16/10/2015

Diplomatas famosos: Antonio Houaiss


Há algum tempo, eu não publicava nada na série "Diplomatas Famosos", mas hoje fui inspirada por um post da página do Facebook do MRE:

"Há cem anos nascia, no Rio de Janeiro, o diplomata, filólogo, lexicógrafo, tradutor, crítico literário, enciclopedista e professor Antonio Houaiss (1915-1999).

Reconhecido como o maior estudioso das palavras do português nos tempos modernos, Houaiss deixou inacabado um projeto de dicionário, lançado dois anos depois de sua morte, com 228.500 verbetes. Ele também foi um dos defensores da unificação ortográfica da língua portuguesa.

Antonio Houaiss ingressou na carreira diplomática por concurso, em 1945, como cônsul de terceira classe. Ele serviu no Consulado do Brasil em Genebra, nas Embaixadas do Brasil na Grécia, na República Dominicana e na Suécia e na Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York.

Em 1966, lançou a primeira tradução brasileira de “Ulisses” (1922), romance do escritor irlandês James Joyce (1882-1941). Foi Ministro da Cultura em 1993 e Presidente da Academia Brasileira de Letras três anos depois. Assista a entrevistas que Houaiss concedeu ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1990 e em 1992."

Acessando os links indicados pelo MRE, encontrei trecho muito interessantes de sua entrevista para o Programa Roda Viva (Link aqui), que vou transcrever abaixo. Em seguida, publiquei o vídeo recomendado pela página do MRE.

"Regina Echeverria: Como foi o episódio da sua cassação em 1964?

Antonio Houaiss: Entrei para a diplomacia já um pouco burro velho. Eu havia preparado muita gente para o Itamaraty, em português e literatura e, num dado dia, fui convidado pelo Itamaraty para comparecer lá. Era em 1943, se não me engano, porque eles tinham... Como eu já estava casado fazia pouco tempo e minha mulher era professora também de letras clássicas, nós fomos ex abrupto [de repente, sem aviso] convidados a lecionar no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro, recém inaugurado em Montevidéu. Uma semana depois... até vou contar-lhes, com o perdão do meu moderador, essa anedota.

Estava em casa com o meu padrinho de casamento, Olavo Aníbal Nascentes, filho de Antenor Nascentes, um grande poeta promissor naquele então, Antônio de Pádua da Costa e Cunha. Minha mulher e eu estávamos lendo a Bíblia, se não me engano no profeta Habacuque. E, num momento, há aquele intervalo de leitura e ela diz: “Bom, o magistério é uma bela profissão”. Nós estávamos discutindo a profissão. Naquele então, era bem melhor do que agora. E ela diz: “Mas ela não dá a oportunidade de viajar”. Aí Olavo responde: “Não, isso não, porque papai já viajou grande parte do mundo”. E é verdade. Antenor Nascentes tinha essa obsessiva vontade de... Ela então virou-se e disse: “Pois é, ele viajou, mas dona Salomé nunca foi com ele”. Dona Salomé era a mulher dele. E aí toca o telefone, era alta hora da noite. Um antigo aluno meu, já no Itamaraty, me convidava a ser professor do Instituto. Então, voltei e disse: “A senhora quer viajar para o Uruguai?” Ela achou graça. Uma semana depois lá estávamos, entrando para a carreira diplomática, para essa função, em convívio com a carreira diplomática.

Ela me pediu que no primeiro concurso que iria ocorrer eu fizesse. Fiz, passei decorosamente. Não tive uma grande colocação, mas fiquei em segundo lugar. De maneira que não era tão desonroso assim e entrei para a carreira. Na carreira sempre fui discriminado e sempre fui exaltado, consoante fosse quem estivesse comandando a carreira, porque não nego aos senhores: sempre fui de propensão socialista e mais do que nunca sou... Não sei se fui inconveniente nessa comissão...

Rodolfo Konder: Não, professor, por favor...

Antonio Houaiss: ...que o público não me odeie por isso. E, ao longo da carreira, tive duas discriminações. Uma em 1953, em Atenas, quando eu estava servindo no melhor posto da minha carreira; fui, da noite para o dia, posto em disponibilidade na ativa sem remuneração. Mandei-me para o Brasil, imediatamente interpus um mandado de segurança e voltei para o magistério, esperando o resultado. O resultado veio muito mais cedo do que eu pensava. Os meus colegas, que haviam vindo antes, haviam interposto, em lei ordinária, um recurso. Aquilo iria arrastar-se durante dez ou 20 anos, eu não quereria. Então interpus um mandado de segurança e o Supremo Tribunal anulou, porque realmente não existia mais a figura de indisponibilidade, muito menos inativa, muito menos sem remuneração, primeiro lugar. Foi [...], formalmente. "



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