14/09/2015

Global Age Watch Report 2015

Hoje compartilho com vocês o estudo sobre envelhecimento da população da Age Watch. Trata-se da terceira edição da pesquisa e seus resultados são bem interessantes. O texto completo está disponível no link www.helpage.org. Vamos ver algumas conclusões da pesquisa? Cliquem nas imagens para ampliá-las.


"Porquê medir o bem-estar na terceira idade? 
Envelhecer é uma experiência que todos partilhamos. Hoje em dia, o grupo populacional com mais de 60 anos é o que regista um crescimento mais rápido a nível mundial, afetando profundamente as nossas economias, condições de alojamento e aspirações pessoais e profissionais. Apesar de nem sempre o reconhecermos, o envelhecimento da população mundial é a maior história de sucesso de desenvolvimento humano, tendo resultado da queda das taxas de natalidade e da maior esperança de vida. Contudo, até agora nem todos os governos criaram um enquadramento político para responder aos desafios colocados pelo envelhecimento das suas populações. A visão transformadora dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de “não deixar ninguém para trás” no seu esforço universal para erradicar a pobreza e assegurar um desenvolvimento pacífico e equitativo para todos, requer políticas que produzam resultados e instrumentos que meçam o bem-estar na terceira idade." 

Proporção da população com idade igual ou superior a 60 anos em 2015 e 2050


"Existem atualmente cerca de 901 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos em todo o mundo, representando 12.3 por cento da população global. Em 2030, este número terá aumentado para 1.4 mil milhões ou 16.5 por cento, e em 2050, para 2.1 mil milhões ou 21.5 por cento da população global. 

As pessoas com mais de 60 anos ultrapassam hoje as crianças com menos de cinco; em 2050, ultrapassarão as crianças com menos de 15. Estas alterações demográficas são especialmente rápidas no mundo em desenvolvimento, que, em 2050, acolherá oito em cada 10 da população mundial acima dos 60 anos.

A terceira idade é ainda frequentemente considerada a partir de uma perspectiva econômica, envolvendo considerações sobre os custos de uma população envelhecida. No entanto, o bem-estar em idades mais avançadas é uma acumulação de experiências ao longo da vida. Os países que apoiam o desenvolvimento humano ao longo da vida terão à partida taxas de participação mais elevadas da população mais velha em voluntariado, a trabalhar e envolvidas nas suas comunidades.  Todas as pessoas devem poder viver o melhor possível em cada etapa das suas vidas, com dignidade e liberdade de escolha. À medida que os países envelhecem, precisam de investir no apoio aos contributos, experiência e conhecimento do seu número crescente de cidadãos mais velhos. 

O ‘avolumar de jovens’ de hoje em muitos países será o ‘avolumar de idosos’ de amanhã. Políticas para apoiar uma terceira idade digna e segura deve ser uma preocupação séria dos jovens de hoje, sobretudo porque são estes que delas virão a beneficiar a longo prazo".





O envelhecimento nos países BRICS 

"No grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a China (52) é um país a envelhecer rapidamente – mais de 15 por cento da população tem idade igual e superior a 60 anos – que está a responder proactiva e estrategicamente às alterações demográficas. O Regime de Pensões Rurais introduzido em 2009 permitiu que 89 milhões de pessoas recebessem o pagamento de uma pensão pela primeira vez. Juntamente com as pessoas a receberem pagamentos através de outros esquemas de pensões, isto significa que 125 milhões de pessoas recebem agora uma pensão mensal. Em 2013, a lei nacional foi emendada para proteger os direitos dos idosos, exigindo aos governos locais a provisão de segurança social, cuidados médicos e cuidados prolongados aos seus cidadãos idosos. A China aumentou a cobertura das pensões e dos seguros de saúde, incentivou voluntários a cuidarem dos seus idosos e investiu em centros comunitários para a terceira idade. 

A Rússia (65) e a Índia (71) encontram-se em lugares mais baixos do Índice, não obstante o seu peso económico e político, um PIB per capita relativamente elevado, e uma população envelhecida ou em rápido envelhecimento. Na Índia apenas 28.9 por cento da população recebe uma pensão e cerca de 30 por cento dos homens e 72 por cento das mulheres acima dos 60 anos estão totalmente dependentes de terceiros. A Rússia tem uma cobertura alargada de pensões mas não tem um plano nacional para o envelhecimento, embora o esteja actualmente a desenvolver.

O sistema de bolsas sociais da África do Sul (78) – que inclui pensões sociais – é cerca de 23 por cento da média salarial.19 O Brasil (56) encontra-se na posição mais alta dos países BRICS em termos de garantia de rendimento, o que se deve em grande parte ao sistema de pensões quase universal, apresentando níveis relativamente elevados de adequação, de acordo com os padrões internacionais. Este sistema inclui duas formas de pensões não-contributivas para as zonas rurais e urbanas, assim como um valor mínimo de pensões dentro do sistema contributivo, todas elas associadas ao salário mínimo nacional. Este valor mínimo de pensões tem contribuído de forma significativa para a redução das desigualdades no Brasil nas últimas duas décadas."




Um mundo melhor para todas as idades 
"O nosso terceiro relatório revela que criar um mundo melhor para todas as idades está ao nosso alcance. Há políticas e programas que podem proteger e promover os nossos direitos humanos à medida que envelhecemos, conduzindo ao fim de todas as formas de discriminação, violência e abuso na terceira idade. Para assegurar rendimentos é fundamental promover o direito à segurança social na terceira idade, garantindo a cobertura universal de pensões. Para que as pessoas tenham a melhor saúde possível e para aumentar a esperança de vida saudável, todos têm que ter acesso a cuidados de saúde de qualidade que sejam apropriados e acessíveis ao longo de toda a vida. A terceira idade pode e deve ser uma altura de crescimento pessoal e liderança. 

É importante apoiar as mulheres e homens mais velhos através do acesso a um trabalho condigno e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, assim como de participação política. As pessoas mais velhas precisam de se sentir parte da sociedade, de poder movimentar-se nos transportes públicos, sentir-se seguros e viver uma vida independente e autónoma. A implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável necessitará de informação assim como de uma análise das políticas sociais e do seu impacto nos idosos. A informação virá da melhoria dos dados nacionais, regionais e globais, desagregados por idade e género, para nos ajudar a entender as diferentes formas das mulheres e dos homens vivenciarem o envelhecimento por todo o mundo. 

O Índice da Global AgeWatch revela que há algum progresso em termos de políticas e práticas em todas as regiões do mundo. Este trabalho procura contribuir para as discussões sobre o bem-estar na terceira idade e é um passo no sentido de apoiar as populações a atingirem o seu potencial em todas as etapas das suas vidas."


Fonte: /http://www.helpage.org/global-agewatch/reports/global-agewatch-index-2015-insight-report-summary-and-methodology

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo seu comentário!