15/05/2016

Entrevistas com Jovens Diplomatas - Marcela Braga

Dando continuidade à série de entrevistas, conheceremos a história da Secretária Marcela Braga. Diplomata desde 2008. Carioca, formada em Letras, professora de inglês e de português, mestre em Linguística pela UFRJ, prestou o Concurso e Admissão (CACD) duas vezes. Dedicou-se aos estudos ao mesmo tempo em que os conciliava com a carreira de professora e pesquisadora. Já serviu no Consulado Brasileiro em Tóquio, Japão, e atualmente serve na Embaixada em Liubliana, Eslovênia. Ao longo da sua carreira, enfrentou  adversidades com coragem e resiliência. Atualmente, exerce as nobres funções de diplomata, mãe e dona de casa. 


Marcela, antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação?

Formei-me em Letras, habilitação português-inglês, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. 


Que carreira(s) você seguiu antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores?

Comecei a dar aulas de inglês com 18 anos, logo após meu intercâmbio nos Estados Unidos, e só parei quando fui aprovada no concurso. Dei aulas em cursinhos e na UFRJ, como professora substituta. Lecionava língua inglesa, pronúncia, sintaxe e tradução.


Conte-nos um pouco sobre como e quando você decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro.

É uma história um tanto estranha. Estava cursando o doutorado em linguística e dando aulas na UFRJ. Continuava com alguns alunos particulares também, pois a bolsa de doutorado e o salário de professora não eram suficientes para pagar as contas. Um amigo viu o edital no jornal e chamou a minha atenção: "Você adora estudar. As matérias são interessantes e o salário é muito bom." Resolvi entrar de cabeça. Não foi planejado. 


Como você fez para se informar sobre o concurso, as matérias, a carreira e a vida na diplomacia?

Meus professores no Curso Clio foram minhas fontes de informação sobre o concurso e a preparação acadêmica. Sobre a carreira e a vida na diplomacia, confesso que estava por fora. Tive contato com alguns colegas aprovados no concurso de 2007, ouvi alguns contos, li biografias, mas a realidade, mesmo, só veio quando comecei a estagiar no Cerimonial.  


Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como você os superou?

Tentei o concurso duas vezes e fui aprovada na segunda. Fiz algumas matérias no Curso Clio do Rio de Janeiro e me dediquei de corpo e alma à bibliografia. Li praticamente tudo. Fiz resumos. Curti mesmo a parte do estudo, sabe? Acho que o maior desafio foi conciliar a minha vida de professora e pesquisadora com os estudos. Por isso, abdiquei de fins de semana e saidinhas à noite. Eu sabia o que queria e a dedicação foi fundamental para a minha aprovação.


 Ao ingressar no Instituto Rio Branco, houve alguma mudança na sua vida? 

Ao ingressar no IRBr tudo mudou na minha vida. Nunca havia estado em Brasília, não tinha a mínima ideia de como funcionava o MRE, me senti um peixe fora d'água nos primeiros meses. Foi um período muito difícil de adaptação.


Após sua aprovação no concurso, seguiu na carreira de professora, dando aula para candidatos ao CACD. Essa opção se deu por algum motivo especial? 

Certamente. Minha paixão é lecionar. Atualmente, dou aulas de português para eslovenos gratuitamente como parte do nosso programa cultural na Embaixada em Liubliana. 


Quais são as atividades que você realiza ou já realizou, das quais mais se orgulha, no MRE?

Certamente a atividade da qual mais me orgulho foi ter ajudado os brasileiros residentes no Japão após o terremoto/tsunami de 2011.


Não sei se todo os leitores se lembram da sua entrevista ao Fantástico, em 2011, pois ela foi essencial para ver a bravura necessária para a realização do trabalho que o consulado brasileiro exerceu nos meses após o terremoto/tsunami. Na época você era Vice-Cônsul, poderia nos contar um pouco sobre a sua atuação? 

Nossa, aquele dia ainda está tão vivo na minha memória. Lembro que meu pai disse que, no início da entrevista, não me reconheceu. Eu estava abatida, exausta, triste. Parecia realmente outra pessoa. Nosso pessoal tanto no Consulado quanto na Embaixada sabia que era preciso agir rápido e para tanto, trabalhávamos em média 16 horas por dia. A Embaixada tinha, inclusive, um regime de plantão. Funcionava 24 horas por dia durante todo o mês de março. Nossa equipe no Consulado fez o trabalho de localização e resgate dos brasileiros residentes nas regiões afetadas, além de ter distribuído água e outros mantimentos para famílias necessitadas.  


Além de ser diplomata, você tem algum hobby ou paixão?

Sou diplomata-mãe-dona de casa e ultimamente a minha paixão tem sido dedicar-me a minha filha de um ano e onze meses e ao pequeno ser que se desenvolve agora no meu útero.  


Por fim, o que você diria a mulheres que pretendem prestar o concurso para a diplomata?

Somos poucas, mas estamos caminhando juntas pela igualdade de genêro no MRE. Espero ver no futuro um aumento no número de diplomatas mulheres aprovadas no Concurso.


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Aqueles que desejarem saber um pouco mais sobre a atuação do MRE em 2011, seguem links de interesse:





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