31/01/2017

Série Jovens: o nosso futuro. Entrevista com Eduarda Zoghbi

Eduarda na Brazil Conferece, com o Jorge Paulo Lemann
Em 2017, iniciamos uma nova série de entrevistas aqui no blog, intitulada "Jovens: o nosso futuro". Nela, jovens de 18 a 30 anos contarão suas histórias, expressarão suas opiniões e nos contarão o que têm feito para melhorar o mundo em que vivemos. No primeiro post, conhecemos Alexandre Netto.

No segundo post da série, entrevistarei Eduarda Zoghbi, brasiliense, de 23 anos, que é super ativa e engajada. Ela trabalha no Engajamundo, na Brazil Conference e leciona inglês na Estrutural. Vamos saber um pouco mais sobre ela e sobre o seu trabalho?

Pergunta: Duda, conte-nos um pouco sobre sua história pessoal.

EDUARDA: Talvez uma das partes mais importantes da minha trajetória tenha sido a escola que estudei, a Escola das Nações. Como desde criança me aproximei muito de crianças de vários países, sempre tive a curiosidade de morar fora e me relacionar mais com pessoas que tivessem o perfil diferente do meu. Em 2009, resolvi fazer intercâmbio para a Dinamarca porque tive vontade de viver em um "país de primeiro mundo" e entender melhor o porquê que essa realidade não ocorre no Brasil. A experiência foi muito boa e me abriu várias portas, como por exemplo, me fez perceber aos 16 anos que eu tinha paixão pelo meio ambiente. Na época que fui estava acontecendo a COP15 em Copenhague, e mesmo me esforçando muito para ir, não consegui, mas resolvi me empenhar para lutar contra as mudanças climáticas. Ainda com esse objetivo, decidi entrar no curso de ciência política na Universidade de Brasília para que eu me preparasse para em um futuro próximo, tomar decisões nessa área de meio ambiente pelo meu país. 

Na faculdade eu estudei muito, participei de todos os projetos oferecidos pelo meu curso como extensão, empresa júnior e pesquisa. Apesar de tudo isso, a melhor experiência que tive na faculdade foi ter estagiado na Embaixada do Reino Unido nas áreas de mudanças climáticas e energia. Minha monografia acabou sendo nesse tema, e durante o estágio, me convenceram a participar de uma competição mundial da ONU que, caso eu ganhasse, me levaria a COP21 (como expliquei acima, esse era um dos meus maiores sonhos). Para ganhar, o meu vídeo no youtube deveria ser o mais visualizado da competição. Entrei em contato com todas as mídias de Brasília, apareci em jornais, em vários canais e páginas no Facebook, incluindo do Ministério do Meio Ambiente. Eu estava em primeiro lugar, até que nos últimos três dias, fui ultrapassada e perdi.

Foi bem triste, mas como quando uma porta se fecha, outra se abre, eu contei essa história em uma outra competição para ser embaixadora da Brazil Conference e ganhei! Essa conferência é realizada por alunos de graduação e pós-graduação de Harvard e do MIT, e lá eles debatem alguns dos maiores problemas do Brasil. Como embaixadora, meu objetivo era de conscientizar os jovens e levar esses debates para a universidade. Assim o fiz, e em julho de 2016 palestrei no JEWC, maior evento de empresas juniores do mundo. No mesmo mês fiz um curso na Universidade de Utrecht, na Holanda, sobre governança climática. 

Mas a maior conquista de todas aconteceu através do Engajamundo, ONG criada por jovens, para jovens, que busca engajar os jovens brasileiros a fim de encontrar soluções sustentáveis para os problemas no nosso meio ambiente. Eu participo como articuladora no Grupo de Trabalho de Clima, e a partir de uma seleção interna, fui escolhida para ir para a COP22 (mesma conferência que tentei quanto estava na Dinamarca). Foi um dos melhores momentos da minha vida/carreira porque conheci stakeholders de vários países e também pude trabalhar na parte de advocacy do Engajamundo, conversando com deputados, senadores e com o próprio Ministro do Meio Ambiente.





Pergunta: Fale sobre o trabalho que você faz no Engajamundo. O que você acha que te marcou mais?

EDUARDA: Tenho três principais projetos que são o Engajamundo, a Brazil Conference e o Inglês na Estrutural. Neste último, eu dou aula de inglês para crianças da Cidade Estrutural há 2 anos. 

No Engajamundo eu atuo como articuladora da ONG, ou seja, implemento projetos, realizo formações sobre meio ambiente em Brasília e participo das reuniões do grupo de trabalho de clima – foi através do GT que fui escolhida para participar da COP22. Atualmente, estou também trabalhando no “Engajasutra” que é o núcleo de advocacy do Engajamundo. Por enquanto, existem apenar os posicionamentos da ONG, mas como sou formada em ciência política, estou ajudando a estruturar o acompanhamento de projetos no legislativo e também a defesa de interesses para que a gente possa atuar no Congresso como todas as outras ONGs, conseguindo apoio para as nossas pautas.


Eduarda no pavilhão da China na COP22 falando sobre o Engajamundo

Pergunta: O que a motiva a realizar esses trabalhos?

EDUARDA: Eu acredito que o trabalho remunerado é uma forma que contribuímos com o nosso crescimento profissional, ao passo que o trabalho voluntário contribui para o nosso crescimento pessoal. Portanto não há nada mais gratificante do que participar de um projeto voluntário, porque essa é a forma que você encontra de contribuir para a sua comunidade. Pra mim a maior doença dos brasileiros é de reclamar de tudo que temos aqui, nos comparar com a Europa e os Estados Unidos, sendo que ninguém faz nem o mínimo para mudar essa realidade. Eu uso o meio ambiente apenas como exemplo, mas note a quantidade de pessoas com boa renda que ainda jogam lixo no chão porque "todo mundo joga". Essa falta de compromisso com o próximo é o que nos impede de melhorar. 

No Engajamundo, especialmente na área de defesa de interesses, acho de extrema importância que os jovens tenham maior representatividade no Congresso, especialmente porque essa pauta do meio ambiente vai impactar muito a nossa geração. Então como cientista política, acho que é meu dever atuar dessa forma em projetos que eu acredito, porque assim quem sabe, estaremos inspirando outras ONGs formadas por jovens à participarem mais da formulação das nossas políticas.


Pergunta: Qual foi a experiência que mais te marcou no trabalho voluntário?

EDUARDA: No inglês da estrutural a melhor experiência foi na reunião de pais, quando ouvi dos pais dos meus alunos que eles contam os dias para ter a aula de inglês e que ficam morrendo de saudades nas férias <3

No Engajamundo foi sem dúvidas ter participado da COP22! Um sonho que tenho desde os 16 anos se concretizou apenas com 23, e de fato foi tudo que eu esperava. Fiquei muito impressionada com a voz que a juventude conquistou nesse tipo de evento. Acredito que é esse tipo de união entre jovens do mundo todo que faz a diferença na hora de pressionar governos a tomarem melhores decisões para o meio ambiente.

Em geral, eu acho que o mais me marca no trabalho voluntário é ver os resultados de todo o seu esforço. Querendo ou não, você está ajudando alguém, ajudando pessoas a mudarem de mentalidade, sair da sua zona de conforto, e dedicando mais tempo pensando no próximo. No momento em que esse trabalho tem retorno é uma sensação muito boa, de que você é ÚTIL e está fazendo a sua parte. Tanto no inglês vendo crianças que talvez nunca tivessem a oportunidade de ter aulas cantando músicas e lendo livros sozinhos, quanto no Engajamundo, conscientizando jovens da importância de fazermos nossa parte, cuidando do nosso planeta, e vendo eles reproduzirem isso entre os amigos e familiares. 


Projeto do Inglês na Estrutural

Pergunta: Se você pudesse dar um recado para quem, como você, quer fazer a diferença no mundo, qual seria?

EDUARDA: Eu diria para não desistirem! Vejo tanta gente idealizando projetos maravilhosos, mas nunca tem força de vontade para seguir adiante. É difícil mesmo, por isso é importante sair da zona de conforto e procurar pessoas que pensem como você, que tenham mentes empreendedoras, e que querem ver o nosso país melhorar botando a mão na massa. Pode não parecer, mas já tem muitos jovens no nosso país comprometidos com essa mudança. Eu sou uma delas, e participo de três grandes projetos que todos têm esse perfil. Além disso, tenho amigos que me perguntam onde voluntariar, mas não sabem onde começar. Eu sempre respondo que o importante é primeiro saber o que você quer fazer para contribuir: é melhorar o transporte público? Ajudar na educação da sua comunidade? Construir casas? Enfim, são milhares de opções e todas já acontecem a sua volta sem você perceber, e hoje com a internet, está muito fácil de encontrar essas organizações. Se ela não existir, por que não começar uma do zero? Fica a dica :) 


Contatos:
Engajamundo: facebook.com/engajamundo 
Inglês na Estrutural:  facebook.com/inglesnaestrutural
Brazil Conference: facebook.com/brazilconference

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