23/02/2016

Essa saudade constante

Imagem: http://www.frasesparaface.com.br/frases-de-saudade/
Hoje postei o vídeo com uma música de Milton Nascimento, pois ela tem um grande valor sentimental para mim. Nunca havia prestado atenção na letra até que retornando de um curso que fiz na Argentina em 2005, resolvi escutar as músicas que eu havia carregado no meu MP3 (gente, era 2005, sou velha mesmo, tá?). Nesse curso, eu havia conhecido pessoas de vários países, aprendido a falar várias coisas em Espanhol, feito amizades que duram até hoje, ... e foi a primeira viagem que fiz para fora do Brasil.

Quando a música "encontros e despedidas" começou a tocar, de repente, senti um misto de felicidade, tristeza e angústia que eu simplesmente não consigo explicar até hoje. Tudo na letra fazia sentido. Eu estava com saudades daquelas pessoas que eu tinha conhecido, queria retornar para o Brasil, pois também estava com saudades dos amigos daqui, mas ao mesmo tempo, eu queria ficar mais na Argentina, queria conhecer mais sobre o país, viajar pelas cidades, saber da sua história... 

No meio de tantos sentimentos, uma lágrima escorreu dos meus olhos. E depois dela vieram muitas outras. Na época eu não fazia ideia, mas essa sensação de saudade (e de que gostaríamos de ter tido mais tempo em determinado lugar ou com alguém, mas ao mesmo tempo ansiamos pelo próximo destino) parece que passaria a ser uma constante na minha vida. 

Vocês podem estar se perguntando de onde veio a inspiração para o post de hoje. E eu explico: um casal muito querido de diplomatas estrangeiros está indo embora do Brasil. A remoção deles mexeu bastante comigo, pois conheci o marido assim que ele havia chegado no país. Fui sua primeira amiga brasileira. Indiquei leituras sobre nossa história e política externa, dei dicas de sobrevivência em Brasília. Ele me ensinou palavras em seu idioma e me contou sobre seu país. Em seguida, sua esposa veio para o Brasil e também fui uma das primeiras pessoas que ela conheceu aqui. Falamos sobre a cidade, sobre hábitos típicos do brasileiro, sobre falsos cognatos. Apesar da barreira linguística e das diferenças culturais, nos tornamos grandes amigos e vê-los partir me deu um aperto muto grande no coração. Isso especialmente porque não sei se em algum momento, ao longo de todas as nossas vidas, serviremos novamente no mesmo país. Talvez, só nos vejamos em viagens de férias, talvez somente por fotos na internet. Simplesmente não sei. E isso me deixa triste.

Na mesma semana em que foi a festa de despedida desse casal de amigos, uma grande amiga que fiz quando morei no Uruguai comemorou 32 anos de idade. O Facebook fez questão de me avisar (risos). Quando fui escrever uma mensagem no perfil dela, vi que já tinha três filhos: duas meninas e um menino. A mais velha já tem seis anos! Quanta coisa eu perdi! Quando saí do Uruguai, ela sequer estava grávida e nem pensava em ter filhos, havia se casado (e se mudado para lá) recentemente e não conhecia ninguém fora a família uruguaia do seu marido. Ficamos amigas, dentre tantos outros motivos, pois ambas éramos estrangeiras: ela, paraguaia; eu, brasileira. Pois bem, em todos esses anos, meu carinho por ela nunca diminuiu, mas nunca mais nos encontramos pessoalmente. E não sei se algum dia iremos.

É essa saudade, essa distância, que acaba fazendo parte das nossas vidas. Viajamos, conhecemos pessoas, fazemos amigos, mas não conseguimos estar fisicamente presentes na vida de todos. E isso às vezes dói. Faz parte, eu sei. Mas somos humanos. E sentir é humano. Hoje, seu eu fosse descrever o que é ser uma diplowife, eu diria: é sentir saudades. 

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