!) para participar do curso. Nesses três dias, aprendi sobre aspectos importantíssimos da vida de expatriado que eu sequer imaginava existir. Sinto-me um pouco mais preparada para os desafios futuros dessa vida nômade e percebo que ter a oportunidade de adquirir esses conhecimentos antes de sair do país - ao invés de ir descobrindo aos tropeços pelo caminho - pode fortalecer a mim como indivíduo e à minha família. E isso não tem preço! 


Por isso, eu gostaria de parabenizar à AFSI e ao IRBr pela iniciativa pioneira e dizer a todos que estão lendo o blog e que não puderam, por um motivo ou por outro, participar do curso que, havendo novas edições, participem. Vale a pena. 

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