07/03/2017

Série Jovens: o nosso futuro. Entrevista com Dani Black

Em 2017, iniciamos uma nova série de entrevistas aqui no blog, intitulada "Jovens: o nosso futuro". Nela, jovens de 18 a 30 anos contarão suas histórias, expressarão suas opiniões e nos contarão o que têm feito para melhorar o mundo em que vivemos. No primeiro post, conhecemos Alexandre Netto e no segundo, Eduarda Zoghbi. Neste terceiro, a entrevistada é Dani Black. 




Dani Black é Moradora da cidade de Ceilândia, tem 28 anos, três dos quais dedicados à militância de jovens e mulheres. Sou ativista de um movimento negro e de tudo que é ligado à juventude, principalmente a juventude negra e periférica. O meu papel vai ser levar uma indagação, reflexões e perguntas para o encontro, baseados nas vivências e experiências que tenho como jovem nascida e criada na Ceilândia.



PERGUNTA: Vamos saber um pouco mais sobre sua atuação, Dani Black?

Dani Black: Sou formada em Administração de Empresas, membra desde 2013 do Curso de Promotoras Legais Populares do Distrito Federal, Projeto de Extensão da Universidade de Brasília e Núcleo de Gênero Pró-Mulher do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Onde atualmente sou uma das Coordenadoras. Fiz parte de um coletivo interracial periférico formado por mulheres de Ceilândia de 2014 a 2015. 

Membra da primeira turma do Projeto Embaixadores da Juventude, fruto da parceria do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) da Caixa Seguradora, com o objetivo desenvolver competências e habilidades como liderança, capacidade crítica e comunicação a fim de formar jovens com capacidade de envolver-se em pautas políticas e técnicas a respeito de melhores práticas e políticas públicas voltadas à juventude em âmbito nacional e internacional. 

Sou também microempreendedora da empresa Coroa Abayomi onde atuo como turbantista, artesã, fazendo palestras motivacionais e de empoderamento de pessoas, principalmente de negras e periféricas. Foi Terapeuta Comunitária do programa Jovem de Expressão onde estou responsável pelo Fala Jovem, uma roda de terapia, baseada na terapia comunitária (metodologia brasileira). Através de rodas de conversas onde como terapeuta, estimulava a reflexão com trocas de experiências entre os participantes.

Brasiliense, me dedico aos temas em que milito e estudo sobre questões de gênero e emponderamento de mulheres no Curso de extensão PLPS da Universidade de Brasília.

“Nós somos os mais afetados pela falta de segurança, saúde, bem-estar e representatividade. Como sou mulher preta e periférica se bem como é a realidade dessas pessoas e procuro sempre ser muito ativa naquilo que defendo. Acredito que a melhor forma de se preparar é ser fiel e verdadeiro à luta, pensando sempre no próximo e nas pessoas que  represento”. 

Estou sempre em contato com a juventude da minha comunidade e de outros locais, tendo recebido total apoio de toda a região nos trabalhos que faço.



Luta e Resistência Preta Periférica

Dani Black: Eu cheguei ao Jovem de Expressão por meio de um coletivo. Recebi o convite para ser terapeuta comunitária depois de muitos trabalhos que realizei dentro do projeto. O que me levou realmente a lutar pelas causas da juventude negra periférica foi que há três anos eu perdi o meu irmão de 19 anos, ele era o caçula da família e foi assassinado. A morte dele foi planejada e o caso ainda não foi solucionado, quem o matou continua livre. Ele também sofreu muita violência policial, algo comum no nosso cotidiano. A maneira que eu encontrei de me levantar depois disso foi participar de movimentos que pudesse trazer melhoras para a população negra. Hoje eu luto por mim, por ele e para que jovens como meu irmão não vão embora sem experimentar o bom da vida e que não tenham seus direitos feridos. É muito pessoal falar desses temas, eu luto sempre por mim e pensando no meu coletivo. A juventude preta e periférica é o meu foco, luto por tudo aquilo que eu enfrento todos os dias.




Coroa Abayomi

A palavra ABAYOMI tem origem, IORUBÁ. Abayomi quer dizer aquela (e) que traz, felicidade.

Dani Black: A escola itinerante de cultura afrobrasileira Coroa Abayomi, atua nas periferias do DF desde 2014 objetivando uma conversa franca sobre o estímulo à beleza negra, debatendo contexto histórico e ancestralidade a  partir de referências cotidianas, históricas e periféricas. A partir da utilização da técnica “Ojá” - tipo de torço ou turbante usado na cabeça em religiões tradicionais africanas, afro-americanas e afro-brasileiras - e da Roda de Terapia Comunitária Integrativa (TCI) a Coroa Abayomi desenvolve um diálogo autêntico e horizontal que proporciona aos participantes reconstruções das formas de ver e sentir o mundo a partir de conexões com sua ancestralidade e historicidade.


COROA ABAYOMI, um encontro precioso com os ancestrais.

Dani Black tem a Kamila Silva como parceira e colaboradora do Coroa Abayomi.

Kamila Silva Nascimento, é moradora da QNL e tem 23 anos. Mulher preta, graduanda em Terapia Ocupacional pela UnB/FCE, estuda música e cultura afrobrasileira nas horas vagas.  Apaixonada por artes visuais e desenho animado, formou-se em teatro e jornalismo comunitário pelo Jovem de Expressão, espaço onde, no primeiro semestre de 2016, trabalhou como professora voluntária no pré-vestibular solidário. Na UnB, colabora com o grupo de estudos e debate NegroSUS, que discute temáticas raciais e questões de gênero aplicadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Participa do projeto de extensão universitária Promotoras Legais Populares (PLP) que atua no combate à opressões de gênero e raça através da educação popular. Colaboradora/Artesã na empresa Coroa Abayomi.




Contatos:


Quer saber mais sobre a Dani Black? 
Acesse os links de entrevistas que ela deu para diferentes mídias


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