23/09/2015

Entrevista: Primeira remoção - Parte III

Hoje entrevistaremos a Taísa, que saiu para a primeira remoção neste ano. Muito obrigada pelo relato, pelas dicas e pela mensagem carinhosa. 

Taísa é engenheira eletricista, casada com João André, diplomata desde 2010. Vivem em Paramaribo, Suriname, desde maio/julho de 2015.


Comemoração do 7 de setembro em Paramaribo

1) A decisão do país da primeira remoção foi uma escolha fácil?

Acredito que a escolha de um posto, sobretudo o primeiro, não é fácil para ninguém. Além da distância da família e dos amigos, a mudança cultural e a perda da renda de um cônjuge tornam este processo decisório ainda mais complicado.

No nosso caso, a primeira decisão que tomamos foi a de ir para o exterior. É importante que as famílias estejam seguras sobre isso desde o início (mesmo antes de “mirar” em algum posto específico). ​Em razão de fatores conjunturais, não havia a possibilidade de ir para um posto A ou B, ​então ​optamos por iniciar o nosso ciclo no exterior por um posto D.

A próxima decisão que teria de ser tomada seria sobre qual posto pleitear. Depois de algumas considerações sobre as possibilidades, decidimos vir para Paramaribo-Suriname. Foi uma decisão relativamente fácil, pois João retomou um convite que lhe havia sido feito em 2013, pelo Embaixador, quando ele esteve em missão de poucos dias no Suriname. A proximidade geográfica com o Brasil e o fato de ser um país relativamente seguro certamente pesaram positivamente na balança e nos deixou mais seguros da decisão.


2) O processo de mudança de país e de acomodação em uma nova cidade lhe pareceu desafiador? Por que? Quais foram as maiores dificuldades?

Bastante desafiador! Sobretudo em postos D, que em geral têm poucas opções de moradia, e o transporte público é praticamente inexistente. Esses fatores nos fizeram optar por morar perto da embaixada. Com certa dificuldade e uma boa dose de paciência, conseguimos alugar um apto ao lado da Embaixada do Brasil.

Em verdade, a nossa acomodação ainda está acontecendo. Nossa mudança saiu de Brasília em meados de junho/julho e está com previsão de chegada para o final de setembro.

Uma dificuldade que surpreendentemente não tivemos foi a da barreira linguística: apesar de a língua oficial do Suriname ser o holandês, todo o mundo aqui consegue se comunicar em inglês. Isso foi um alívio e tanto!

​3) Há quanto tempo vocês estão no país? Houve choque cultural?

João chegou em maio e eu cheguei no início de julho deste ano.

Quanto ao choque cultural, apesar de o Suriname ser parte da América do Sul, há pouca – ou quase nenhuma – influência dos países latinos por aqui. Boa parte da população é constituída por indianos, javaneses, crioulos e chineses. De qualquer forma, como há uma quantidade considerável de brasileiros morando em Paramaribo, o choque cultural termina sendo amenizado, pois não é difícil encontrar brasileiros na rua e é possível até comprar produtos tipicamente brasileiros num supermercado que há na cidade.


4) Você teria algo mais que gostaria de acrescentar? Conte-nos passagens interessantes das primeiras semanas

Antes de encarar uma mudança tão grande, recomendo que os candidatos a expatriados pesquisem tudo o que puderem sobre o lugar onde irão viver. Ainda que eu tenha tido algumas surpresas ao chegar, eu estava ciente da maior parte das limitações que o Suriname me traria.

Posso dizer que a adaptação está relativamente tranquila. Ainda não me sinto confortável dirigindo na mão inglesa e sinto falta de poder usar cartão de crédito/débito no dia a dia (praticamente todas as transações são realizadas em espécie, até mesmo compra de carros). De todo modo, creio que são coisas que, com o tempo, serão ajustadas em nossa cabeça.  

Fiquei particularmente encantada com o multiculturalismo e com a convivência pacífica de diferentes povos em Paramaribo. Para que você tenha uma ideia, no centro da cidade há uma Mesquita ao lado de uma Sinagoga (em tempos de tanta intolerância religiosa, isso é um grande alento para mim!).

Pode até parecer clichê, mas não posso deixar de frisar que a vida de expatriado é um aprendizado constante. Independentemente de o lugar ser considerado rico ou pobre, culturalmente distinto do Brasil ou parecido, o que é determinante na adaptação ao lugar é a forma com que o expatriado encara esse aprendizado... então o que tento fazer é encarar as diferenças da melhor forma possível :)

Por fim, queria deixar registrado o meu agradecimento à Elisa. Iniciativas como a do seu blog, documentando a vida de famílias do Serviço Exterior brasileiro, são valiosas para  elevar a qualidade de vida dos expatriados e futuros expatriados.

Um comentário:

Obrigada pelo seu comentário!