03/05/2016

Entrevistas com Jovens Diplomatas - Igor Carneiro

Ao longo dos últimos meses, vimos biografias de diplomatas que ingressaram na carreira entre 1800 e 2000; agora, vamos olhar para o futuro. Hoje, daremos início a uma nova série de entrevistas aqui no blog, chamada Jovens Diplomatas. Seu objetivo é mostrar os diferentes perfis de diplomatas que compõem os quadros do Itamaraty e saber como eles se prepararam para entrar no Serviço Exterior Brasileiro.




O primeiro entrevistado é o Secretário Igor Carneiro, diplomata desde 2012. Nascido em Sobral-CE, ele cursou Relações Internacionais e Direito em Brasília, trabalhou no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e, durante oito anos, nunca desistiu de alcançar o objetivo de se tornar diplomata - manteve-se focado, investiu nos estudos e contou com o apoio incondicional de sua esposa, Priscilla.


Igor, antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação?

Eu me formei Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), em 2008. Enquanto cursava Relações Internacionais na UnB, estudei Direito em uma faculdade privada de Brasília (IESB), porém interrompi o curso na metade.


Que carreira você seguiu antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores?

Em dezembro de 2008, fui nomeado para o cargo de Analista de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC. Trabalhei na Assessoria Internacional do Gabinete do Ministro e no Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), até setembro de 2012, quando fui nomeado para o cargo de Teceiro-Secretário da Carreira de Diplomata.


Conte-nos um pouco sobre como e quando você decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro. 

A ideia de ser diplomata surgiu durante o Ensino Médio, em Fortaleza-CE. À medida que eu ia descobrindo mais sobre a profissão, ficava claro que  aquela era a carreira que eu almejava. Eu havia feito uma preparação bastante sólida para encarar o vestibular de Medicina, porém os planos mudaram pouco antes da prova do vestibular. 

Decidi, então, que iniciaria minha preparação à carreira de diplomata pelo curso de Relações Internacionais da UnB. Eu imaginei que me mudar para Brasília seria importante para encontrar pessoas com os mesmos interesses profissionais e entrar no "circuito" de preparação para o CACD. Meus pais acharam a ideia ousada, mas toparam me apoiar. Até então eu jamais havia conhecido um diplomata.


Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como você os superou?

Entendo a minha preparação como uma corrida de longa distância. Desde o momento em que eu elegi a carreira diplomática como objetivo, no terceiro ano do ensino médio, até a aprovação, em 2012, transcorreram aproximadamente oito anos.  Foram oito anos em que, apesar dos sobressaltos e eventuais inconstâncias, a carreira de diplomata era encarada como um sonho.

Em meu último ano de faculdade, comecei a frequentar as aulas noturnas de cursos preparatórios para o CACD. Após começar a trabalhar no MDIC, busquei manter os estudos e continuar a frequentar as aulas. Não foi simples conciliar a vida profissional com a rotina de estudos, simulados e, sobretudo, com a extenuante maratona de provas do CACD. Nesse contexto, descobri que as aulas online eram um excelente recurso na minha preparação. Em 2010, eu me casei e tive a sorte de contar com o apoio incondicional da minha esposa, Priscilla, para seguir firme nos estudos, apesar das limitações que isso impunha ao nosso convívio cotidiano. 

A vastidão de material de leitura me fazia sentir meio perdido. No entanto, a falta de tempo me fez entender que eu precisava ser pragmático e selecionar cuidadosamente minhas leituras, identificar claramente as minhas lacunas e tentar preenchê-las com a maior eficiência possível. Cada cursinho tinha uma receita diferente, e demorei um pouco para entender o que funcionava para mim. Foi um processo de tentativa e erro um pouco doloroso.

Ao longo de todo o processo, estou certo de que o maior desafio foi manter a esperança de que a aprovação era algo possível, apesar das sucessivas frustrações. À medida que eu conseguia passar por uma nova fase do certame, era reprovado na fase seguinte. Depois da decepção da reprovação, eu me dava duas semanas para descansar e depois recomeçava por onde achava que havia sido meu ponto fraco. Não foi fácil manter a autoestima e o controle emocional nos momentos de fracasso.

Depois de muita reflexão, era claro para mim que ingressar na carreira de diplomata era verdadeiramente o que eu desejava para minha vida profissional. Decidi então que, uma vez que a prova era aplicada anualmente, eu a faria até passar. No entanto, resolvi não abdicar dos demais projetos pessoais e profissionais em prol do concurso. Essa tranquilidade e visão de longo prazo me ajudaram a lidar melhor com o concurso.


Ao ingressar no Instituto Rio Branco, houve alguma mudança na sua vida? 

A principal mudança foi encarar a rotina de estudo em tempo integral depois de quatro anos de atividade profissional. Por não ter um perfil acentuadamente acadêmico, considero que tive dificuldade em me adaptar. Eu estava ansioso para "colocar a mão na massa" e atuar como diplomata brasileiro.


Quais são as atividades que você realiza ou já realizou, das quais mais se orgulha, no MRE?

Participei de negociações de tratados, opinei sobre rumos de projetos de lei, contribuí para a definição da posição brasileira em organismos internacionais e pude, ainda, colaborar para o encaminhamento de questões delicadas nas relações do Brasil com outros Estados. Sinto que tomei a decisão acertada em escolher a carreira diplomática. A necessidade de aprendizado constante e os desafios em série que a carreira impõe me fazem sentir muita satisfação por haver ingressado no Itamaraty. 


Além de ser diplomata, você tem algum hobby ou paixão?

Tenho curiosidade sobre muita coisa. Acabo envolvido com algum novo assunto a cada três meses. No entanto, tenho mantido o estudo do mandarim há aproximadamente cinco anos e acho que vou continuar por muitos mais antes de alcançar o meu objetivo de ser fluente no idioma. Minha paixão é minha família - esposa e filha -, que sempre me fazem ver o melhor da vida.

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