29/07/2016

Entrevista com Marcos Ferreira, do CACD Linhas do Tempo



Hoje entrevistaremos Marcos Ferreira, idealizador do CACD Linhas do Tempo. Marcos tem 33 anos, é formado em Design, pela Universidade Estadual de Minas Gerais - Uemg, e vem acompanhando o CACD desde 2010, ano em que fez a prova pela primeira vez. Desde então, realizou o exame apenas uma outra vez e decidiu congelar os estudos por algum tempo, com exceção de uma disciplina: História do Brasil.


Marcos, como e quando surgiu o CACD Linhas do Tempo?

CACD Linhas do Tempo surgiu a partir da experiência de se fazer um material que fosse capaz de reunir diferentes autores, com seus respectivos pontos de vista. No princípio, o objetivo era somente compilar fichamentos dos livros mais populares de maneira visual e clara, para facilitar a consulta e compreensão do processo histórico.

O projeto, então, começou a acontecer mesmo só em meados de 2012. Mais leitura, muito exame e pura paciência permitiram que ele finalmente fosse concluído em 2013, entre avanços e retrocessos, conforme até a própria dinâmica da disciplina, e lançado no grupo do Rio Branco, no FB, em março daquele ano.

A aceitação foi bastante positiva e muitos candidatos deixaram seus depoimentos de satisfação, de maneira espontânea e muito gratificadora. Muitos dizendo que haviam tentando formular algo semelhante, mas que também não haviam tido tempo o bastante (ou a paciência necessária,). Sentimento de tarefa cumprida ao receber testemunhos do pessoal da chancelaria, recém diplomatas, professores, escritores e mesmo de algumas patentes militares (para onde o projeto desde então passou também a derivar) que haviam adquirido o documento e que com ele se beneficiaram. Foi e tem sido verdadeiramente motivador o trabalho.


Quais são os critérios que você usa para escolher os fatos e datas para a linha do tempo?

O que orienta a escolha dos fatos e datas é fundamentalmente a relevância dos temas conforme a abordagem do concurso (frequência em que eles aparecem nas provas, e como aparecem). Mas, ainda assim, seria insuficiente pensar as escolhas olhando-se apenas para o que ocorreu. Temas que até hoje não apareceram de maneira sistemática nas provas e que julguei pertinentes relevar na confecção do projeto, com base no que consta na obra de alguns autores, e especialmente, nesta nova versão de HB, foram contemplados. Isso proporcionará ao leitor a desconstrução de alguns paradigmas fossilizados ao longo de parte da historiografia. Trabalhar essa nova versão foi algo revelador e ainda mais iluminante em se tratando de compreender a complexa e, por vezes, dilemática História do Brasil.


Qual a bibliografia que você usa na confecção das linhas do tempo?

Desde as obras clássicas que com frequência os autores delas aparecem nas provas do concurso, Bóris Fausto, Vizentinni, Amado Cervo, Hobsbawn entre outros, até artigos recentes publicados pela Funag e de estudiosos da área, além de numerosos fichamentos de outras publicações. Oficialmente:

  • FAUSTO, Bóris. História do Brasil, 13a edição 2009 - EdUsp; 
  • Apostila Anglo Vestibulares, História do Brasil;
  • ALMEIDA, João Daniel Lima, Manual do Candidato História do Brasil, Funag 2013;
  • GREMAUD, Amaury Patrick, Economia Brasileira Contemporânea, 7a edição 2007, Editora Atlas;
  • CERVO, Amado Luiz e BUENO, Clodoaldo, História da Política Exterior do Brasil, 2a edição 2002 - Editora UnB; 
  • MOURA, Gerson, Relações Exteriores do Brasil - 1939-1950 - Funag 2012
  • CORTES, Henrique Dias Garcia Côrtes, A Política Externa do Governo Sarney - Funag 2010;
  • LEITE, Patrícia Soares, O Brasil e a Cooperação Sul-Sul - Funag 2011;
  • CASTRO, J. A. de Araújo, O Congelamento do Poder Mundial - Revista Informação Legislativa, 1971;
  • VIZENTINI, Paulo Fagundes. Relações Internacionais do Brasil, 3a edição 2008 - Ed. Fundação Perseu  Abramo.

Sugestões de candidatos que já passaram foram também detalhadamente aproveitadas. É preciso dizer, no entanto, que o projeto é um sem-fim de atualização, sempre um retrato do momento em que foi realizado. 

Evito linguagem rebuscada demais; e grandes parágrafos às vezes consomem poucas palavras (com uso até de abreviações), no sentido de ganhar espaço para mais conteúdo. Isso até para evitar qualquer tipo de plágio, já que é um trabalho de interpretação da História, conforme o ponto de vista de vários autores. 


Vi que existem duas opções de gramatura: Papel sulfite 75g  e  apel sulfite 120g. Qual é a diferença?

Tecnicamente falando, sobre a diferença de gramatura, ela existe por uma demanda dos próprios usuários que queriam escolher entre ter o mapa, de gramatura mais leve, afixado na parede, por exemplo para facilitar a consulta, e aqueles que queriam perenizar o trabalho com um papel mais espesso, o de 120g.


O que você gostaria de falar para os leitores do blog, sobre o seu trabalho?

Para finalizar, não sei se devo voltar em breve a estudar especificamente para o concurso. É uma jornada muito desgastante e que suspende sua vida por um período. Contudo, jamais me arrependi das coisas que estudei para ele. Do conhecimento adquirido e da riqueza das informações que só quem está envolvido com a preparação consegue encontrar. De qualquer maneira, você tem mais a ganhar do que perder quando se propõe a estudar para o CACD, acredito. Porque melhora sua capacidade de análise, de crítica e aumenta seu repertório bibliográfico – o que pode ser valioso na chamada Economia do Conhecimento que estamos vivendo.

Se você tem interesse em organizar o conteúdo de História do Brasil de modo a entender o sequenciamento dos períodos, personagens, tratados e crises financeiras, por exemplo, este projeto poderá cumprir a função.

Tudo que leu, aprendeu, assimilou pode não ter te valido uma vaga no Itamaraty, mas certamente terá ampliado seu ferramental semântico e relativo, tornando-o alguém que pensa polifonicamente – nada mais contemporâneo.

Atualmente, em termos de constituição, a Linha de HB está representada por cerca de 40% de História do Brasil, 40% de Política Externa Brasileira e 20% de Economia do Brasil, tendo em vista a congruência desses temas nos últimos testes.



Para mais informações procure pela página CACD Linhas do Tempo ou escreva um email para marcozenrique@gmail.com

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