15/08/2016

Entrevistas com Jovens Diplomatas - Aminthas Angel

Nosso quinto entrevistado é Aminthas Angel, que ingressou na carreira diplomática em 2009. Formado em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), ele superou diversos obstáculos e, devido aos seus esforços e sua capacidade intelectual foi aprovado no CACD, um sonho de seu pai. Aminthas teve o apoio da Bolsa de Ação Afirmativa e conquistou bolsa de estudos no Curso Clio, com suas altas notas e excelente desempenho. Como diplomata, serviu, provisoriamente, em Roterdã (2012) e em Caiena (2015). Aminthas é compositor, músico e escritor, suas grandes paixões. Recentemente, publicou um livro e lançou o CD, que pode ser encontrado no link http://www.cdbaby.com/cd/aminthasangel2


Antes de se tornar diplomata, qual era a sua formação?
 Fiz Psicologia na Universidade Federal da Bahia (UFBa).


Que carreira(s) você seguiu antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores?
Fui recepcionista Bilíngue no teatro Coliseu em Santos (2007 a 2008), Assistente Administrativo na Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba (julho de 2006 a fevereiro de 2007), professor particular de inglês (2005 - São Paulo), aplicador de pesquisas (2005 - São Paulo), analista em ONG (2005 - São Paulo), bancário (2002 a 2004 - Cicero Dantas, Lagarto (Trainee) e São Paulo), professor de Filosofia e de Estudos Religiosos (2002 - Lauro de Freitas – BA), vendedor de curso de inglês (Bahia – 2001), recenseador do IBGE (1997), professor Estagiário de Filosofia (Bahia – 1997).


Conte-nos um pouco sobre como e quando você decidiu seguir a carreira no Serviço Exterior Brasileiro.
Decidi em 2005, quando estava desempregado em São Paulo, sem um centavo depois de ter voltado de Londres, saudoso de minha namorada paulistana e sem ter conseguido me estabelecer como musico. Painho, anos atrás, já me tinha sugerido fazer o CACD, mas, não dei fé, conscientemente.


Fale sobre sua preparação para o concurso. Quais foram os maiores desafios e como você os superou?
A preparação foi muito gostosa, em termos acadêmicos. Eu me divertia estudando o conteúdo muito legal. Me sentia ótimo tendo algumas das melhores notas do Clio. O maior desafio foi o desconhecimento da prova. Li um livro de Milton Santos - Por Um Outra Globalização, e pensei que seria fácil passar. Claro que não deu certo. Depois, fiz um cursinho preparatório ineficaz, depois fiz outro tb ineficaz. Consegui progredir quando comecei no Clio. Um mês de Clio e já fui pra segunda fase. Outro obstáculo foi a falta de grana para pagar um bom curso, o que foi resolvido com minha aprovação na Bolsa de Ação Afirmativa do IRBr, em 2008; e a falta de tempo pra estudar, também sanado com a aprovação na Bolsa. Eu estudava no ônibus de Santos para Praia Grande e entre 10 e meia noite, depois do trabalho.Com a Bolsa pude concorrer de igual pra igual com os garotos que não precisavam trabalhar e dispunham de tempo para estudar 10 horas por dia e/ou eram de áreas mais afins ao CACD. Eu era bastante organizado. Metódico. Aplicado. Diagnostiquei os pontos fracos e fiz progressos incríveis no Clio. Nos exercícios de primeira fase, só Thomaz tinha notas melhores que as minhas, segundo minhas estimativas. Eu era muito competitivo. Foi decepcionante ficar em 72 lugar no CACD, tendo ficado entre os melhores do Clio. No mais, consegui bolsa de 40 por cento no Clio, mediante concurso e foi só alegria.


Ao ingressar no Instituto Rio Branco, houve alguma mudança na sua vida?
De classe media baixa consegui renda de classe media. Com a grana comprei uma cobertura na Bahia, gravei um CD, um clip e um DVD, viajei pra caramba, a trabalho e a passeio.  Em termos emocionais, foi um saco o IRBr. Parecia, exceto por Inglês e Frances, a despeito da professora de francês, vez ou outra, desnecessariamente, severa, um Clio muito piorado. A mudança de cidade foi um saco no começo, adorava Sampa. Hoje gosto bastante de BSB. Fiz alguns poucos amigos no IRBr. O mais legal era o marido italiano de Nina. Ele era muito doido e muito boa gente. Ah, e o glamour que a gente de fora bota na carreira. Passaporte vermelho e todas essas facilidades.


Quais são as atividades que você realiza ou já realizou, das quais mais se orgulha, no MRE?
Me orgulho de ter fechado parceria com Mauricio de Sousa, no envio de brindes para o Brasileirinhos no mundo. Me orgulho de ter contribuído para  o Brasileirinhos no Mundo se tornar algo realmente interessante. Me orgulho de ter tratado as pessoas com carinho nos plantões consulares e de as ter tratado com raiva quando a idiotice da demanda pedia; me orgulho de ter tido ótimas ideias e de ter posto em praticas algumas delas como a campanha dos jornais para presos, que evoluiu para livros  para detentos, revistas em quadrinhos para crianças e para adolescentes, me orgulho de ter organizado a hercúlea tarefa de enviar 27 mil livros didáticos pra comunidade  brasileira-mirim mundo afora. Me orgulho de ter tido uma gestão comprometida do Facebook da DBR. Me orgulho de ter tido bons momentos com Daniel Lisboa, Felipão. Me orgulho demais da amizade com a querida Isabela, com quem eu detestava trabalhar no começo. Ela era muito certinha e vivia corrigindo meus textos, que eram feitos com preguiça. Hoje, agradeço. A convivência com ela me ensinou a escrever objetivamente.  Me orgulho de ter sido, certamente, o primeiro diplomata preto a ficar com o cabelão no Itamaraty - meu crachá prova o feito, a despeito de eu ter cortado o black, logo que entrei no Rio Branco. Me orgulho de ter sido carinhoso a maior parte do tempo com os colegas e de chamar de colega todos os colegas, não apenas os diplomatas. Me orgulho de ter sido eu mesmo a maior parte do tempo. Me orgulho de ter tido ótimos interlocutores na Esplanada: Jairo, Sandra Grippi, Silvia, entre outros, me orgulho de ter ido de corpo e alma na semana do trabalhador brasileiro na Guiana Francesa. Eu e Dede - líder comunitário brasileiro, trabalhamos debaixo de chuva torrencial na Amazônia, fomos a cada buraco inacreditável! Me orgulho de não puxar saco de ninguém. Me orgulho de ter saído daquilo tudo. Me orgulho de ter feito a vontade de Painho e ter passado no CACD. Ele se orgulhou muito de tudo isso e sempre me apoiou, inclusive na decisão de tirar licença de 3 anos. Ele dizia: meu filho, seja feliz!


O que você diria para quem pensa em prestar a prova de seleção para o Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco?
Procure estudar provas antigas, todas que você encontrar. Diagnostique sua performance. Procure resolver suas duvidas pontualmente na internet. Não precisa perder tempo com leitura de livros. Procure ler os discursos presidenciais e do ministro das relacoes exteiores. Familiarize-se ao jeito CESPE de provas. Isso vai te fazer progredir.


Você daria alguma dica para quem quer se tornar diplomata?
Se prepare para a prova e para a carreira. Seja você mesmo e tudo dará certo!


Além de ser diplomata, você tem algum hobby ou paixão?
Paixão, tenho por compor musicas, arranjos vocais e instrumentais e por escrever, acabo de escrever um livro.


Amintas já lançou o vídeo clipe da música "Morena". Assista em:

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