30/05/2016

Entrevista com Flávia Costa, responsável pela Escola de Samba Unidos de Genève

Flávia Costa Jover é uma brasileira que mora em Genebra e mantém a nossa cultura viva na Suíça. Na entrevista de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre ela e sobre o trabalho que desenvolve.

Para quem desejar mais informações, basta acessar o facebook.com/danse.samba.geneve ou acessar a página unidosdegeneve.com


Flávia, conte um pouco sobre você, sua formação acadêmica, profissional, onde nasceu e onde já morou pelo mundo.

Meu nome é Flavia Costa Jover, mas no mundo artístico resolvi manter meu nome de solteira, é também  como fazia meus exames da Royal Ballet no Brasil e na Escola Municipal de Bailado do Teatro Municipal (EMBSP), onde estudei até o 5º ano. Infelizmente não conclui o curso profissionalizante, nas duas escolas mencionadas. Naquela época, a EMBSP,  oferecia  a entrada no curso até os 18 anos. Hoje, a estrutura mudou. Até onde eu sei, as crianças entram bastante jovens, entre 8 e 9 anos, o que facilita o término do curso - que dura 8 anos. Para uma garota de 12 anos, que foi meu caso, ficou  difícil concluir, pois eu precisava trabalhar e estava em uma época da adolescência bastante conturbada. Acho que em razão da evasão, eles mudaram a exigência da idade. Eu recomendo a EMBSP para quem quer seguir nesta carreira, é uma referencia e é muito completa, tem aulas de música, arte, Ballet Moderno, além de ser um curso profissionalizante gratuito para meninos e meninas. 

Minha formação acadêmica é em Direito, estudei na Universidade Mackenzie e me formei no ano de 2000. Depois, fiz, nesta mesma instituição, uma pós-graduação latu sensu em Direito Tributário, conciliando a vida como advogada nas áreas Civil e Tributária. No ano de 2007, eu e meu marido nos mudamos para o Montevidéu, Uruguai, onde fiz Mestrado em Relações Internacionais. Vivemos lá por 3 anos. Fiz um estágio no Mercosul e, em 2010, nos mudamos para a Suíça. Em Genebra, também fiz um mestrado em Direito Internacional, que terminei no ano passado.

Aliado tudo a isso, surgiu a escola de Samba aqui em Genebra, que eu jamais pensei que pudesse existir. Ela me abriu um universo europeu do samba, inimaginável. Eu sou passista da Escola de Samba Rosas de Ouro em São Paulo, frequento a quadra desta escola desde 2004 e, para mim, foi incrível ter encontrado uma atividade destas aqui na Suíça.


Quando foi criada a Escola de Samba Unidos de Genève?

A UG foi criada em 2004. Somos uma associação sem fins lucrativos, que foi criada por um Suíço apaixonado pelo Brasil: nosso presidente Cedric Veillard, que é casado com uma amazonense. Nossa escola em sua maioria é  composta por estrangeiros que se interessam pela música e pela dança brasileira.


Você é integrante da Escola de Samba Unidos de Genève, fale um pouco sobre o trabalho que você desenvolve.

A sessão dança foi iniciada comigo em 2011, quando comecei a dar aulas de samba. Antes não existia ninguém fixo, o que existia eram dançarinas contratadas para show pontuais. Eu fui a primeira que se aproximou da escola com este intuito.

No início, eu era a unica dançarina fixa do grupo e depois fomos agregando as outras. No momento, as dançarinas são brasileiras em sua maioria. Estamos agora com uma dançarina africana, do Camarões, que dança muito bem e, logo logo teremos outra da Austrália. Elas têm que se preparar para estar parecidas ao máximo com dançarinas brasileiras no que se refere ao gingado. De resto, cabe a cada uma trabalhar sua exuberância e sensualidade.

Uma coisa que gosto muito de ressaltar é que sensualidade não tem nada haver com vulgaridade. Isso é uma preocupação muito grande minha na escola, preservar a imagem da mulher brasileira é uma bandeira extremamente importante  para mim dentro da UG.

Sou integrante da Escola e sou a responsável - junto com o coreógrafo Sylas le Goff  - pela sessão de dança. Nós dois temos uma base  clássica  muito forte e isso ajuda muito a poder ampliar a gama de danças dentro da escola. Isso quer dizer que puxamos um pouco para as danças afro-brasileiras, além do samba. 




Como a Unidos de Genève divulga a cultura do samba?

Como disse, nunca imaginei encontrar uma escola de samba em Genebra. Com uma estrutura física, existem algumas, mas podemos dizer que são associações que existem para eventos pontuais no ano, sem sede e nem ensaios. Nós temos uma pequena estrutura, um local, horários fixos de ensaios e atualmente temos intercambiado com outras escolas da Europa. 

Para mim, que sou paulistana, quando se fala de samba, a referencia mundial sempre é Rio de Janeiro. Eu procuro divulgar o samba paulistano, faço cursos em São Paulo todos os anos e tenho divulgado a qualidade do samba de São Paulo sempre que posso. 

No ano passado fomos selecionados para fazer parte do maior festival de Samba da Europa - Festival de Coburg, na Alemanha (www.samba-festival.de). Sim, existe uma seleção e não é fácil ser aceito neste festival! E neste ano, iremos pelo segundo ano neste evento. 

No ano passado, fui convidada para ser a coreografa de um grupo de samba em Turquia - Istambul,  o nome do grupo é Carnaval Turco, para mim foi uma grande alegria saber que nossa cultura é admirada em todo mundo. 

O  meu contato maior com as escolas da Europa, se deu com a Unidos de Genève, porque organizávamos um festival em Portugal, que existe até hoje. Infelizmente, por problemas internos, não estamos mais na direção desse festival, mas ele é um festival que cresce a cada ano e que demonstra a admiração pela cultura brasileira. Durante estes anos que organizávamos o festival, conheci grupos da Espanha, França, Bélgica, Suécia, Inglaterra, Áustria, Itália, onde mantenho contato com alguns integrantes destas agremiações. 

Até hoje, paralelamente a isso, temos um programa de rádio que eu e o  presidente da Unidos de Genève, Cedric Veillard, divulgamos a cultura brasileira. A nossa preocupação é explicar a parte histórica, dar  referencias exatas da nossa cultura, como por exemplo o papel de um mestre sala dentre de uma escola de samba, como surgiu o maracatu, coisas do gênero. Temos essa preocupação com o  programa. Estamos em www.radioalmalusa.com -  rádio mundial na internet. No programa, divulgamos eventos sobretudo de Carnaval na Europa ou artistas brasileiros que vivem aqui.


Fale um pouco mais sobre o programa que vocês têm na rádio. Desde quando ele está no ar, qual é o horário em que vocês se apresentam, etc.

O programa na rádio começou com uma entrevista que fizemos a convite de um amigo - DJ Fly. O dono, Sr. Hermínio Mendes, gostou muito do conteúdo e nos chamou para fazermos esse trabalho. Ele nos deu liberdade para escolher o tema e escolhemos falar sobre a cultura brasileira e nos focamos em eventos na Europa voltados para nossa cultura, além de podermos dar explicações sobre dança, música, tradições, etc. Essa é uma marca do nosso programa: levar o ouvinte a informação correta sobre a cultura, sabermos e aprendermos com o entrevistado com o que ele trabalha.

Neste ano o horário não está definido, mas geralmente são às quintas feiras, as vezes em português, as vezes em francês, depende do entrevistado. O horário brasileiro gira em torno da 12h-13h. São programas de duas horas. 


A comunidade brasileira em Genebra é bastante atuante?

Sim, temos algumas pessoas que se preocupam em divulgar a cultura brasileira. Eu não estou bem involucrada dentro dos serviços do Consulado em Genebra, mas já ouvi algo a respeito. Eu peco um pouco em não procurar ajuda, mas existe uma chapa eleita pelos brasileiros que se ocupa da parte cultural em Genebra, talvez até tenha uma extensão dentro de toda a Suíça. Não sei te responder com precisão. Mas vejo muitos artistas brasileiros de bom nível aqui. Por exemplo, vejo alguns que vieram  estudar música na Universidade aqui e acabaram ficando. Dentro da Unido de Genève, fazemos tudo com o dinheiro da cotização dos integrantes, todo dinheiro que entra na agremiação é revertido para ela, com cursos, instrumentos, viagens, etc. para os membros. Infelizmente, não temos ajuda do governo brasileiro. 


O que deve fazer quem quiser se tornar membro da Unidos de Genève, ou participar das atividades promovidas pela Escola?

É simples se tornar membro, temos um site na net. www.unidosdegeneve.com, qualquer pessoa que esteja interessada em aprender música e dança com preços módicos é bem vindo na nossa escola, ficamos em Petit Lancy, tram 14, dentro do estacionamento Louis Bertrand, no subsolo em razão do ruído, saída Chemim du Bac do Estacionamento, estúdio 8, em Genebra na Suíça.

As aulas se dão em francês, mas por tabela, a pessoa vai aprender o português,  não vai ter jeito, além de tomar nas nossas festas a famosa caipirinha brasileira.

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