06/02/2017

Diplomatas famosos: Pedro Leão Veloso Neto

"Pedro Leão Veloso Neto nasceu em Pindamonhangaba (SP) no dia 13 de janeiro de 1887, filho de Pedro Leão Veloso Filho, fazendeiro em São Paulo, advogado, professor de direito, juiz, promotor público, presidente da província de Alagoas de julho a agosto de 1888, chefe de polícia do Paraná em 1884 e de São Paulo em 1889, redator-chefe do Correio da Manhã, onde escrevia sob o pseudônimo de Gil Vidal, e deputado federal de 1906 a 1917. Seu avô, o conselheiro Pedro Leão Veloso, foi durante o Império deputado provincial, conselheiro de estado, senador, ministro e presidente das províncias do Espírito Santo, Alagoas, Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí, Pará e Ceará. Seu primo Pedro Leão Veloso Wähmann foi presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro de 1975 a 1978,

Pedro Leão Veloso Neto diplomou-se em 1907 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ingressando em seguida na diplomacia, como auxiliar do Tribunal Arbitral Brasileiro-Peruano. Em janeiro de 1908, passou a auxiliar do Tribunal Arbitral Brasileiro-Boliviano, reunido no Rio de Janeiro para apurar o montante das indenizações devidas ao Brasil em virtude do Tratado de Petrópolis, que ratificou a soberania brasileira sobre o Acre.

Em janeiro de 1910, foi nomeado segundo-secretário, servindo no Ministério das Relações Exteriores, no Rio, até outubro de 1911, quando foi designado para a embaixada do Brasil em Roma. Permaneceu na capital italiana até abril de 1913. De junho daquele ano a fevereiro de 1916, serviu como segundo-secretário em Paris. Promovido a primeiro-secretário, transferiu-se em julho de 1916 para a embaixada em Berna. Designado conselheiro em abril de 1918, retornou a Paris. De maio de 1918 a agosto de 1919, serviu como primeiro-secretário na capital francesa.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, foi instalada, em janeiro de 1919, a Conferência de Paz de Versalhes. A delegação brasileira era chefiada por Epitácio Pessoa e dela fazia parte Leão Veloso, como primeiro-secretário, função que exerceu até agosto. Nomeado então encarregado de negócios em Copenhague, representou o Brasil na Dinamarca até março de 1920. Em abril do mesmo ano voltou para Roma, no posto de primeiro-secretário e depois como encarregado de negócios. De março de 1923 a março de 1926, foi encarregado de negócios em Paris.

De volta ao Brasil, assumiu, em novembro de 1926, no início do governo de Washington Luís, a chefia de gabinete do ministro das Relações Exteriores, Otávio Mangabeira.

Em julho de 1928, representou o governo brasileiro na solenidade de posse do presidente do Paraguai.

Em abril de 1929, foi promovido a ministro-residente e designado para servir em Pequim. Permaneceu no entanto na chefia do gabinete de Mangabeira até a deposição do governo de Washington Luís pela Revolução de 1930, em 24 de outubro.

No início de 1931, promovido a ministro plenipotenciário de segunda classe, seguiu para Pequim como embaixador extraordinário. Em fevereiro de 1934, foi promovido a ministro plenipotenciário de primeira classe, permanecendo na China até novembro de 1935. Transferido para Tóquio como embaixador em comissão, ficou no Japão até março de 1939. Removido para Roma, chefiou a representação brasileira na Itália até fevereiro de 1941, retornando então ao Brasil. No ano seguinte, chefiou o Departamento Diplomático e Consular do Itamarati.

Em julho de 1942, um mês antes de o Brasil declarar guerra às potências do Eixo, Leão Veloso passou a ocupar o cargo de secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, exercendo-o até agosto de 1944. Em setembro de 1943, foi indicado para servir junto à Comissão de Emergência para a Defesa Política do Continente. Foi também diretor da Seção de Segurança Nacional do Ministério das Relações Exteriores.

Em 24 de agosto de 1944, Pedro Leão Veloso assumiu em caráter interino o Ministério das Relações Exteriores, em substituição ao chanceler Osvaldo Aranha, que se demitira desgastado por conflitos internos com a cúpula do regime e em protesto pelo fechamento da Sociedade Amigos da América.

Como ministro interino, ainda em 1944 manteve conversações em Washington com o embaixador soviético nos EUA, Andrei Gromiko, visando ao estabelecimento de relações entre o Brasil e a URSS, o que veio a ocorrer através de protocolo formado pelos dois países em março de 1945.

Em fevereiro de 1945, Pedro Leão Veloso presidiu a delegação brasileira à Conferência Interamericana sobre Problemas da Guerra e da Paz, em Chapultepec, México. Em abril do mesmo ano, chefiou a representação brasileira à Conferência de São Francisco, nos Estados Unidos, que aprovou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em setembro de 1945, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Adolf Berle Júnior, num discurso pronunciado no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, comentou as próximas eleições brasileiras, manifestando-se contrário à idéia da Constituinte sem a renovação do Executivo ou seja, da Constituinte com Getúlio. A ingerência de um diplomata estrangeiro na política interna provocou uma onda de protestos e a reação do governo brasileiro. Leão Veloso conversou com Berle sobre o caso. Escrevendo a Carlos Martins, embaixador em Washington, o chanceler brasileiro contou que Berle se justificara dizendo que falava como amigo do Brasil e que se sentira no dever de advertir os brasileiros sobre a maneira de sentir do público norte-americano. Diante do veemente protesto do Itamarati junto ao Departamento de Estado norte-americano, entretanto, o governo de Harry Truman removeu Adolf Berle Júnior de seu posto no Rio de Janeiro.

Manteve-se à frente da pasta das Relações Exteriores, formalmente sempre como ministro interino, até a deposição do governo Vargas, em outubro de 1945. Entretanto, o novo presidente provisório, José Linhares, o confirmou no cargo, que exerceu até 31 de janeiro de 1946, início do governo do presidente Eurico Dutra, quando foi substituído por João Neves da Fontoura.

Em março de 1946, Pedro Leão Veloso foi nomeado representante do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Faleceu no dia 16 de janeiro de 1947 em Nova Iorque, como embaixador brasileiro na ONU.

Robert Pechman
FONTES: ABRANCHES, J. Governos; BLAKE, A. Dic.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Efemérides paulistas; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (17/1/47); FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Grande encic. Delta; GUIMARÃES, A. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. NAC. LIVRO. Índice; Jornal do Comércio, Rio (26/2/41, 17/1/42, 17, 22 e 23/1/47); LEITE, A. História; MIN. REL. EXT. Anuário (1947)."





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pelo seu comentário!