09/05/2016

Entrevistas com Jovens Diplomatas - Victor Toniolo

Na segunda entrevista da série, o Secretário Victor Toniolo, diplomata desde 2014, nos conta sobre sua trajetória. Natural de Curitiba, fluente em espanhol, inglês, francês e italiano, morou em Portugal, formou-se em Filosofia na Espanha, trabalhou na Itália, foi servidor da EMBRATUR e superou barreiras para ingressar no MRE. 

Victor,  antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação?

Sou formado em Filosofia pela Universidade Complutense de Madrid (UCM). 


Que carreiras você seguiu antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores?

Logo após a faculdade, fui para Roma, onde trabalhei como gerente em uma instituição de captação de recursos. Sucessivamente, ao voltar para o Brasil a fim de preparar-me para o CACD, fui aprovado em concurso da EMBRATUR, onde trabalhei como servidor público até ingressar no MRE.


Você morou em Portugal, na Espanha e na Itália, antes mesmo de se tornar diplomata. O que o levou a esses países? Fale um pouco sobre essas experiências.

Quando tinha 16 anos recebi um convite para fazer intercâmbio em Lisboa. Sempre tive muita atração pela Europa, e agarrei a oportunidade com entusiasmo. Foi uma excelente ocasião para ampliar enormemente meus horizontes e fazer-me compreender a importância dos intercâmbios culturais, além do fato de a transição do Brasil para Portugal, para um adolescente, ser consideravelmente suave. Após 3 anos de experiências muito enriquecedoras, decidi ingressar na faculdade, ao obter uma vaga em Madrid, capital com semelhanças e diferenças com relação a Lisboa, onde vivi saudosos e extraordinários momentos. Quando estava no final da faculdade, o Diretor de meu Departamento foi convidado para assumir um cargo em Roma, no setor de captação de recursos, como referi. Pelo fato de ser também cidadão italiano, ele convidou-me a acompanhá-lo, a fim de facilitar os tramites burocráticos e logísticos de sua instalação na Cidade Eterna bem como a realização de suas atividades. Foram cinco anos inesquecíveis.


Conte-nos um pouco sobre como e quando você decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro. 

Quando tinha 12 anos vim para Brasilia, pois meu pai havia sido nomeado Ministro do Tribunal Superior do Trabalho. A realidade da capital federal fez que me interessasse pelas carreiras do serviço publico. Inicialmente tive muita atração pelas carreiras jurídicas, certamente pelo fato de frequentar os ambientes vinculados ao TST. Certo dia, porém fui levado para visitar o Palácio Itamaraty, e foi, literalmente, amor à primeira vista. Naquele longínquo momento decidi que seria diplomata. As oportunidades que surgiram, como narrei, terminaram por me afastar desse projeto de vida. Mas em certo momento, especialmente no contexto que havia de enorme projeção internacional do Brasil, decidi retomar minha decisão da infância, e, felizmente, obtive sucesso.


Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como você os superou?

O maior desafio desde o início dos estudos foi aprender Economia. Não tinha nenhuma noção da disciplina, e demorei um pouco a encontrar um bom professor. Além disso, tinha dificuldade em elaborar questões discursivas, pois como tinha ficado 12 anos fora do Brasil, cometia erros, até mesmo de ortografia. A superação desses dois desafios principais foi possível somente com o auxilio de bons professores. Sozinho não teria sido capaz.


Ao ingressar no Instituto Rio Branco, houve alguma mudança na sua vida? 

Houve mudanças, sem dúvida, mas creio que não foram tão expressivas pelo fato de já morar em Brasilia e já ser servidor público. Passar a conviver com outros diplomatas, tanto da Casa quanto estrangeiros, bem como frequentar os ambientes vinculados ao Itamaraty foi uma mudança considerável.


Quais são as atividades que você realiza ou já realizou, das quais mais se orgulha, no MRE?

Ser diplomata, em si mesmo, faz sentir um orgulho genuíno, que se manifesta de maneira muito positiva. Eu acredito muito no Serviço Exterior Brasileiro, em sua missão e em seus membros. Pertencer a essa carreira de escol realmente dá muito orgulho, que se traduz na boa execução das atividades quotidianas.


Além de ser diplomata, você tem algum hobby ou paixão?

Meu hobby é a gastronomia. Tenho grande prazer em cozinhar para minha família e para meus amigos, e dedico-me especialmente, pela influencia de meus antepassados e minha vivências, à gastronomia mediterrânea.

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