05/05/2016

A mãe e as avós do Barão do Rio Branco



Ano passado, o post de dia das mães (veja aqui) foi sobre a mãe do Barão do Rio Branco, Teresa de Figueiredo Faria. Em 2016, decidi falar um pouco mais sobre as mulheres/mães que fizeram parte da vida do patrono da diplomacia brasileira. Vamos conhecer um pouco mais sobre a genealogia de  José Maria da Silva Paranhos Júnior. Não há muitas referências a elas, por isso, abaixo estão os trechos que pude encontrar em um breve levantamento.

Avó paterna do Barão: Josefa Emerenciana Barreiros Paranhos


Nascimento: (vamos descobrir)
Falecimento: (vamos descobrir)
Pais: Manuel Goes Barreiros e Escolástica Maria da Conceição
Irmão: Eusébio Gomes Barreiro
Esposo: Agostinho da Silva Paranhos
Mãe de José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco; Antonio da Silva Paranhos; Agostinho da Silva Paranhos; Tereza da Silva Paranhos e Manoel de Freitas Paranhos


"José Maria da Silva Paranhos nasceu no dia 16 de março de 1819 em Salvador, Baía de Todos os Santos, na época quando o Brasil fazia parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Seus pais eram Agostinho da Silva Paranhos e Josefa Emerenciana de Barreiros. Agostinho Paranhos e seus dois irmãos haviam imigrado para o Brasil no início do século XIX. Se tornou um rico comerciante e se casou com Josefa, pertencente a uma das mais antigas famílias da Baía de Todos os Santos. A família dela tinha raízes na cidade do Porto, onde a própria família de Agostinho se originava." Fonte: Wikipedia


"Paranhos [Visconde de Rio Branco] nasceu na Bahia, em 16 de março de 1819, filho de Agostinho da Silva Paranhos, comerciante português, e Josefa Emerenciana Barreiros Paranhos, de família de militares. O pai morreu na infância de Paranhos, ficando sua herança comprometida por dívidas, cobradas por um parente e sócio de Agostinho.

Com a morte de sua mãe, Paranhos [Visconde de Rio Branco] partiu para o Rio de Janeiro, em 1836, onde ingressou na Escola da Marinha com a ajuda do tio materno, Eusébio Barreiros, militar do Corpo de Engenheiros e professor de Matemática da Escola Militar. Em 1841, na conclusão do curso, foi promovido a Guarda Marinha. Em seguida, matriculou-se na Escola Militar, tornando-se dois anos depois tenente do Corpo de Engenheiros; é ainda designado, na mesma ocasião, para ensinar Artilharia na Escola da Marinha. Logo, se tornou – na Escola da Marinha e também na Escola Militar – professor de Matemática." Fonte: FONSECA, Brenda Coelho. Trajetória e ascensão social de José Maria Da Silva Paranhos: o jornalismo como estratégia (1850-1851). Link 


"Josefa Emerenciana separou-se do primeiro marido João da Silva Telles, que retornara a Portugal, e se uniu a Agostinho da Silva Paranhos. José Maria da Silva Paranhos e seus dois irmãos mais velhos, Agostinho e Antônio, só receberam o sobrenome do pai quando este morreu em 1822. Após a morte do segundo marido, Josefa teve ainda uma filha, chamada  Maria Luísa, com o juiz de órfãos Luis Paulo de Araújo Bastos, o Barão de Fiais. Enquanto o filho mais velho, Agostinho, “se perdeu” na vida boêmia em Salvador, Antônio fez carreira no exército e acompanhou José Maria em sua missão ao Prata, sobre Maria Luísa, a única a informação é que José Maria providenciou seu enterro, além de nunca ter frequentado a casa do irmão, cheia de figuras ilustres do Império." Fonte: FONSECA, Brenda Coelho. Trajetória e ascensão social de José Maria Da Silva Paranhos: o jornalismo como estratégia (1850-1851). Link 


"Pensemos em geração. As duas biografias falam dos antepassados de Rio Branco em termos de seu ascendentes masculinos, ainda que pela linha materna. O irmão da mãe do primeiro Rio Branco aparece como figura privilegiada. Isso se dará pela valorização da linhagem matrilinear? Talvez nesse caso seja mais determinante o fato de o primeiro Rio Branco ter nascido de uma união não-oficial.

Sua mãe, Josefa Emerenciana, se uniu a Agostinho da Silva Paranhos após haver-se separado de seu primeiro marido, João da Silva Telles, que retornou a Portugal. José Maria, nascido em 1819, e seus dois irmãos mais velhos, Agostinho e Antônio, só recebem o sobrenome do pai quando este morre, em 1822. A partir de então, o episódio decisivo é a volta à Bahia do irmão de Josefa Emerenciana, Eusébio Barreiros, que passa a ajudar José Maria no sentido de lhe propiciar acesso a escolas e professores.

Viana Filho chega a intitular o primeiro capítulo de seu livro "Soldados e mercadores", referindo-se aos ancestrais do visconde do Rio Branco: "Não obstante, é aos "soldados" que atribui características familiares. Encontramos frases como "herança militar que por vários lados trazia no sangue" em relação a Eusébio Barreiros, e "mais uma vez a estrela militar ia iluminar o caminho da família" (Viana Filho, 1996: 6).

Não há, na verdade, nenhuma menção a algum "sangue mercador" a correr nas veias de Rio Branco. Alvaro Lins nem menciona: os mercadores, mas também dá grande ênfase aos militares, buscando ancestrais pela linha matrilateral. Se Viana Filho fala do sangue e da "estrela" militar, Lins menciona o "porte militar" dos Rio Branco: "Os Rio Branco eram fisicamente figuras de porte e garbo militar, imponentes, vigorosos, de grande estatura, constituições de gigante: o Visconde e seu filho João Horácio com 1,95m, o Barão com 1,85m, os varões em geral com mais de 1,80m" (Lins,1996: 27).

Mas quem são os Rio Branco? José Maria da Silva Paranhos, a partir de 1870 (já com 5 1 anos), e seu filho, também José Maria da Silva Paranhos, a partir de 1888 (aos 33 anos), o primeiro, visconde, e o segundo, barão. Rio Branco, portanto, não é um nome de família, e sim um título nobiliárquico (nãohereditário) outorgado pelo regime monárquico brasileiro. Mas é possível pensar em três nomes através dos quais poderíamos chegar às qualidades hereditárias atribuídas ao barão nas biografias." Fonte: MOURA, Cristina Patriota de. Herança e metamorfose: a construção de dois Rios Brancos. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, CPDOC/FGV, n. 25. Ano: 2000/2001. Link. 


"Vejamos agora algumas considerações a respeito de gênero. As qualidades herdadas pelos dois Rio Branco são sempre atribuídas a seus antepassados masculinos e, se passam de uma geração a outra através de uma mulher, esta serve simplesmente como mediadora entre homens. As mulheres que aparecem nas biografias são sempre filhas, mães, esposas e amantes, nenhuma delas com papel ativo na vida dos homens. Não obstante, sua beleza e habilidade de "receber em grande estilo" é ressaltada.

Há, ainda, o reconhecimento de umas em detrimento de outras. Já se ressaltou aqui a mãe do visconde como efetuadora do vínculo entre os Rio Branco e os Barreiros, através de sua união com um Paranhos. Essa não era, no entanto, uma união vista como lícita pela alta sociedade da época. Ademais, após a morte de Paranhos, Josefa ainda teve uma filha com o juiz de órfãos Luís Paulo de Araújo Bastos, o barão de Fiais. Assim, o vínculo do visconde com sua mãe é muito pouco ressaltado nas biografias, nem sequer constando na de Alvaro Lins que Agostinho Paranhos não era o marido legal de Josefa Emerenciana ou que esta teve filhos com outros homens.

A trajetória do visconde é descrita como a de um "pobre órfão" que conseguiu galgar a escala social por seus próprios méritos. Viana Filho, referindo-se ao visconde, cita o próprio barão: "Este seria o Visconde do Rio Branco. A origem era modesta. Talvez por isso, ao rascunhar algumas notas íntimas sobre o pai, o Barão do Rio Branco, com uma ponta de orgulho tão comum nos que conseguiram subir, lembraria esta passagem do Padre Antônio Vieira: "A verdadeira fidalguia é ação. Ao predicamento da ação é que pertence a verdadeira fidalguia. As ações generosas, e não os pais ilustres, são as que fazem fidalgos." (Viana Filho, 1996: 3)

Não obstante essa apologia do mérito individual, não são raros os momentos em que tanto os biógrafos quanto o biografado invocam a importância da filiação do segundo Rio Branco para constituir sua "fidalguia". Em outras palavras: "a verdadeira fidalguia é a ação" quando a linhagem não pode ser invocada; quando pode, faz-se o máximo para fazer parecer que ela é bem mais antiga do que verdadeiramente é. Nesse processo, os pais do visconde desaparecem para dar lugar ao tio materno, bem- sucedido na carreira militar." Fonte: MOURA, Cristina Patriota de. Herança e metamorfose: a construção de dois Rios Brancos. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, CPDOC/FGV, n. 25. Ano: 2000/2001. Link. 


"Em relação a fratria, já vimos a importância do irmão mais velho de Josefa Emerenciana. Esta teve filhos de três uniões. Com João da Silva Telles teve Francisco e Inês, que morreram ainda crianças. Com Agostinho Paranhos teve três filhos: Agostinho (1811), Antônio (1818) e José Maria (1819). Agostinho "se perde" na vida boêmia em Salvador, e as biografias não dão mais dados sobre ele. Antônio faz carreira no Exército e acompanha a missão de José Maria ao Prata. Da terceira união de Josefa sabe-se que nasceu uma filha, Maria Luísa, que entrou para um convento. A única notícia que se tem dela é que José Maria providenciou seu enterro. Nunca chegou, no entanto, a freqüentar a casa do irmão ilustre, cheia de figuras do Império. Antônio e José Maria foram os dois que se beneficiaram da ajuda do "tio Eusébio", que tinha contatos no Exército e esteve na Bahia de 1831 a 1835, quando estavam em idade escolar. Agostinho, que por essa época já se havia "perdido", e Maria Luísa, que talvez não tivesse nascido, não tiveram a mesma sorte." Fonte: MOURA, Cristina Patriota de. Herança e metamorfose: a construção de dois Rios Brancos. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, CPDOC/FGV, n. 25. Ano: 2000/2001. Link. 




Avó materna do Barão: Luisa de Figueiredo Faria (ou Abreu)


Nascimento: (vamos descobrir)
Falecimento: (vamos descobrir)
Pais: (vamos descobrir)
Esposo: Bernardo Rodrigues Figueiredo
Mãe de  Teresa de Figueiroa Faria e Bernardo Rodrigues Figueiredo

"A mulher de José Maria da Silva Paranhos - casamento de 28 de janeiro de 1842 - era Teresa de Figueiredo Paranhos, filha de Bernardo Rodrigues de Faria, nascido também na cidade do Pôrto, e de Luísa de Figueiredo Faria. Em vez de militares, o antepassado mais ilustre dessa família era um desembargador". Fonte: LINS, Álvaro. Rio Branco (o Barão do Rio Branco). Biografia pessoal e história política (1965). Link.


Clique na imagem para ampliar

A Mãe do Barão: Teresa de Figueiredo Faria


Nascimento: (vamos descobrir)
Falecimento: (vamos descobrir)
Filha de Bernardo Rodrigues Figueiredo e Luisa de Figueiredo Faria (ou Abreu)
Esposo: José Maria da Silva Paranhos, Visconde do Rio Branco
Filhos: José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão do Rio Branco; Maria Luísa; Amélia; Maria Honorina; Pedrinho;  Augusta Amélia; João Horácio; Luisa e Alfredo.
Cunhados: Antonio da Silva Paranhos; Agostinho da Silva Paranhos; Tereza da Silva Paranhos e Manoel de Freitas Paranhos


"Paranhos [Visconde de Rio Branco] foi enviado a capital imperial Rio de Janeiro em 1835 aos catorze anos de idade para continuar seus estudos. No início do ano seguinte ele foi aceito na Academia Real dos Guardas Marinhas. Paranhos dava aulas para seus colegas de classe a fim de ajudar no pagamento de sua educação. Ele se formou em 1841 aos 22 anos com a patente de aspirante de marinha, entrando em seguida na Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho. Paranhos foi atrás de um curso de engenharia e desenvolveu um gosto pela matemática. Foi promovido a alferes na marinha antes de se formar na escola militar e se tornou um professor substituto na escola naval. Ele se casou em 1842 com Teresa de Figueiredo Faria, cuja família também vinha da cidade do Porto em Portugal." Fonte: Wikipedia



"No ano de 1842, [Visconde de Rio Branco] casou-se com a D. Teresa de Figueiredo Faria, irmã de um amigo seu da Marinha, nascida no Rio de Janeiro e filha de um negociante português. Com D. Teresa teve nove filhos: José Maria da Silva Paranhos, posteriormente o Barão do Rio Branco; Maria Luísa, que fugiu de casa para se casar com José Bernardino da Silva, de origem humilde; Amélia, que se casou, em 1875, com Pedro Afonso Ferreira, bacharel em direito; Maria Honorina; Pedrinho, que era paralítico; Augusta Amélia, casada com Luís Cavalcanti, ambos morrem de tuberculose; João Horácio, que entrou para o exército em 1880; Luisa que também morreu de tuberculose; e Alfredo, boêmio, foi morar com a mãe em Paris em 1894, morreu de congestão pulmonar." Fonte: FONSECA, Brenda Coelho. Trajetória e ascensão social de José Maria Da Silva Paranhos: o jornalismo como estratégia (1850-1851). Link 


"Juca Paranhos nasce no Rio de Janeiro em 1845, de um "bom casamento" entre um professor de matemática da Escola Militar e a irmã de um amigo deste da Academia da Marinha, onde estudou. Devido à ausência constante do pai, aproxima-se do irmão da mãe, que o incentiva a estudar história. Estuda no Colégio Pedro II com outros filhos de figuras ilustres do Império. É uma criança inteligente e interessada nos feitos do pai no Prata. Ao terminar o curso no Pedro II vai estudar na Faculdadede Direito de São Paulo e depois em Recife. Participa de "patuscadas estudantis". Após se formar torna-se secretário do pai na viagem ao Prata e deputado pelo Mato Grosso sem nunca ter ido a esse estado." Fonte: MOURA, Cristina Patriota de. Herança e metamorfose: a construção de dois Rios Brancos. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, CPDOC/FGV, n. 25. Ano: 2000/2001. Link. 



"Juca Paranhos é o filho mais velho da união de José Maria com Teresa de Figueiredo Faria. A fratria é composta de nove irmãos:
1. José Maria da Silva Paranhos (1845). Tem o nome do pai e posteriormente  se torna o barão do Rio Branco.
2. Maria Luísa (?-1888). Foge de casa para se casar com José Bernardino da Silva, de "origem humilde". Têm seis filhos. Posteriormente, o marido "enlouquece no espiritismo" e o barão vai ao Rio em 1887 para ajudá-la.
3. Amélia (1850-1891). Casa-se, em 1875, com Pedro Afonso Ferreira, bacharel em direito que "já presidira as Províncias do Piauí e Santa Catarina" (Viana Filho, 1996: 63) e tem uma filha. E a irmã predileta. Morre em 1891 no Engenho Japaranduba, Pernambuco.
4. Maria Honorina (1854-1855).
5. Pedrinho (1855-1868). Paralítico.
6. Augusta Amélia (?-1888). Casada com Luís Cavalcanti. Um filho, Luís. Os três morrem de tuberculose.
7. João Horácio (1860-1900). Posto no Exército em 1880 "para entrar no bom caminho" (Viana Filho, 1996: 100). Morre tuberculoso em Porto Alegre.
8. Luísa (?-1881). Tuberculose.
9. Alfredo (1866-1890). Entrega-se "inteiramente à boêmia" (Viana Filho, 1996: 100). Vai com a mãe morar em Paris em 1894. Morre meses depois da mãe, de congestão pulmonar."
Fonte: MOURA, Cristina Patriota de. Herança e metamorfose: a construção de dois Rios Brancos. In: Estudos Históricos, Rio de Janeiro, CPDOC/FGV, n. 25. Ano: 2000/2001. Link. 


Referências:
https://pt.wikisource.org/wiki/Archivo_nobiliarchico_brasileiro/Rio_Branco_(Visconde_com_grandeza_do)
http://www.brasiliana.com.br/obras/rio-branco-o-barao-do-rio-branco-biografia-pessoal-e-historia-politica/pagina/8


Feliz dia das mães!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo seu comentário!