05/09/2016

Diplomatas Famosos: José Sette Câmara Filho

International Court of Justice (The Hague, NL), 26 Nov. 1984. Case: Nicaragua vs. USA. From left to right: Platon Dmitriejevitsj Morozov, José Sette Câmara Filho, Taslim Olawale Elias (president) and Manfred Lachs. By Rob Bogaerts (ANEFO) - Ga Het Na (Nationaal Archief NL, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=37873952


"José Sette Câmara Filho (Alfenas, 14 de abril de 1920 — Rio de Janeiro, 30 de agosto de 2002) foi um político brasileiro. Diplomata, advogado, diplomado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, em 1945; pós-graduado pela Mc Gill University, de Montreal, no Canadá, em 1949. Exerceu os cargos de prefeito do Rio de Janeiro, embaixador e de presidente do gabinete civil da presidência no governo de Juscelino Kubitschek.

Em 1945 ingressou na carreira diplomática. Foi terceiro secretário, servindo na Embaixada do Brasil em Washington D.C., em 1947; Vice-cônsul em Montreal, no Canadá, em 1947; terceiro secretário, em 1950; segundo secretário em 1951; primeiro secretário, em 1953, servindo na delegação brasileira junto a ONU. Foi Secretário-Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, entre 1952 e 1954. Foi Cônsul em Florença, na Itália, em 1954; Ministro em 1956; Ministro Plenipotenciário, em missão especial nas solenidades de posse do Presidente da Colômbia, em 1958; Subchefe, em 1956 e chefe, em 1959, do Gabinete Civil da Presidência da República; Secretário Geral no Conselho Coordenador de Abastecimento, em 1959, Governador Provisório do antigo Estado da Guanabara; Membro do Conselho Administrativo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, em 1956; e então prefeito do Distrito Federal, entre 1960 e 1961.

Foi o último chefe de gabinete a trabalhar no antigo Distrito Federal. Em 1961 ingressou como representante permanente do Brasil no escritório das Nações Unidas, em Genebra. De 1963 a 1964, foi embaixador na Suíça; de 1964 a 1968 foi representante permanente do Brasil na Assembleia das Nações Unidas; e de 1972 a 1979 foi embaixador na Checoslováquia. Além disso, chefiou as delegações brasileiras nas reuniões da assembleia geral da ONU e, tanto em 1964, como de 1967 a 1969 foi o representante do Brasil no Conselho de Segurança. Em 1970, como sucessor do falecido Gilberto Amado, foi escolhido membro da Comissão de Direito Internacional Público das Nações Unidas, sendo reconduzido em 1971 e em 1977.

Tendo ficado, de 1970 a 1978, na Comissão de Direito Internacional Público das Nações Unidas, atuou como juiz ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, de 1979 a 1988; sendo que de 1982 a 1985, foi Vice-Presidente deste tribunal. Desde 1977, pertencia ao Instituto Internacional de Direito, e desde 1988, era membro honorário da Sociedade Americana para o Direito Internacional. Aposentando-se, retornou ao Rio de Janeiro, onde faleceu a 30 de agosto de 2002, em decorrência de um derrame cerebral."

Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Sette_C%C3%A2mara_Filho



"José Sette Câmara Filho nasceu em Alfenas (MG) no dia 14 de abril de 1920, filho de José Rodrigues Sette Câmara e de Ocarlina Sette Câmara.  

Em 1940 serviu no gabinete do então prefeito Juscelino Kubitschek como conselheiro para assuntos internacionais. Trabalhou com Kubitschek até 1945, quando se bacharelou em ciências jurídicas e sociais. Em dezembro desse ano ingressou na carreira diplomática.

Em 1950 foi designado membro da delegação brasileira permanente junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, com a função de consultor jurídico. Em agosto de 1952 deixou o cargo, ao ser nomeado secretário da chefia do Gabinete Civil do presidente Getúlio Vargas. Foi promovido a primeiro-secretário em 1953 e retornou ao Itamarati em 1954.

Com a posse de Juscelino Kubitschek na presidência da República em janeiro de 1956, tornou-se subchefe do Gabinete Civil da Presidência, chefiado por Álvaro Lins. Nessa época passou também a ser membro do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

Em julho de 1956, na qualidade de membro da comitiva presidencial e principal assessor político de Kubitschek, compareceu ao Congresso dos Chefes de Estado Americanos, realizado no Panamá para comemorar a idéia da fundação da União Pan-Americana, atualmente um dos órgãos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Na ocasião, o presidente Kubitschek pretendia obter apoio financeiro dos Estados Unidos para a execução de seu programa de governo.

Promovido a ministro de segunda classe em novembro de 1956, assumiu, no início de 1958, a secretaria geral do Conselho Nacional de Abastecimento e Preços. Destacou-se como o principal coordenador das medidas governamentais que dariam origem à criação, em março de 1959, do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Nordeste e, em dezembro do mesmo ano, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Ainda em 1958, representou o Brasil na I Reunião do Comitê dos 21 do Conselho da OEA, em Washington. Esse comitê havia sido constituído dentro do quadro de formação da Operação Pan-Americana (OPA), proposta pelo presidente Kubitschek com o objetivo de obter empréstimos dos Estados Unidos para o combate ao subdesenvolvimento em países da América Latina. No ano seguinte voltou a representar o Brasil na segunda e última reunião daquele comitê, dessa vez em Buenos Aires.

No período de março de 1959 a abril do ano seguinte, exerceu a chefia do Gabinete Civil da Presidência da República. Em abril de 1960 foi promovido a ministro de primeira classe e teve seu nome aprovado pelo Senado Federal para ser o primeiro governador provisório do recém-criado estado da Guanabara. A criação desse novo estado deu-se em função da transferência, em 21 de abril, da capital federal para Brasília. Exerceu o governo até que o novo governador, eleito em outubro de 1960, fosse empossado.

Em dezembro de 1960 voltou ao Itamarati e no ano seguinte foi nomeado embaixador do Brasil em Ottawa, no Canadá. Retornou ao Brasil para assumir, em 1961, a prefeitura de Brasília. Em meados de 1962 mandou instaurar uma comissão de inquérito para apurar acusações de irregularidades na gestão de Francisco Laranja Filho como presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Insatisfeito com as investigações, pediu a João Goulart o afastamento de Laranja do cargo. Diante da negativa do presidente, apresentou seu pedido de demissão em caráter irrevogável.

Em junho de 1963, assumiu a embaixada brasileira em Berna, Suíça, onde ficou até 1964. Designado pelo novo presidente da República, Castelo Branco, chefiou a missão brasileira permanente na ONU. Participou também das reuniões da Comissão Preparatória para a Desnuclearização da América Latina, realizadas na cidade do México, e representou o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Em 1968 licenciou-se do Itamarati para assumir uma das diretorias do Jornal do Brasil até 1972. Em 1970 foi eleito representante brasileiro junto à Comissão de Direito Internacional da ONU, onde exerceu mais dois mandatos. No final de 1972 foi designado para a embaixada do Brasil em Praga, Tchecoslováquia, seu último posto na carreira diplomática.

Em 1978 foi eleito membro da Corte Internacional de Justiça (CIJ), mais conhecida como Corte de Haia. Eleito primeiro vice-presidente da CIJ em 1982, foi o primeiro brasileiro a ocupar tal posto. Em 1992 foi eleito vice-presidente do Instituto de Direito Internacional.

Casou-se com Elba Carvalho Sette Câmara, com quem teve dois filhos."


Fonte:
Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001.
http://jk.cpdoc.fgv.br/biografia/jose-sette-camara-filho

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