08/08/2016

Clarice Lispector: uma diplowife - Parte III: o estranhamento



"(...) O estranho, explicou a palestrante, é o “de fora’, o que não pertence a determinada comunidade. “Ninguém é estranho em si, mas em relação a”. certa vez, contou Noemi. (...) Segundo a escritora, Clarice tinha, em sua obra, a capacidade de ver as coisas como uma criança. era como se as visse pela primeira vez e fizesse com que os leitores reconquistassem um olhar inaugural: “o que é essa palavra que sempre digo mas nunca disse?”

Esse olhar do estrangeiro, disse a especialista, é também o olhar do espanto. “Platão falava da filosofia como a origem do espanto: ‘o que é a vida?’; ‘para que existe a morte?’; ‘qual a origem do mundo?’ Crianças e poetas fazem essas perguntas. Com o tempo, a gente para de se espantar com a realidade. até ler Clarice.”

Noemi citou a capacidade de maravilhamento de Clarice em relação a uma simples barata, um inseto considerado repugnante pela maioria das pessoas. Da mesma forma, o ovo, para a autora de “A Legião estrangeira”, pode ser uma coisa espantosa. “Como é possível que exista um ovo?”, perguntava a escritora. (...)"

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo seu comentário!